Agência do Banco do Brasil em Belém conecta finanças e bioeconomia
Belém é um cenário rico em elementos que remetem à bioeconomia, desde a paisagem da baía do Guamá até a vegetação que cobre mais da metade do território. A cidade também abriga instituições científicas centenárias e é conhecida pelo mercado Ver o Peso, onde o açaí é um destaque regional. Após a COP30, Belém ganhou novos marcos amazônicos, como parques e edificações arquitetônicas, porém, uma agência do Banco do Brasil, localizada próxima à Estação das Docas, no bairro do Umarizal, chama atenção por traduzir o papel das finanças na sociobiodiversidade da região.
O projeto da agência foi pensado para promover a interação direta com clientes, combinando salas de gerentes e espaços para atendimento digital. No centro do prédio, o saguão foi transformado em uma verdadeira praça, reunindo uma sorveteria com sabores de frutos amazônicos e lojas que celebram a bioeconomia local. Entre elas está a Seringô, uma startup que moderniza o uso da borracha, um produto histórico da economia regional. A empresa trabalha com comunidades extrativistas que fornecem o látex utilizado na fabricação de tênis, sandálias e acessórios expostos na vitrine da agência.
Seringô: inovação na borracha amazônica com impacto social
Lauro Samonek, líder da Seringô ao lado do pai Francisco Samonek, destaca que o espaço na agência do Banco do Brasil representa o momento atual da bioeconomia no Pará. Francisco, que chegou à Amazônia nos anos 1980 para plantar seringueiras com incentivos federais, tornou-se especialista em inovações com borracha nativa. A fábrica da Seringô, localizada em Castanhal (PA), pode produzir até 3 mil pares de calçados mensais e compra matéria-prima de aproximadamente 1,5 mil famílias a preços cinco vezes maiores que os do mercado.
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Além do apoio da Fundação Banco do Brasil em tecnologia social, o projeto faz parte do programa Marajó Sustentável, do governo do Pará, que oferece treinamento para comunidades do arquipélago. Lauro reforça que a sustentabilidade não deve ser vista como obstáculo para a produção e espera viabilizar financiamento para automação industrial. Os calçados contam com 30% de fibras de caroço de açaí em sua composição, além do látex.
Rastreabilidade e parcerias globais para fortalecer a bioeconomia
Os produtos da Seringô são totalmente rastreáveis, permitindo a verificação da origem e do impacto da cadeia produtiva. Essa tecnologia foi desenvolvida em colaboração com a suíça SICPA, empresa responsável pela segurança de papel moeda em diversos países. Lauro Samonek indica que a empresa está aberta a parcerias com fabricantes globais, buscando ampliar o alcance e a inovação dos produtos.
A loja instalada na agência do Banco do Brasil também simboliza uma mudança nas estratégias de financiamento da bioeconomia. Henrique Vasconcellos, gerente executivo de negócios e soluções ASG do banco, aponta que o Estado do Pará intensifica seu papel na agenda de crédito para a Amazônia. O Banco do Brasil criou um hub financeiro regional para mapear estruturas produtivas e conectar as comunidades locais com recursos financeiros adaptados às suas realidades.
Em 2025, os fóruns de ativação de crédito promovidos pelo banco atenderam 2 mil pessoas e 170 negócios comunitários no Pará, reforçando o compromisso com o desenvolvimento sustentável e a bioeconomia na região.
