Ver-o-Peso: um ícone da economia popular
Localizado em Belém, o Complexo do Ver-o-Peso, fundado em 1627, tornou-se um marco econômico e social, conectando a capital paraense ao mundo desde seus primórdios. Prestes a completar quatro séculos de existência, essa feira livre a céu aberto é reconhecida como a maior da América Latina e o principal entreposto de economia popular na Amazônia. Desde 1977, o espaço é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), consolidando sua importância cultural e histórica.
Recentemente, dados do Escritório Regional do DIEESE/PA revelaram que o Ver-o-Peso movimenta anualmente cerca de R$ 360 milhões, o que equivale a uma média de R$ 1 milhão por dia. Essa impressionante quantia reflete a complexidade das interações comerciais que ocorrem no local, indo além das simples transações de compra e venda. O complexo desempenha um papel vital ao articular cadeias produtivas que envolvem diversos municípios paraenses, assegurando a subsistência de milhares de famílias em um cenário econômico desafiador, marcado pela escassez de empregos formais.
O impacto do Ver-o-Peso na economia local
A força econômica do Ver-o-Peso, frequentemente chamado de “Veropa”, é sustentada por aproximadamente 3 mil trabalhadores diretos, incluindo permissionários e ambulantes. Diariamente, o complexo atrai um fluxo considerável de visitantes, que varia entre 15 mil e 20 mil pessoas, englobando tanto consumidores locais quanto turistas que vêm de diferentes partes do Brasil e do mundo. Em termos de mercadorias, o movimento é impressionante: a famosa Feira do Açaí, por exemplo, é responsável pela comercialização de entre 150 e 200 toneladas desse fruto diariamente, servindo como o principal abastecedor para mais de 10 mil batedores de açaí na Região Metropolitana de Belém.
No que diz respeito ao setor de proteínas, o Mercado de Ferro, também conhecido como Pedra do Peixe, movimenta de 80 a 120 toneladas de pescado a cada dia, especialmente durante períodos de alta demanda, como a Semana Santa. O Mercado de Carne Francisco Bolonha, por sua vez, vende cerca de 3 toneladas de cortes diversos diariamente, demonstrando a diversidade de produtos disponíveis no Ver-o-Peso.
Variedade de produtos e a rica cultura do Ver-o-Peso
Embora o setor de hortifrutigranjeiros seja distribuído em centenas de boxes, ele movimenta entre 40 e 60 toneladas de produtos diariamente. Esses alimentos são provenientes tanto do cinturão verde das ilhas ao redor de Belém quanto de outros estados, via Ceasa. Além de seu papel vital no abastecimento alimentar, o complexo é um bastião cultural e religioso, oferecendo uma variedade de setores dedicados a ervas medicinais, artigos de matriz africana, artesanato local e a renomada gastronomia típica da região.
O estudo também destacou a comercialização de produtos sazonais, como a maniva, que atinge picos de venda no segundo semestre, especialmente em função do Círio de Nazaré. Recentemente, o Ver-o-Peso passou por investimentos de R$ 63 milhões em requalificação urbana, buscando aprimorar sua infraestrutura e se preparar para a realização da COP 30. Tais melhorias visam não apenas modernizar o espaço, mas também garantir que o complexo continue a ser um símbolo significativo da identidade e da economia do povo paraense.
