Aumento da Cesta Básica em Belém
O preço da cesta básica em Belém atingiu R$ 700,68 em março de 2026, conforme dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Esse valor representa um crescimento de quase 4% em relação a fevereiro, evidenciando que os custos dos alimentos continuam a pesar no orçamento das famílias. Ao longo do ano, a alta já acumula 5,12%, superando a inflação média do país.
Esse cenário alarmante revela que quase metade do salário mínimo é destinada exclusivamente à compra de itens alimentares essenciais. Em março, um trabalhador precisou alocar 46,73% da sua renda, o que equivale a aproximadamente 95 horas de trabalho, ou seja, mais de 11 dias apenas para garantir a cesta básica.
Produtos com Maiores Altas
Entre os alimentos analisados, sete itens apresentaram aumentos significativos. Os maiores destaques foram o feijão carioca, que subiu 21,48%, e o tomate, com alta de 15,50%. Esses itens são essenciais na mesa dos brasileiros. Também registraram aumentos a banana, carne, leite, manteiga e pão.
Por outro lado, alguns produtos tiveram valores reduzidos, como arroz, açúcar e óleo. No entanto, essas quedas não foram suficientes para compensar as altas gerais, fazendo com que o custo total da alimentação continuasse a subir.
Resumo dos Aumentos
– Feijão carioca: +21,48%
– Tomate: +15,50%
– Banana: +2,89%
– Carne bovina: +1,53%
– Leite integral: +0,66%
– Manteiga: +0,73%
– Pão francês: +0,36%
Desafios na Alimentação
A aposentada Ana Dias é uma das muitas pessoas que sentem essa pressão no dia a dia. Realizando compras semanais, ela percebe os aumentos de forma mais intensa. “O tomate ficou muito caro. Hoje está R$ 9,90 o quilo, enquanto há poucos dias eu consegui encontrar por R$ 6 ou R$ 8”, relata.
Ana também menciona o custo do leite: “Comprei por R$ 6,78. Está muito caro”. A empresária Maíra Riomar compartilha a mesma preocupação. “O queijo, por exemplo, teve um aumento de quase R$ 10 o quilo. Isso impacta diretamente na renda. Para quem vive do salário, não há como se manter com esses preços”, afirma.
Os profissionais do setor alimentício também estão preocupados. Bethânia Bressanim, cozinheira profissional, explica que os aumentos têm afetado especialmente itens essenciais. “O hortifruti está muito mais caro. Feijão, arroz, milho e carne subiram”, destaca. Para ela, as proteínas são as que trazem um impacto mais forte nas despesas. “Sinto uma diferença muito grande nos custos das proteínas”, completa.
Apesar de algumas quedas nos preços de determinados produtos, a sensação predominante é de que os valores continuam elevados. “Só em promoções relâmpago de supermercado dá para encontrar preços melhores. A média continua alta”, resume Ana Dias.
Quedas nos Preços
O levantamento do Dieese também aponta que alguns produtos, que tiveram períodos prolongados de alta, apresentaram queda de preços em março. O café é um deles.
– Açúcar cristal: -2,63%
– Óleo de soja: -1,79%
– Arroz agulhinha: -1,39%
– Café em pó: -1,06%
– Farinha de mandioca: -0,24%
Comparação com Outras Capitais
Vale destacar que o aumento no custo da cesta básica não é um problema exclusivo de Belém e nem mesmo o mais alarmante se comparado ao cenário nacional. Em março, todas as 27 capitais brasileiras relataram alta nos preços da cesta básica. As cidades que registraram os maiores aumentos foram Manaus, Salvador, Recife e Fortaleza.
– Manaus: +7,42%
– Salvador: +7,15%
– Recife: +6,97%
– Fortaleza: +5,04%
Ao analisarmos o panorama nacional, Belém aparece com um custo intermediário (R$ 700,68), ficando abaixo de capitais como São Paulo (R$ 883,94) e Rio de Janeiro (R$ 867,97).
