Temáticas Centrais do 4º Encontro Nacional de Mulheres do SINASEFE
No dia 11 de abril de 2026, o 4º Encontro Nacional de Mulheres do SINASEFE, realizado em Belém-PA, aprofundou discussões sobre direitos, cuidado, envelhecimento e condições de trabalho. O evento contou com a participação de mais de 500 mulheres, muitas delas pela primeira vez em um fórum sindical nacional, em um espaço que se destacou pela diversidade de vozes e experiências.
Durante as oito palestras e cerca de 60 intervenções, as participantes se uniram em torno de propostas e reflexões que moldarão o fechamento do encontro no dia seguinte. Uma das mesas, intitulada “Tempo de cuidar, tempo de lutar, tempo de viver: políticas institucionais para as mulheres na Rede Federal”, foi especialmente relevante, refletindo sobre as lutas diárias enfrentadas pelas mulheres nesse contexto.
Reflexões sobre Políticas Institucionais para Mulheres
A mesa da manhã teve a presença de Amália Cardona, Guery Baute, Helena Rocha e Silvana Pineda, cada uma trazendo uma perspectiva única sobre as dificuldades e as necessidades das mulheres na Rede Federal. Amália Cardona, por exemplo, criticou o conceito de “normalidade” na lógica capitalista, alertando para as armadilhas que ele impõe, especialmente às pessoas com deficiência (PCDs). Segundo ela, a construção de um sujeito “normal” é uma forma de desumanização que marginaliza aqueles que não se encaixam nesse padrão.
Ela argumentou que a falta de políticas adequadas para mulheres e PCDs vai além de uma simples falha administrativa, sendo uma escolha política. Assim, a luta por direitos não deve ser vista como um ato de caridade, mas sim como uma tentativa coletiva de reconfigurar as estruturas que perpetuam a exclusão e a violência.
Guery Baute trouxe à tona a questão da exaustão feminina, enfatizando que esse cansaço não é um problema pessoal, mas um reflexo de um sistema que condiciona as mulheres a papéis que as esgotam. Em sua fala, ela destacou a importância de um espaço sindical que sirva como um local de aprendizado político e jurídico, onde as mulheres possam se empoderar para exigir seus direitos de forma assertiva.
Helena Rocha, por sua vez, abordou as barreiras raciais e etárias que as mulheres enfrentam, refletindo sobre a necessidade de reconhecer e honrar as ancestralidades. Silvana Pineda trouxe uma perspectiva sobre envelhecimento, considerando-o um aspecto central da vida da mulher trabalhadora e defendendo que o sindicato deve priorizar essa temática como uma questão urgente.
A Luta Contra a Militarização e Crises Climáticas
As palestras também tocaram em temas como a militarização das instituições de ensino e a interseccionalidade nas crises sociais e climáticas. Silvana Pineda avisou que as políticas institucionais devem ser repensadas, especialmente nas escolas vinculadas ao Ministério da Defesa, onde o debate de gênero ainda é silenciado. A palestrante alertou que a militarização prejudica a liberdade das servidoras, tornando esse um ponto crucial na luta por direitos.
Ao final da mesa, foram realizadas 36 intervenções, com muitas mulheres expressando gratidão por participarem pela primeira vez de um evento dessa magnitude. As experiências compartilhadas reforçaram a necessidade de solidariedade e de uma luta coletiva em prol dos direitos das mulheres.
A Última Mesa: Jornada e Condições de Trabalho
A mesa final do 4º ENMS discutiu “Nem precarizadas, nem exaustas: jornada, condições de trabalho e aposentadoria das mulheres na Rede Federal”. Márcia Farias utilizou a poesia de Dedé Monteiro para resgatar a relação entre tempo e trabalho, criticando como a estrutura institucional manipula as jornadas das trabalhadoras. Para Márcia, a luta deve ser pela reconexão com a vida, além das exigências produtivas.
Roberta Dantas denunciou a violência institucional e as perseguições que muitas servidoras enfrentam, trazendo à tona casos que ilustram a falta de impessoalidade no serviço público. Priscila Ferrari desconstruiu a ideia de que a exaustão é um problema de gestão do tempo, apontando para um sistema que exige produtividade sem oferecer suporte às condições de trabalho.
As contribuições ao longo do encontro foram valorosas, reforçando a necessidade de um movimento unido e consciente. O 4º ENMS não só proporcionou um espaço para discussão, mas também para a formação de uma rede de apoio e a construção de estratégias coletivas de luta.
