Transformando a Assistência em Acolhimento
Nos hospitais da rede pública do Pará, a ideia de que a saúde é apenas curar foi deixada para trás. Aqui, a assistência se transforma em cuidado, onde cada gesto conta. Seja um parabéns cantado dentro do quarto de um paciente, um colo que acalma um bebê prematuro ou uma horta que traz de volta o sentido dos dias para quem está internado, a humanização na saúde se torna uma prática diária. Isso impacta positivamente a experiência tanto de pacientes quanto de seus familiares e da equipe de profissionais de saúde, criando um ambiente de esperança e empatia.
A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) tem implementado iniciativas que garantem que o atendimento vá além da habilidade técnica, incluindo também o aspecto emocional e social. “O cuidado em saúde precisa enxergar o paciente de forma integral. Investir em humanização é garantir dignidade, acolhimento e respeito em todas as etapas da assistência. Nos hospitais da rede estadual, temos trabalhado para que cada pessoa atendida se sinta cuidada não apenas pelo tratamento, mas também pelo olhar sensível das nossas equipes”, afirmou o secretário de Estado de Saúde Pública, Ualame Machado.
Humanização que Mudam Vidas
No Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (HOIOL), referência no tratamento de câncer infantojuvenil, a rotina hospitalar é marcada por cores, música e afeto. Projetos como “Aniversário no Leito”, “Sino da Vitória”, “Sou Super-Herói” e o ateliê G.A.I.A. têm o poder de transformar momentos difíceis em experiências de acolhimento e esperança. Um exemplo claro disso é o de João Lucas, de apenas 9 anos, que celebrou seu aniversário durante o tratamento contra leucemia. “Eu gostei muito da festinha com meus personagens preferidos, fiquei muito feliz com as pessoas batendo parabéns pra mim”, compartilhou o menino, cuja mãe, Joelma Lima, não escondeu a emoção. “Só tenho a agradecer a Deus pelo milagre da vida e por esse carinho com meu filho. Proporcionar esse momento de alegria faz toda a diferença”, disse.
Outro caso inspirador é o de Ruan Alves, de 6 anos, que chegou ao hospital em estado grave devido à desnutrição e agora apresenta uma evolução significativa, acompanhado por uma equipe multiprofissional dentro do projeto “Certificado de Bravura”, que valoriza cada conquista do pequeno durante a recuperação.
Acolhimento Desde o Começo
A humanização na saúde também se estende à Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará (FSCMPA), onde as iniciativas começam antes mesmo do nascimento. A instituição é reconhecida por programas como o Método Canguru e a Casa da Gestante, Bebê e Puérpera, que proporcionam suporte integral para gestantes de alto risco e recém-nascidos. A Casa da Gestante, por exemplo, funciona como uma residência provisória, oferecendo um ambiente acolhedor e acompanhamento multiprofissional, o que evita internações desnecessárias e garante segurança às pacientes.
Rafaela Queiroz, de 28 anos, que está em acompanhamento após risco de parto prematuro, destacou a diferença no atendimento: “Eu vim cheia de medo, mas aqui é um espaço muito acolhedor. A gente recebe carinho o tempo todo. É impossível se sentir sozinha. Hoje eu me sinto em casa e muito mais confiante”. Já o Método Canguru fortalece o vínculo entre mãe e bebê através do contato pele a pele, o que favorece o desenvolvimento do recém-nascido e proporciona segurança emocional à família. A jovem Juliana de Jesus, mãe do pequeno Henry, que nasceu prematuro com 29 semanas, compartilhou: “Hoje eu me sinto segura. Aqui aprendi a cuidar dele, a entender cada necessidade. Esse cuidado não é só com o bebê, é com a gente também”.
Humanização na Recuperação e no Bem-Estar
No Hospital Geral de Tailândia (HGT), a conexão com a natureza também faz parte do processo de humanização. O projeto de horta orgânica, desenvolvido com pacientes, tem se mostrado eficaz na recuperação tanto física quanto emocional. Sebastião Santos, de 64 anos, internado há um mês, enfatizou a importância dessa iniciativa. “Eu gosto muito de vir aqui na horta. É um ambiente mais tranquilo, que ajuda a gente a se sentir melhor. Distrai a mente e muda a rotina”, conta. Além disso, a UTI neonatal conta com ações que promovem acolhimento às famílias, como relata Giliele da Silva, mãe de uma filha prematura. “Eu cheguei com medo, mas fui muito bem acolhida. Mesmo na UTI, conseguimos viver momentos de carinho. Isso faz toda a diferença”, afirmou.
Humanização na Urgência e Emergência
Até mesmo em contextos complexos como o Pronto-Socorro Dr. Roberto Macedo (PSRM), em Belém, a humanização é uma prioridade. Iniciativas como o uso de carrinhos lúdicos para transportar crianças ao centro cirúrgico e o projeto “Sextou na Pediatria” têm sido fundamentais para reduzir o estresse e o medo dos pequenos pacientes. Atividades como comemorações de aniversários e ações socioeducativas também ajudam a tornar o ambiente hospitalar mais acolhedor.
Ao unir tecnologia, assistência qualificada e sensibilidade, os hospitais da rede estadual do Pará demonstram que humanizar é cuidar por completo. Mais do que tratar doenças, essas iniciativas transformam experiências, fortalecendo vínculos e promovendo dignidade em cada atendimento oferecido.
