Pará lidera recuperação da superfície de água em 2025
Em 2025, os rios do Pará mostraram sinais claros de recuperação após dois anos de seca intensa que afetaram a Amazônia. Dados divulgados pelo MapBiomas indicam que o estado alcançou um acréscimo de 142 mil hectares (ha) na superfície de água, um crescimento que o coloca à frente dos demais estados brasileiros nesse quesito. Essa expansão reflete o aumento do volume em rios, lagos e áreas alagadas na região, fechando o ano com um total de 11,5 milhões de hectares de superfície de água, o que representa 2,6% acima da média histórica dos últimos 40 anos.
Contexto nacional e regional da recuperação hídrica
Embora o Pará tenha registrado a maior recuperação, outros estados também tiveram ganhos importantes: Goiás com 91 mil hectares e Amazonas com 87 mil hectares. Em contrapartida, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso enfrentaram perdas significativas, com reduções de 527 mil hectares e 336 mil hectares, respectivamente, principalmente devido à seca que impactou o Pantanal. No panorama nacional, entretanto, a situação permanece preocupante: o Brasil perdeu 2,6 milhões de hectares de superfície de água entre 1985 e 2024, uma área equivalente quase ao tamanho do estado de Alagoas.
Importância dos rios para a Amazônia e além
A Amazônia abriga 61,4% de toda a superfície de água do Brasil, sendo grande parte concentrada nos rios que cortam o Pará. O rio Amazonas, o maior deles, sozinho representa quase 20% da água superficial do bioma, com 2,25 milhões de hectares. Outros rios importantes no estado incluem o Tocantins, com 880 mil hectares, o Xingu, com 356 mil, e o Trombetas, com 169 mil hectares. Ao todo, os 12 principais rios da Amazônia reúnem 58% da água mapeada na região, influenciando diretamente a vida de milhares de comunidades localizadas a até 50 km desses cursos d’água. As variações no nível dos rios impactam a navegação, a pesca e o clima regional, afetando inclusive a umidade que sustenta as chuvas e as lavouras no Centro-Sul do país.
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Recuperação ainda desigual e riscos futuros
Apesar dos avanços, 37% das sub-bacias amazônicas apresentaram níveis inferiores à média histórica em 2025, reforçando a instabilidade no regime hídrico da região. Bruno Ferreira, pesquisador do MapBiomas e do Imazon, alerta para a crescente frequência de eventos climáticos extremos e para as transformações causadas pelas mudanças climáticas e pelo uso do solo, que ameaçam a estabilidade hídrica no longo prazo. Além disso, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) prevê mais de 80% de chance de um novo fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026, o que pode reduzir novamente os níveis dos rios e reverter o atual cenário de recuperação.
Panorama nacional e perspectivas climáticas
Embora 2025 tenha trazido um alívio para a Amazônia, a tendência de redução da superfície de água no Brasil persiste. Juliano Schirmbeck, coordenador técnico do MapBiomas Água, destaca que o parâmetro é dinâmico, mas que a perda acumulada nas últimas quatro décadas ainda é significativa. A seca dos últimos anos coincidiu com o El Niño, que reduz as chuvas no norte e leste da Amazônia. O retorno das chuvas em 2025 contribuiu para a recuperação, mas as projeções do Centro Europeu de Previsões de Tempo de Médio Prazo (ECMWF) apontam para um El Niño possivelmente recorde em 2026, com anomalias térmicas acima de 2°C no Pacífico, o que pode comprometer a estabilidade hídrica da região novamente.
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Fonte: atividadenews.com.br
O déficit de precipitação previsto para as bacias amazônicas deverá influenciar diretamente a redução dos níveis fluviais, segundo nota técnica do INPE, afetando não apenas o período seco, mas também o ciclo hídrico ao longo das bacias. Dessa forma, a recuperação observada em 2025 pode ser temporária, reforçando a necessidade de monitoramento contínuo e políticas públicas que considerem os impactos climáticos e socioambientais na região.
