Clima de Insegurança Persiste Mesmo com Cessar-Fogo
Desde a última sexta-feira (17), muitos libaneses começaram a retornar para suas residências após a declaração de um cessar-fogo de dez dias, fruto de um acordo entre Israel e o grupo extremista Hezbollah. No entanto, o sentimento de insegurança ainda predomina entre a população, fazendo com que muitos hesitem em voltar para casa. “Não temos a intenção de retornar antes do prazo estabelecido. Muitas brasileiras, na verdade, voltarão apenas para verificar a situação da casa e realizar uma limpeza, antes de se refugiarem novamente”, relata Romilda, uma brasileira que reside no Líbano há mais de duas décadas. Para ela, a confiança na efetividade do cessar-fogo é praticamente nula.
Romilda é uma das mais de 1,2 milhão de pessoas que deixaram seus lares no Líbano desde o recomeço do conflito entre Israel e Hezbollah, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU). Ela vivia em Haret Hreik, um subúrbio no sul de Beirute, e foi forçada a fugir após os ataques israelenses que recomeçaram em 2 de março. Atualmente, a família se abriga em um prédio destinado a refugiados, próximo ao centro da capital.
Embora Romilda planeje visitar sua casa neste sábado (18), sua intenção é apenas temporária: “Estou com medo de voltar de vez”, confessa.
Violação do Cessar-Fogo e Orientações do Exército
No mesmo dia, o Exército libanês denunciou que Israel havia violado o cessar-fogo ao realizar ataques em vilarejos no sul do país. A informação foi corroborada por uma agência estatal libanesa, que destacou a gravidade das ações. Em um comunicado na noite de quinta-feira (16), o Exército do Líbano alertou a população para evitar o retorno a áreas afetadas, mesmo após o início da trégua.
“O comando do Exército solicita que a população aguarde antes de retornar às vilas e cidades do sul, considerando as violações do acordo. Foram registrados ataques israelenses e bombardeios esporádicos em várias localidades”, informou a instituição. A orientação de cautela foi reforçada pelo Exército de Israel, que anunciou que mantém suas tropas posicionadas no sul do país e recomendou que os moradores evitem se deslocar para áreas ao sul do rio Litani, uma região de aproximadamente 30 km que se estende até a fronteira com Israel.
Questões Geopolíticas e Incertezas no Acordo de Cessar-Fogo
A operação militar de Israel no sul do Líbano, iniciada em março contra o Hezbollah, tem gerado tensões adicionais. Forças israelenses destruíram pontes sobre o rio Litani e afirmaram que pretendem controlar a região, o que é classificado como uma invasão por autoridades libanesas, que veem as ações israelenses como uma violação de sua soberania. As incertezas em relação à trégua se tornaram evidentes antes mesmo de seu início. O Hezbollah condicionou o cumprimento do acordo à interrupção dos ataques israelenses, enquanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu enfatizou que o pacto não previa a retirada de tropas da região sul do Líbano.
Na sexta-feira (17), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que havia proibido Israel de realizar novos ataques ao Líbano. “Israel não bombardeará mais o Líbano. Eles estão PROIBIDOS de fazê-lo pelos EUA. Chega!”, publicou Trump em sua rede social Truth Social. Essa declaração adiciona uma camada de complexidade à situação já tensa na região.
A realidade no Líbano reflete uma incerteza generalizada, onde até mesmo o cessar-fogo é ameaçado por ações que contrariam seus termos, deixando a população em um estado constante de preocupação.
