Colômbia Promove Conferência para Impulsionar a Transição Energética
No final de abril, a Colômbia será sede da primeira conferência global focada na transição para o afastamento dos combustíveis fósseis. O evento, que acontece em paralelo com o trabalho da presidência brasileira da COP30, visa gerar resultados práticos e abordagens concretas, em vez de meras declarações de intenção. “Precisamos de resultados que sejam úteis para os países. Não apenas declarações, mas diretrizes concretas”, enfatizou Irene Vélez Torres, ministra colombiana de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, durante um seminário realizado esta terça-feira (24/3) em parceria com o Observatório do Clima e ClimaInfo.
O embaixador André Correa do Lago, presidente da COP30, também participou do evento e ambos os representantes concordaram que suas iniciativas são complementares, embora apresentem enfoques diferentes. “A diferença talvez esteja na abordagem. Nosso processo tem uma ênfase mais política e se concentra na coordenação entre os países. O processo da COP30 tem um componente mais estruturado e técnico, mais voltado para a construção de uma estrutura global”, explicou Torres.
A transição para o afastamento dos combustíveis fósseis foi um compromisso firmado por 196 países na COP28, realizada em 2023. Contudo, desde então, os signatários têm avançado lentamente, com muitos retrocedendo em suas promessas. A cúpula de Belém (PA), em novembro de 2022, deixou claro que a disposição política para abandonar petróleo, gás e carvão não é tão sólida quanto a gravidade dos eventos climáticos extremos exigiria.
Desafios da Guerra e a Transição Energética
A atual guerra entre os Estados Unidos e Israel e o Irã evidenciam como o preço do petróleo é suscetível a conflitos internacionais, o que aumenta os riscos para economias que dependem de importações. O que poderia servir como um estímulo para investimentos em energias renováveis, no entanto, acaba sendo ofuscado por medidas emergenciais voltadas a conter a inflação. “Precisamos garantir que teremos outra economia — produtiva e não extrativa”, ressaltou a ministra colombiana, mencionando que muitos países do Sul Global são grandes produtores de hidrocarbonetos.
Ela criticou diretamente as políticas de subsídio a combustíveis fósseis, que distorcem o mercado. “Hoje, vemos um sistema artificial que sustenta um modelo econômico altamente poluente”, lamentou. O Brasil, sob a gestão do governo Lula (PT), exemplifica essa situação ao implementar subsídios emergenciais para o diesel, na tentativa de controlar a inflação e os custos dos fretes, mesmo que isso beneficie o setor fóssil.
Reações e Propostas no Cenário Atual
As recentes decisões do governo brasileiro têm gerado insatisfação entre os setores de bioenergia e gás natural, que se sentem prejudicados pela distorção do mercado resultante. Os governadores estaduais, por sua vez, demonstraram resistência a uma proposta da União que visava reembolsar até 50% da desoneração temporária do ICMS de importação de diesel, enquanto a Fazenda apresentou uma nova sugestão de um programa de subvenção adicional para importadores.
Além disso, a Petrobras está se preparando para leilões de GLP, gerando preocupações sobre possíveis aumentos de preços, especialmente em um cenário internacional onde o GNL perdeu a sua reputação de “combustível acessível”. Especialistas alertam sobre uma possível escassez de ureia, o que pode impactar a produção global de alimentos, elevando ainda mais a urgência em diversificar as fontes energéticas.
O Ministério de Minas e Energia (MME) também está em processo de reestruturação, propondo a criação de um Departamento de Eletromobilidade, vinculado à Secretaria Nacional de Transição Energética e Planejamento. Uma iniciativa que pode contribuir para a modernização da matriz energética brasileira.
Por fim, em um contexto onde a inteligência artificial é vista com receio na indústria de óleo e gás, a diretora de Engenharia da Petrobras, Renata Baruzzi, defendeu que a IA pode ser uma aliada na transição energética, ajudando na viabilidade financeira das mudanças necessárias.
