Medidas Governamentais Visam Aumentar a Oferta de Pescado
Com a aproximação da Semana Santa, um período de grande consumo de pescado no Pará, iniciativas dos governos municipal e estadual já têm mostrado efeitos sobre o abastecimento em Belém. Feirantes notaram um aumento na disponibilidade e até uma ligeira redução nos preços nas últimas semanas, embora haja uma expectativa de elevação conforme a demanda se intensifica. Para evitar possíveis reajustes, muitos consumidores já estão antecipando suas compras, enquanto especialistas afirmam que os decretos têm ajudado a assegurar a quantidade de pescado, embora não consigam controlar os preços completamente.
Medidas Implementadas para Garantir o Abastecimento
Nos últimos dias, duas ações significativas foram implementadas. O Decreto Municipal nº 114.283/2026, que visa restringir a saída de peixe da capital para outras áreas, entrou em vigor na última sexta-feira (19/03). Paralelamente, no domingo (22/03), iniciou-se a vigência do Decreto Estadual nº 5.262, que suspende a emissão de documentos necessários para a saída do produto do estado. Tais medidas têm como objetivo garantir uma maior oferta local e, consequentemente, frear a alta nos preços.
Melhora na Oferta e Expectativa de Preços
Na Feira da Pedreira, por exemplo, comerciantes têm observado uma melhora na oferta de pescado, o que, segundo eles, levou a uma diminuição nos preços. Alessandro Vieira, um dos feirantes, comenta que o atual cenário é mais favorável tanto para os vendedores quanto para os consumidores. “Até agora, deu uma baixada no preço dos pescados aqui, mas vai depender muito se ainda der bastante peixe”, afirma.
Entre as opções disponíveis, ele aponta os preços da dourada a R$ 25 o quilo, do filhote e pescada amarela a R$ 35, além da pescada branca a R$ 20 e do tamuatá a R$ 25. Segundo Vieira, essa queda recente nos valores é resultado da maior disponibilidade de pescado. “Dois meses atrás, estava muito mais caro, pois faltava peixe. Agora, a oferta está ótima”, complementa.
Impacto das Restrições no Abastecimento Local
Os feirantes acreditam que as restrições à saída do pescado têm um impacto direto e positivo na oferta local. Vieira explica que quanto mais peixe permanece na cidade, menor o preço para os consumidores e para os vendedores. A expectativa é que os preços se mantenham acessíveis, pelo menos no curto prazo. “Não vai ser um preço absurdo. Vai ser um preço bem acessível pro bolso do consumidor”, prevê, embora reconheça que reajustes podem ocorrer à medida que a Semana Santa se aproxima.
Movimento nas Feiras e Expectativas para a Semana Santa
Apesar da proximidade do feriado, o movimento nas feiras permanece abaixo do esperado, mas os feirantes acreditam que a situação deve mudar. “As vendas agora ainda não estão do jeito que a gente queria, mas vão melhorar. Daqui pra sexta-feira, as vendas vão melhorar”, destaca Vieira. Ele espera comercializar até uma tonelada de pescado durante o período.
Variedade de Preços e Tendência de Alta
Embora a oferta seja considerada boa, os preços variam consideravelmente entre as espécies e os vendedores. A dourada pode ser encontrada por preços que vão de R$ 30 a R$ 35, enquanto a pescada se vende a R$ 20 e a gó a R$ 25. Vale destacar que, nos primeiros meses do ano, os pescados enfrentaram um aumento nos preços. “De janeiro até março, houve um aumento no preço dos pescados”, afirma um dos feirantes, que prevê uma tendência de aumento de preços conforme a demanda cresce durante a Semana Santa.
Espécies em Alta e Dificuldades de Venda
Entre as espécies em alta, o tambaqui se destaca como uma opção popular e acessível, sendo vendido por cerca de R$ 25 o quilo. Em contrapartida, peixes como a piramutaba têm uma procura mais baixa, mesmo com preços entre R$ 15 e R$ 18 o quilo. “É um peixe que não é muito conhecido”, observa Vieira.
Aumento na Demanda e Preparação dos Consumidores
Alessandro Rodrigues, outro vendedor, confirma que a oferta está normal, mas já há sinais de que a procura está aumentando. “Já tem gente na procura dos peixes pra adiantar”, revela, citando preços de R$ 30 para a gurijuba e dourada, R$ 35 para pescada amarela e R$ 40 para o filhote. “A expectativa é que a procura vai ser grande”, conclui.
Influência da Oferta nos Preços Futuros
Os trabalhadores do setor afirmam que a oscilação dos preços até a Semana Santa dependerá da continuidade da oferta. Caso haja escassez, os valores podem aumentar rapidamente. “Se tiver bastante peixe, o preço vai decair. Se tiver falha, o preço vai aumentar”, resume Vieira.
Enquanto isso, consumidores começam a se preparar, percebendo que ainda não enfrentam dificuldades em encontrar pescado, mas temendo por possíveis aumentos futuros. Rosângela Oliveira, por exemplo, comenta que está encontrando preços normais e já planeja comprar mais peixes antes da Semana Santa. “Pra Semana Santa, vou comprar mais peixe. Eu prefiro comprar antes, porque a tendência é aumentar o preço”, afirma.
Supermercados e a Pressão da Demanda
Por sua vez, o setor supermercadista acredita que as novas diretrizes ajudam a prevenir desabastecimentos, mas não impedem a elevação dos preços que é comum nesse período. Jorge Portugal, presidente da Associação Paraense de Supermercados (Aspas), destaca que as restrições são uma prática comum, mas observa que o comportamento do preço segue a lógica da demanda. “Quando a demanda é grande, eles puxam um pouquinho no preço. Já é tradição: quando se aproxima a Semana Santa, baixar o preço não baixa. Pode manter ou aumentar”, explica.
Expertise de um Economista Sobre o Assunto
O economista Everson Costa, do Dieese Pará, ressalta a importância das medidas na garantia do abastecimento interno, mesmo com a pressão do mercado. “As medidas do governo estadual e municipal são fundamentais para garantir a oferta”, argumenta. Contudo, ele observa que os decretos têm um impacto limitado sobre os preços. “Na formação do preço, isso não entra como fator impeditivo”, conclui.
