Uma Experiência Única de Música e Arte
Em meio aos sons da floresta, batidas eletrônicas vibrantes e o ritmo contagiante da cumbia, um espetáculo singular toma forma. No próximo sábado (28), a cidade de Belém será palco da primeira apresentação do duo peruano Dengue Dengue Dengue. O show, que faz parte do projeto Amazônia Imersiva, ocorrerá na Casa das Onze Janelas e é gratuito, proporcionando uma oportunidade imperdível para os amantes da música e arte contemporânea.
Formado pelos talentosos produtores Rafael Pereira e Felipe Salmón, o Dengue Dengue Dengue é conhecido por sua habilidade em fundir ritmos latino-americanos com performances visuais marcantes. “Criamos nossa música pensando na pista de dança, buscando conectar as pessoas com os ritmos. Nosso objetivo é desafiar padrões e explorar sonoridades que dialoguem com nossas raízes culturais”, afirmam os artistas.
O nome da dupla carrega um simbolismo profundo, refletindo a riqueza de significados que o termo “dengue” possui. A palavra, além de remeter a um ritmo cubano criado por Enrique Lynch, é também uma gíria em Lima que expressa a ansiedade e a expectativa antes de eventos que proporcionam prazer, como festas. Para os músicos, a repetição do nome amplifica a energia festiva e ritualística que permeia suas apresentações.
Máscaras e Estética Audiovisual
Um dos elementos mais marcantes do projeto é a utilização de máscaras, inspiradas em festividades tradicionais do Peru. Essas máscaras são atualizadas a cada novo disco ou turnê, reforçando a dimensão audiovisual do duo. Desde o início, Dengue Dengue Dengue tem investido na concepção visual de seus shows e videoclipes: “Os vídeos são uma parte essencial do nosso projeto. Tudo é pensado desde o princípio, entre som e imagem”, explicam.
A diretora musical Aíla, que também é cantora e curadora, vê a chegada do duo em Belém como um marco simbólico. “A apresentação do Dengue Dengue Dengue estabelece uma conexão poderosa entre realidades musicais que já se reconhecem. O que se cria no Peru encontra em Belém um reflexo vibrante da música eletrônica que emerge das periferias, como o tecnobrega”, analisa.
Essa passagem do duo pela cidade acontece em um contexto de intercâmbio cultural. De um lado, temos a cena eletrônica latino-americana em constante evolução; do outro, a rica tapeçaria estética da Amazônia, que abraça desde o tecnobrega até experimentações visuais. O público, então, é convidado a dançar e explorar diferentes universos sonoros e visuais.
A Música como Experiência Sensorial
“Essa conexão é muito mais profunda do que parece: trata-se de uma música eletrônica que, em vez de negar suas raízes, as amplifica, incorporando saberes ancestrais a linguagens contemporâneas.” Aíla enfatiza que a proposta vai além da tecnologia. “Quando falamos em imersão, nos referimos a sentir a cidade e a floresta em várias camadas. A música se transforma em paisagem, em uma experiência sensorial e em uma narrativa viva”, complementa.
O Projeto Amazônia Imersiva
A apresentação do Dengue Dengue Dengue faz parte do projeto Amazônia Imersiva, um evento que ocupa a Casa das Onze Janelas com uma exposição de arte contemporânea amazônida. A mostra reúne cerca de 30 artistas e coletivos do Brasil e do exterior, dividindo a experiência em ambientes interativos com projeções em 360°, instalações sensoriais e obras que combinam som, imagem e tecnologia. O convite é para que o público “entre” nas criações apresentadas.
Roberta Carvalho, artista visual e curadora do projeto, destaca que esta iniciativa representa uma disputa de narrativas sobre a Amazônia. “Durante séculos, a região foi vista através de lentes de ausência e estereótipos. Agora, estamos projetando nossa presença, uma presença que se forja através da arte, das tecnologias que criamos e das ideias que cultivamos”, afirma.
O Amazônia Imersiva é promovido pelo Ministério da Cultura, através da Lei de Incentivo à Cultura, em parceria com o Nubank e o British Council, além de contar com o apoio da Secretaria de Cultura do Estado do Pará.
