Férias de julho movimentam economia paraense com foco em alimentação e turismo
Julho promete ser um mês de intensa movimentação econômica no Pará, especialmente no setor de Serviços, que desponta como um dos mais aquecidos pela demanda imediata. O segmento de alimentação fora do lar, que inclui bares, restaurantes e barracas de praia, será o principal destino do dinheiro extra para quase metade dos consumidores paraenses, segundo pesquisa do Sindicato dos Hotéis, Bares e Similares em parceria com a Federação do Comércio de Bens, de Serviços e de Turismo do Pará (Fecomércio).
Para conter gastos durante o veraneio em julho de 2026, as famílias planejam estratégias específicas: 43,5% ficarão em casas de conhecidos, 34,7% prepararão suas próprias refeições no destino, 34,7% levarão mantimentos adquiridos previamente, e 33,9% reduzirão o tempo da viagem. Apenas 9,7% não pretendem cortar despesas, revela o levantamento online realizado pela Fecomércio e seu Conselho Empresarial de Turismo (Cetur) entre os dias 23 e 25 de junho.
Otimismo moderado prevalece apesar das restrições orçamentárias
O presidente da Fecomércio, Sebastião Campos, ressalta que a expectativa para a temporada é de otimismo moderado aliado a alta circulação local. “Embora a conjuntura econômica imponha limitações, evidenciadas pelo fato de que mais de um terço dos não-viajantes cita orçamento apertado e mais de um terço dos viajantes planeja gastar menos que no ano passado, o paraense não abrirá mão do lazer”, afirmou.
A assessora econômica da Fecomércio, Lúcia Lisboa, destaca que a intenção de mais da metade dos viajantes em realizar viagens superiores a 15 dias para destinos como Mosqueiro, Salinas, Marajó e Bragança garante um fluxo intenso de pessoas e capital social no interior do estado. “Julho é, sem dúvidas, o mês mais importante para o turismo no interior”, acrescenta Fernando Soares, assessor jurídico do Sindicato dos Hotéis, Bares e Similares.
Setor de alimentação fora do lar busca equilíbrio entre demanda e preços
Com a procura por hotéis e pousadas em alta, o segmento de alimentação fora do lar espera um dos melhores resultados da temporada. Fernando Soares alerta para a necessidade de manter preços acessíveis ao público, pois há muitas reclamações sobre valores elevados. Entre os balneários mais procurados estão Salinas, Marudá, Marapanim e Alter do Chão, este último com crescente atração turística.
O presidente da Abrasel Pará, Rafael Menezes, também se mostra otimista. Ele destaca que municípios com vocação turística para praias oceânicas, fluviais e ilhas, como Salinópolis, Algodoal, Marajó e Alter do Chão, costumam registrar aumento significativo de visitantes em julho, o que impacta diretamente a gastronomia local. Menezes observa ainda que tanto estabelecimentos consolidados quanto novos negócios aproveitam esta janela de alta temporada para reforçar cardápios e estrutura, gerando emprego temporário e fortalecendo a economia regional.
Destinos turísticos populares e perfil dos veranistas paraenses
As cidades com praias e balneários lideram as intenções de viagem, com hotéis e pousadas sendo a preferência de 36,4% dos veranistas, seguidos pelo aluguel por temporada (13,6%). A busca antecipada por hospedagem é explicada pela intenção de 51,7% dos turistas em permanecer por mais de 15 dias, garantindo alta ocupação em locais como Mosqueiro e Salinas.
Entre os destinos locais, Mosqueiro aparece com 17,7% da preferência, seguida por Salinas (17,3%), Marajó (7,8%), Ajuruteua/Bragança (7,4%), Santarém/Alter do Chão (6,4%) e a ilha de Cotijuba (6,0%). Viagens para outras regiões do Brasil somam 4,2%, enquanto destinos internacionais representam 8,8% das intenções.
O Ceará lidera entre os estados brasileiros mais procurados (35,3%), seguido por São Paulo (19,6%), Santa Catarina e Rio de Janeiro (ambos com 7,8%), Maranhão e Tocantins (5,9% cada). No âmbito internacional, Argentina (28%), Chile (16%), Portugal (12%) e Estados Unidos (8%) são os preferidos, com outros países como Itália, Maldivas, França, China, Marrocos e Inglaterra dividindo 4% das indicações cada.
Perfil socioeconômico dos entrevistados e impacto no consumo
A pesquisa da Fecomércio revela que 48% das famílias paraenses pretendem viajar em julho, sendo 27% com certeza, 21,7% ainda indecisos e 21,1% que não viajarão por restrições financeiras. Outros 30,3% não pretendem viajar por motivos diversos.
Quanto ao perfil dos entrevistados, 65,1% são trabalhadores assalariados no setor privado, 13,2% servidores públicos, 7,9% empresários, 5,3% profissionais autônomos, 5,3% aposentados ou pensionistas e 2,6% estudantes. Em relação à renda familiar mensal, 28,9% recebem entre 1 e 3 salários mínimos, 27,6% entre 3 e 5 salários mínimos, 26,3% entre 5 e 10 salários mínimos, 14,5% acima de 10 salários mínimos e 2,6% até 1 salário mínimo.
Esse cenário corresponde à estabilização do mercado formal e à recomposição gradual da renda média do trabalhador na região Norte, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do IBGE, sustentando o potencial de consumo para as férias de julho.
