Um Novo Marco Cultural em Belém
Belém, no estado do Pará, ganha um novo destaque arquitetônico e cultural com a inauguração do Museu das Amazônias. Este projeto inovador transforma um antigo armazém portuário em um espaço contemporâneo dedicado à arte, ciência e experiências imersivas. Sob a responsabilidade dos escritórios Guá Arquitetura e be.bo. Arquitetos, a iniciativa centra-se no reaproveitamento da estrutura metálica original, estabelecendo um elo entre o passado industrial da cidade e novas formas de ocupação urbana.
O arquiteto Pablo do Vale, da be.bo. Arquitetos, destaca que a estrutura metálica foi vista como mais que um simples vestígio do passado: “Ela se tornou fundamental na transição do imóvel para um espaço cultural moderno”, explica.
Reinterpretação do Espaço Industrial
O edifício já possuía características que facilitaram sua adaptação, como grandes vãos e pé-direito elevado, típicos de galpões industriais em aço. Esses elementos foram reinterpretados para comportar exposições, percursos imersivos e áreas de convivência. O arquiteto Luís Guedes, também responsável pelo projeto, comenta sobre a flexibilidade que o sistema industrializado em aço proporciona: “Essa estrutura permite uma ampla utilização do espaço e uma variedade de vãos”.
A decisão de manter a estrutura aparente reforça a narrativa de transição entre o passado e o novo uso cultural, permitindo uma leitura mais profunda sobre a Amazônia. O projeto propõe uma abordagem que vai além das visões simplistas, apresentando a região como uma combinação de natureza, técnica, cultura e urbanidade. “A história da Amazônia está intrinsecamente ligada ao aço”, destaca Do Vale, referindo-se ao papel do material na formação da paisagem portuária e urbana de Belém.
Espaço Dinâmico e Sustentável
Com uma área construída de 13.309 m² distribuídos em dois níveis, o Museu das Amazônias foi projetado para ser um espaço dinâmico, adaptável a diferentes formatos expositivos ao longo do tempo. A estrutura metálica permite reorganizações internas com liberdade, além de facilitar a integração de novas tecnologias e a atualização constante dos conteúdos exibidos.
A adaptação do armazém envolveu a implementação de sistemas de climatização, iluminação especializada, acessibilidade e infraestrutura tecnológica, resultando em um processo de retrofit complexo. Segundo os arquitetos, o uso do aço foi decisivo para executar essas modificações sem comprometer a clareza espacial do edifício. “A lógica da construção em aço facilitou essa transformação, permitindo reforços e adaptações sem perder a legibilidade arquitetônica”, acrescenta Do Vale.
Iniciativas Sustentáveis e Impacto Ambiental
O projeto também prioriza a sustentabilidade, modernizando a cobertura com telhas metálicas e instalando painéis fotovoltaicos, o que eleva o desempenho ambiental da construção. Essa abordagem está alinhada a uma tendência crescente na arquitetura contemporânea que busca requalificar estruturas já existentes, minimizando o impacto ambiental e aumentando a eficiência energética. Essa discussão ganhou ainda mais relevância com a agenda climática global e eventos realizados na região.
O Museu das Amazônias é aclamado pelo Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA) como um exemplo do potencial do aço na requalificação urbana, oferecendo flexibilidade de uso, precisão na execução e minimizando desperdícios. Reutilizar uma estrutura existente e adaptá-la para novas demandas é uma prova de como a construção industrializada em aço pode preservar a memória enquanto abre novas possibilidades urbanas.
Sobre o CBCA
O Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA) é uma entidade criada em 2002, com a missão de aumentar a participação da construção industrializada em aço no mercado nacional, promovendo ações de divulgação, capacitação e desenvolvimento tecnológico.
Ficha Técnica
- Projeto Arquitetônico/Arquiteto Responsável: Guá Arquitetura, be.bo., Bel Lobo, Pablo do Vale e Luís Guedes;
- Empresa Responsável pelo Projeto da Estrutura em Aço: RCM Construtora;
- Execução da Obra: 3DM Engenharia;
- Área Construída: 13.309 m²;
- Conclusão da Obra: 2025;
- Local: Belém, PA.
