Alta significativa nos preços dos ingredientes tradicionais
Os ingredientes básicos para preparar as comidas típicas das festas juninas tiveram reajustes expressivos em 2026 na Região Metropolitana de Belém. Pesquisa divulgada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos do Pará (Dieese/PA) nesta sexta-feira (22) revela que os aumentos superam a inflação acumulada de 4,39% dos últimos 12 meses, refletindo uma elevação considerável nos custos para produção das iguarias consumidas durante a Quadra Junina.
Com a proximidade de junho, período marcado por quadrilhas, bois-bumbás e a comercialização intensa de pratos típicos, cresce também a demanda por ingredientes usados em mingaus, bolos, pamonhas, canjicas e outras delícias vendidas em feiras e supermercados de Belém e região. O levantamento do Dieese/PA, realizado entre 18 e 21 de maio, avaliou os preços dos produtos in natura nas principais redes da cidade, com o intuito de acompanhar as variações dos insumos essenciais para as festividades juninas.
Reajustes acima da inflação oficial
Dentre os produtos pesquisados, a canjiquinha Mariza foi a que apresentou maior alta, com aumento de 15,66%, passando de R$ 4,80 para R$ 5,55. Em seguida, aparecem o coco ralado Sococo, que subiu 14,18% e o leite de coco Sococo, com reajuste de 8,49%. Outros ingredientes como leite condensado Nestlé e canela em pó Real também tiveram altas expressivas, acima da inflação oficial de 4,39% registrada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE, com 6,93% e 6,22%, respectivamente.
Por outro lado, produtos como azeite de dendê Real, amendoim in natura Real, fubá de arroz Mariza, milho branco para pipoca e para mingau apresentaram reajustes mais modestos, variando entre 0,78% e 2,87%. Esse cenário reflete o impacto direto no custo para quem produz e consome as comidas típicas durante o período junino.
Consequências para o consumidor e tradição local
O Dieese/PA alerta que o aumento nos preços dos ingredientes essenciais deve encarecer o valor final das comidas vendidas nas festas juninas, pressionando ainda mais o orçamento das famílias paraenses. Além dos produtos pesquisados, o órgão identificou que itens usados na culinária regional, como goma e farinha de tapioca, camarão, maniva e jambu, também sofreram reajustes superiores à inflação, reforçando o impacto nos gastos da população.
Outro ponto importante destacado pelo estudo é a variação de preços entre marcas e estabelecimentos, que pode ultrapassar 15%. Essa diferença reforça a necessidade da pesquisa de preços como estratégia para minimizar os custos durante as festividades.
Vivência das famílias paraenses frente aos aumentos
Renata Loureiro, autônoma, mantém a tradição de preparar mingau no dia de Santo Antônio para vizinhos e familiares como forma de cumprir promessa. Apesar dos custos elevados para os insumos, ela afirma que o preço dos ingredientes não mudou significativamente este ano, embora sempre busque produtos com melhor custo-benefício para equilibrar as despesas.
Para a aposentada Jussara Marques, que reúne a família para preparar bolos e mingau nas festas juninas, os gastos chegam a cerca de R$ 300, mesmo em encontros com aproximadamente 10 pessoas. Jussara destaca que a alta de preços nessa época é comum e faz parte da sazonalidade das festas, o que impacta diretamente no planejamento financeiro de quem organiza esses eventos tradicionais.
Tabela de preços dos ingredientes juninos em Belém (2026)
• Canjiquinha Mariza (200g): R$ 5,55 — alta de 15,66%;
• Coco ralado Sococo (100g): R$ 8,65 — alta de 14,18%;
• Leite de coco Sococo (500 ml): R$ 21,75 — alta de 8,49%;
• Leite condensado Nestlé (395g): R$ 12,28 — alta de 6,93%;
• Canela em pó Real (30g): R$ 3,53 — alta de 6,22%;
• Azeite de dendê Real (200 ml): R$ 5,60 — alta de 2,87%;
• Amendoim Real (500g): R$ 11,96 — alta de 2,03%;
• Fubá de arroz Mariza (400g): R$ 4,71 — alta de 1,73%;
• Milho para pipoca Real (500g): R$ 5,66 — alta de 1,62%;
• Milho para mingau Real (500g): R$ 6,96 — alta de 0,78%.
Esses dados evidenciam o impacto real nos custos para a produção das comidas típicas que marcam as celebrações juninas em Belém, influenciando desde o preparo doméstico até a comercialização em feiras e estabelecimentos locais.
O aumento nos preços dos ingredientes essenciais para as festividades traz consequências diretas para o bolso das famílias e para a dinâmica econômica regional, refletindo tanto na renda familiar quanto no comércio local.
