Mubenco: Arte Urbana que Transforma o Benguí
O bairro do Benguí, em Belém, ganha uma nova paisagem cultural com a inauguração do Mubenco — Museu Bengola em Cores de Graffiti. O museu a céu aberto, lançado em 7 de maio, apresenta sete murais permanentes distribuídos nos conjuntos Xavante I, II e III, transformando as paredes da comunidade em uma galeria pública de arte contemporânea. A iniciativa reúne artistas do Pará e do Maranhão, que imprimem suas linguagens no graffiti, uma expressão que dialoga com a ancestralidade, a cultura hip-hop e as vivências periféricas.
Festival Bengola em Cores: Cultura e Memória no Espaço Público
A inauguração do museu acontece dentro do Festival Bengola em Cores — Traços Cabanos, que ocupou a Praça Nossa Senhora das Vitórias com uma programação gratuita. O evento contemplou desde feiras criativas e batalhas de graffiti até sarau, apresentações musicais e literatura periférica. O festival reflete o diálogo entre a memória histórica da Cabanagem e as lutas atuais dos moradores do Benguí, conectando passado e presente em expressões culturais urbanas.
Curadores da Tinta Preta Produções, WBS Barros e Mina Ribeirinha, destacam que o Mubenco é um marco para a arte urbana no Pará. “O museu não só preserva e valoriza a produção local, mas também democratiza o acesso à arte e fortalece a cena cultural, transformando o Benguí em referência para a arte urbana amazônica”, ressaltam.
Processo Coletivo e Participativo na Construção do Museu
A criação do Mubenco é fruto de um trabalho colaborativo que envolveu artistas, lideranças comunitárias e moradores desde 2016. O projeto foi pensado para garantir que as intervenções dialogassem com o território e suas histórias, respeitando o sentimento de pertencimento local. A participação ativa da comunidade foi fundamental para o planejamento das atividades, definição dos espaços e mobilização dos envolvidos.
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Fonte: amapainforma.com.br
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Fonte: daquibahia.com.br
A programação do festival buscou reunir diversas expressões da cultura urbana, ampliando o acesso e o intercâmbio entre artistas, coletivos e público. “Queremos que o evento seja um espaço de convivência que abarque desde a arte visual do graffiti até a música, literatura e empreendedorismo criativo”, explicam os curadores.
Cultura Urbana como Ferramenta de Transformação Social
O Mubenco é resultado do projeto Bengola em Cores, promovido pelo coletivo Tinta Preta Produções, que atua há anos com intervenções artísticas e ações culturais no bairro. Para o coletivo, a cultura urbana tem um papel vital no fortalecimento comunitário e na transformação social. “O graffiti ressignifica a paisagem urbana e conta histórias que muitas vezes ficam fora dos meios tradicionais”, comenta a curadora Mina Ribeirinha.
Com o tempo, o projeto ajudou a fortalecer a identidade cultural local, envolvendo jovens e valorizando espaços públicos. “Vimos surgir novos artistas e o reconhecimento do Benguí como polo de arte urbana em Belém, o que demonstra o impacto cultural e social da iniciativa”, complementa WBS Barros.
Políticas Públicas e Apoio à Cultura Periférica
A viabilização do Mubenco contou com recursos da Política Nacional Aldir Blanc, por meio do Edital de Fomento à Criação: Cultura Urbana e Periférica, do Ministério da Cultura e do Governo Federal. Segundo os curadores, esse apoio foi essencial para contratar profissionais, adquirir materiais e remunerar os artistas, fortalecendo toda a cadeia produtiva cultural do território.
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Fonte: novaimperatriz.com.br
Aline Vieira, coordenadora de comunicação do Comitê de Cultura no Pará, avalia o projeto como estratégico para a democratização da cultura em Belém. “O Mubenco transforma o Benguí em um equipamento cultural a céu aberto, reforçando a potência das periferias amazônicas como espaços de criação e memória”, afirma.
Periferia como Espaço de Inovação e Protagonismo Cultural
O Comitê de Cultura do Pará já iniciou diálogo com o Bengola em Cores para ações futuras, especialmente voltadas ao movimento Hip-Hop e juventudes periféricas. Aline destaca que a iniciativa fortalece a autoestima coletiva, combate estigmas e movimenta a economia criativa local. “Projetos como o Mubenco mostram que a periferia é lugar de produção artística, inovação e protagonismo cultural”, conclui.
Programação Cultural Gratuita para Toda a Comunidade
Além da inauguração dos murais, o Festival Bengola em Cores ofereceu uma programação diversa e gratuita. Começando às 15h com feira criativa, seguiu com apresentações do Grupo Paranativo, batalha de graffiti ao vivo, sarau com manifestações culturais afro e periféricas, além de shows com DJ Daniel Moraes, a rapper paraense Bruna BG e o cantor Lima Neto.
Essa ocupação artística e cultural no espaço público reforça o papel da cultura urbana como agente de transformação e valorização das periferias em Belém, ampliando o acesso e fortalecendo os vínculos comunitários.
