Uma Celebração Musical
A renomada banda paraense Baixo Calão celebra suas três décadas de carreira com um show especial neste sábado, dia 2, a partir das 18h, no Studio Pub, em Belém. O evento contará com a participação de bandas convidadas como Kamboia, Sisa e Rancor. Além de uma apresentação emocionante, a noite será filmada e dará origem a um documentário biográfico, com lançamento previsto para o final deste ano nas plataformas digitais.
Formada em 1996 por Leandro Porko e seu irmão, a Baixo Calão emergiu da periferia belenense, especificamente do Conjunto Maguari. Desde então, a banda lançou três álbuns completos e diversos splits, colaborando com grupos da América Latina e da Europa durante suas turnês.
O primeiro EP, “Homo Postumus”, lançado em 2002 de forma independente, foi um marco na transição para o estilo grindcore e abriu portas para novas gravações. Demos, EPs e, finalmente, um álbum completo em 2010, levaram a banda à Europa em 2012. Com letras em português que abordam angústias e questões sociais, o grupo mantém uma estética consistente há três décadas, posicionando-se frente ao cenário político e denunciando injustiças sociais.
Reflexões Sobre a Trajetória
William Gomes, baterista e o membro mais antigo da banda, ressaltou a importância da comemoração: “São 30 anos de resistência naquilo que nos propusemos a fazer. Esta é uma data muito significativa que relembra nossas vivências e as pessoas que fizeram parte da nossa história, incluindo a saudosa vocalista Monise”, declarou.
O documentário, que terá direção de Alexandre Nogueira, não se limitará a uma linha do tempo da banda, mas também explorará aspectos antropológicos e sociais da trajetória de grupos underground. “Queremos mostrar a realidade de uma banda que, ao longo de 30 anos, passou do punk hardcore para conquistar relevância e reunir público em nossos shows”, explicou William, enfatizando a importância das dificuldades enfrentadas e das perdas ao longo do caminho.
A Conexão com o Público
Leandro Porko, vocalista e fundador, destacou a conexão única que a banda tem com seu público: “A música é uma forma de identificação, tanto nas letras quanto na energia que criamos no palco. Nos shows, sempre promovemos uma catarse, um verdadeiro ato compartilhado com o público”, afirmou.
Refletindo sobre os 30 anos de estrada, Leandro ponderou sobre a ausência de uma expectativa de longo prazo: “A banda nunca focou em temporalidades. Sempre estivemos centrados no presente, sem criar expectativas sobre o que viria a seguir, como a turnê na Europa ou a colaboração com a banda finlandesa Rotten Sound”, lembrou.
Em relação à vida da banda, ele reafirmou que o Baixo Calão sempre coexistiu com os afazeres pessoais dos integrantes: “Não tínhamos o sonho de viver exclusivamente da música, e isso, de certa forma, sustentou nossa jornada por 30 anos”, comentou.
Desafios da Década de 1990
William recordou as dificuldades que marcaram a década de 1990, especialmente no que diz respeito à estrutura e logística da cena musical em Belém. “Naquela época, as bandas que se destacavam vinham do centro da cidade, e nós éramos vistos como parte de um círculo fechado. Além disso, a falta de acesso a materiais e equipamentos adequados tornou desafiador o nosso caminho”, relembrou, explicando que a solução foi abraçar o modelo ‘faça você mesmo’.
A forte amizade entre William e Leandro impulsionou a cena do rock na periferia, estendendo-se até Marituba, onde os dois grupos, Baixo Calão e Democida, começaram a promover seus próprios shows. “Apesar de estilos diferentes, nós rompemos as barreiras musicais e criamos um ambiente colaborativo, onde as bandas se uniam para realizar eventos”, acrescentou.
