Teste Genético Acessível pelo SUS
O Sistema Único de Saúde (SUS) dará um importante passo em direção à medicina de precisão ao passar a oferecer testes genéticos para detecção de câncer de mama. A tecnologia em questão é o sequenciamento de nova geração (NGS), que identifica mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, associadas a um risco aumentado para câncer de mama e ovário. Essa avaliação não apenas permite descobrir se o tumor é de origem hereditária, mas também pode modificar o tratamento da paciente e as estratégias de prevenção para seus familiares.
Conforme a portaria divulgada, o SUS deverá iniciar a oferta desse teste na rede pública em até 180 dias. Essa notícia é especialmente relevante, uma vez que exames dessa natureza estavam, até então, restritos principalmente às instituições privadas, onde os custos podem alcançar valores exorbitantes.
Identificando Riscos Genéticos
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O teste será utilizado especificamente para a “identificação de mutação nos genes BRCA1/2 em mulheres com câncer de mama”. Estudos demonstram que essas mutações estão entre as alterações hereditárias mais frequentes associadas à doença. Mulheres portadoras dessas variantes têm um risco significativamente elevado de desenvolver câncer ao longo da vida. Além de influenciar o risco futuro, a detecção dessas mutações afeta diretamente o tratamento de pacientes já diagnosticadas com a doença.
Pacientes que apresentam alterações nos genes BRCA podem ter acesso a medicamentos conhecidos como inibidores de PARP. Estas terapias-alvo são desenvolvidas para atuar em tumores que possuem esse perfil genético. Sem a realização do teste, muitas vezes, essa chance de tratamento pode passar despercebida.
Impacto Familiar e Prevenção
Os resultados do exame têm implicações que vão além da paciente diagnosticada. As mutações podem ser transmitidas geneticamente, o que significa que a identificação de uma alteração pode levar os familiares a descobrirem que também estão sob risco, mesmo antes do surgimento de qualquer tumor. Uma reportagem recente destacou que, em um dos maiores estudos genômicos sobre câncer realizados no Brasil, um em cada 10 pacientes analisados apresentava mutações hereditárias associadas ao câncer. Entre os familiares que aceitaram participar do teste, a taxa de mutações identificadas atingiu quase 40%, mesmo sem um diagnóstico de câncer.
O estudo indica que o reconhecimento dessas mutações antes do desenvolvimento do câncer proporciona a oportunidade de implementar medidas preventivas. Isso pode incluir ressonâncias magnéticas anualmente, colonoscopias mais precoces e, em casos específicos, cirurgias profiláticas.
Desafios na Oncogenética no Brasil
Apesar desse avanço significativo, especialistas alertam que a estrutura de oncogenética no SUS ainda está muito concentrada em poucos centros especializados, o que pode limitar o acesso a essa tecnologia inovadora. A pesquisa do Mapa Genoma Brasil, coordenada pelo Hospital BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, revelou que o Brasil conta com menos de 500 geneticistas clínicos para atender uma população superior a 200 milhões de habitantes.
O investimento em infraestrutura e no treinamento de profissionais é essencial para garantir que esses testes genéticos sejam disponibilizados de forma ampla e eficaz, permitindo que mais pacientes se beneficiem dessa importante ferramenta de diagnóstico e tratamento. Sem dúvida, a incorporação dos testes genéticos pelo SUS é um passo significativo rumo a uma abordagem mais personalizada no tratamento do câncer de mama.
