Mobilização em Belém em Defesa dos Povos Indígenas
Na última terça-feira (31), uma mobilização intensa tomou as ruas em frente à Semas (Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará), em Belém. O ato, que reuniu diversas entidades sindicais, movimentos sociais e organizações políticas, teve como foco o apoio às mulheres indígenas do Médio Xingu, que lutam contra o polêmico projeto de mineração de ouro da empresa Belo Sun, previsto para a região da Volta Grande do Xingu.
Convocado pelo Comitê Metropolitano de Apoio ao Movimento de Mulheres Indígenas do Médio Xingu, o protesto buscou denotar os graves impactos socioambientais que o empreendimento pode gerar e exigiu a revogação da licença ambiental concedida pela Semas à mineradora canadense. O evento reflete uma crescente resistência à exploração de recursos naturais que afeta diretamente as comunidades indígenas.
Ocupação da Funai Já Dura 37 Dias
O ato acontece em um momento crítico, com mulheres indígenas ocupando a sede da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), em Altamira (PA), há 37 dias. Desde o início da ocupação em 23 de fevereiro, o movimento tem se fortalecido, atraindo a solidariedade de outros povos indígenas, como os Xikrin e os Parakanã, unidos na luta contra a mineração na região.
No dia anterior ao ato, as mulheres indígenas foram recebidas pelo prefeito de Altamira, Loredan Mello, onde entregaram suas reivindicações por escrito. Além disso, solicitaram apoio logístico, que inclui barracas, roupas, lençóis e alimentação. Essa conversa é vista como um passo importante, mas ainda insuficiente frente à magnitude das questões levantadas.
Além disso, no último sábado, as lideranças indígenas se reuniram com o governador do Pará, Helder Barbalho. Durante o encontro, as lideranças reiteraram sua posição contrária ao projeto da Belo Sun. De acordo com relatos, o governo estadual reconheceu a ilegalidade da licença ambiental, mas não apresentou soluções concretas para as exigências das lideranças indígenas, evitando um posicionamento categórico sobre a anulação da referida licença.
Os Riscos da Mineração na Região do Xingu
Os povos indígenas do Xingu alertam que a região já enfrenta sérios problemas ambientais decorrentes de grandes empreendimentos, como a usina de Belo Monte, e não suportariam mais um projeto de grande escala que comprometeria ainda mais seu território e maneira de viver. A falta de compromisso do governo atual em dar respostas efetivas às demandas das comunidades indígenas tem frustrado os movimentos sociais.
Frente à inércia do governo federal, que inclui o Ministério dos Povos Indígenas e a Funai, os manifestantes planejam uma ida a Brasília. O objetivo é pressionar as autoridades e ampliar a visibilidade de suas reivindicações, em uma tentativa de garantir que suas vozes sejam ouvidas em meio a promessas não cumpridas.
Ailson Cunha, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Belém, filiado à CSP-Conlutas, expressou seu apoio às lutadoras indígenas em seu pronunciamento durante o ato. Ele enfatizou que a resistência das mulheres indígenas é uma causa que deve ser abraçada por toda a classe trabalhadora.
“O projeto da Belo Sun é uma verdadeira ameaça aos nossos direitos, ao meio ambiente e aos territórios indígenas. Precisamos levar esse debate para as obras, conscientizando todos os trabalhadores sobre como essa luta é parte de um processo mais amplo de retirada de direitos”, destacou.
Ele também criticou a ausência de várias centrais sindicais na manifestação, o que, segundo ele, reflete uma escolha política que prioriza compromissos eleitorais em detrimento da luta real pela classe trabalhadora. “É decepcionante ver que muitos não estão aqui porque estão comprometidos com o governo, mas essa luta das mulheres indígenas é de todos nós. As centrais sindicais foram criadas para defender a classe trabalhadora e deveriam estar aqui para somar forças”, afirmou Ailson.
A CSP-Conlutas reafirma seu compromisso em apoiar a luta das mulheres indígenas do Médio Xingu e continua a exigir a saída da Belo Sun da região. A frase de ordem ecoou durante a mobilização: “Fora Belo Sun!”
