Aumento da População em Situação de Rua em Belém
Embora haja diferenças nos dados apresentados por diversas fontes, Belém se destaca como o município com a maior concentração de pessoas em situação de rua no Pará. Recentemente, a Prefeitura de Belém estimou que cerca de 2,4 mil indivíduos vivem nessas condições na cidade, enquanto o Ministério Público Federal (MPF) sugere que o número pode alcançar até 3 mil. Um levantamento realizado pela Associação da População em Situação de Rua de Belém (APSBEL) entre 2023 e 2024 indicou que a cifra pode ser ainda mais alarmante, com quase 4 mil pessoas, incluindo os municípios vizinhos, Ananindeua e Marituba. Apesar das variações nos números, todos os dados convergem para um cenário crescente de vulnerabilidade social.
Essa situação pressiona os serviços públicos destinados a essa população, levando Reginaldo Castro, coordenador estadual do Movimento Nacional de Luta em Defesa da População em Situação de Rua (MNLDPSR), a afirmar que o aumento da população em situação de rua é uma evidência clara da ausência de políticas públicas efetivas. Um levantamento anterior ao evento COP, realizado entre 2023 e 2024, revelou que cerca de 4 mil pessoas vivem nas ruas da região metropolitana de Belém, com a metade desse total na capital.
Críticas às Políticas Públicas e Omissão do Poder Público
Para Adriano Mendes, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-PA, as falhas no atendimento à população em situação de rua são evidentes e incluem tanto a insuficiência das políticas implementadas quanto a demora em transformar diretrizes reconhecidas pela Constituição em ações concretas. Mendes destacou a necessidade de uma intervenção judicial, por meio da Ação Civil Pública nº 1028141-78.2023.4.01.3900, para forçar o município a adotar medidas básicas de acolhimento.
Além de destacar a precariedade das condições de acolhimento, que incluem falta de mobiliário e estrutura inadequada, ele apontou que a situação da população em situação de rua em Belém reflete um problema nacional, caracterizado por omissões do poder público e violações sistemáticas de direitos fundamentais. A ADPF 976, julgada pelo STF, confirmou esse diagnóstico ao apontar que as diretrizes para a proteção dos direitos dessa população precisam ser seguidas rigorosamente pelos governantes.
O Papel do MPF e Demandas Judiciais
Pelo lado do Ministério Público Federal, Sadi Machado falou sobre a inércia do governo municipal e da União em implementar políticas que atendam as necessidades da população em situação de rua, indicando que a prefeitura de Belém tem sido omissa na formulação e execução dessas políticas. A análise do MPF revela que o número de vagas de acolhimento na cidade caiu de 80 em 2014 para 40 atualmente, enquanto a população em situação de rua saltou dramaticamente, passando de 478 para mais de 2 mil.
Essa discrepância entre a oferta e a demanda é alarmante: com apenas 40 vagas disponíveis, menos de 5% da população estimada tem acesso a abrigo. A atuação do MPF se intensificou após a decisão do STF, que obrigou estados e municípios a seguir as diretrizes da Política Nacional para a População em Situação de Rua, mas a falta de comunicação e colaboração entre os diversos níveis de governo continua a ser uma barreira significativa.
A Situação Emergencial e as Políticas de Acolhimento
Recentemente, uma campanha institucional foi solicitada para combater a discriminação e promover os direitos da população em situação de rua, impulsionada por um trágico incidente onde um homem em situação de rua foi agredido com um dispositivo de eletrochoque. Essa campanha busca garantir que os direitos fundamentais de pessoas vulneráveis sejam respeitados e que a conscientização sobre essa questão seja ampliada.
Reginaldo Castro, do MNLDPSR, enfatizou que a crise da população em situação de rua em Belém é exacerbada por um quadro de aporofobia, refletindo uma rejeição social a pessoas em situações de vulnerabilidade. Ele afirmou que, embora a capital seja um atrativo para essa população devido às oportunidades de emprego, as políticas públicas ainda são insuficientes e reativas, muitas vezes exigindo intervenções judiciais para garantir direitos básicos.
Desafios e Perspectivas Futuras
O cenário atual exige mais do que soluções emergenciais; ele pede uma abordagem estruturada e permanente, focada em direitos humanos e dignidade. O MPF e outras instituições estão pressionando para que o governo elabore uma campanha de conscientização, mas o estado e o município precisam demonstrar um comprometimento real em enfrentar essa crise. As críticas à omissão do poder público, à precariedade dos serviços e à falta de uma resposta eficaz são fundamentais para que a situação da população em situação de rua em Belém comece a mudar.
