Tradição esportiva une gerações em Ananindeua
A Seleção Brasileira entra em campo neste domingo (5) para enfrentar a Noruega, pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. Em Ananindeua, essa partida ganha um significado especial para a família Kutaca. Na rua Júlia Cordeiro, bairro Águas Lindas, o Mundial é motivo de uma confraternização que mistura futebol, tradição familiar e cultura popular.
A Copa do Mundo mobiliza a emoção de muitos brasileiros, mesmo aqueles que não acompanham o futebol com regularidade. Para os Kutaca, a paixão pelo esporte vai além do comum. Eles transformam cada Mundial em uma celebração que une o verde e amarelo da Seleção com a tradição ancestral do Boi Kutaca, manifestação cultural com mais de 70 anos.
Paixão pelo futebol e legado cultural
Conhecida em Ananindeua, a família vive a rivalidade entre Remo e Paysandu no dia a dia. Porém, a cada quatro anos, o azul-marinho e o azul-celeste dão espaço ao verde e amarelo, unificando as gerações na torcida pelo Brasil. O Boi Kutaca, iniciado por Emílio Xavier do Nascimento, há mais de sete décadas, é parte essencial dessa identidade familiar.
Manoel Paulino, funcionário público de 65 anos, lembra que a reunião para celebrar a Copa acontece desde sua infância. “Desde que começou a Copa, a família foi crescendo. Inicialmente na rua Júlia Cordeiro, depois dentro de casa, mas sempre mantendo essa confraternização. Torcemos pelo país na esperança de que novas gerações possam vestir a camisa da Seleção”, afirma.
Além do futebol, Manoel destaca a importância de manter viva a história do Boi Kutaca. “Meu irmão Eduardo resgatou essa tradição. Estamos todos juntos para preservar essa manifestação cultural. Este ano, a confraternização foi dupla, unindo o Boi Kutaca e a Copa do Mundo, trazendo muita alegria para todos nós”, comenta.
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Fonte: soudebh.com.br
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Fonte: vitoriadabahia.com.br
Legado que atravessa gerações
Segundo Manoel, o que mantém o Boi Kutaca vivo é o legado deixado pelo patriarca da família. “Nosso pai, Emílio Xavier, iniciou tudo há mais de 70 anos, com o ‘malhadinho’. Tenho uma gratidão enorme por isso. Ainda guardo um pandeiro e um apito daquela época, únicos objetos remanescentes daquele período”, relata.
A nova geração reconhece essa responsabilidade. Antonyo Alencar, 33 anos, lembra que acompanhou o título mundial de 2002 ainda criança. “É uma grande responsabilidade repassar essa tradição. Eu tinha 10 anos naquela conquista e hoje entendo a importância daquele momento. Estou sendo o elo para que esse legado continue”, diz.
Para Antonyo, é fundamental que os mais jovens vivenciem a Copa do Mundo com a mesma intensidade dos mais velhos. “Essa Copa é especial. Os mais velhos já viram algumas conquistas, eu vivi uma delas, e os mais novos estão descobrindo esse momento agora. Precisamos manter essa festa, essa confraternização e o amor pelo futebol que sempre marcou nossa família”, reforça.
Futebol como religião e rituais familiares
Na família Kutaca, o futebol vai além do entretenimento. Antonyo explica que as partidas são acompanhadas por rituais e superstições respeitados por todos. “Futebol aqui é religião. Paysandu e Remo são religiões para nós, mas na Copa do Mundo todos se unem. Respiramos futebol. Cada um tem sua superstição, como usar a mesma camisa, assistir no mesmo lugar ou até evitar que alguém participe do próximo jogo se esteve presente em um resultado ruim”, conta.
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Fonte: gpsbrasilia.com.br
A preparação para os jogos envolve toda a família. A tradição de acompanhar o Arrastão do Pavulagem será mantida, mas de forma breve para que todos estejam juntos para o jogo da Seleção, às 17h deste domingo (5). “Primos e tios pintaram o chão e enfeitaram a casa com bandeirinhas. É uma festa enorme. Estamos vivendo essa Copa intensamente e planejamos ir ao Arraial do Pavulagem cedo para voltar a tempo de assistir ao jogo juntos. Está sendo incrível viver tudo isso em família”, destaca Antonyo.
Promessa pelo hexacampeonato e emoção no hino nacional
A torcida da família Kutaca também é marcada por promessas. Manoel Paulino garante que, caso o Brasil conquiste o hexacampeonato, cumprirá um desafio em homenagem a Ronaldo Fenômeno. “Já disse ao meu filho que, se formos hexa, vou raspar a cabeça, homenageando o Ronaldo, o famoso corte Cascão”, afirma.
As superstições aparecem antes mesmo da bola rolar. Emanuelle Ferreira, 31 anos, conta que uma tradição surgiu espontaneamente entre eles durante a Copa. “Desde que começamos a assistir aos jogos, criamos superstições sem perceber. A principal acontece no hino nacional. Quando começa a tocar, todos levantam e colocam a mão no peito. O mais bonito é ver as crianças repetindo esse gesto. Assim que o hino começa, elas já colocam a mãozinha no peito também”, relata.
O Brasil enfrenta a Noruega neste domingo (5), às 17h, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, pelas oitavas de final da Copa do Mundo. A partida terá cobertura completa com fotos, vídeos e curiosidades no Portal OLiberal.com, acompanhando cada lance da Seleção.
