Aumento contínuo na cesta básica pressiona orçamento das famílias em Belém
Em junho de 2026, o custo da cesta básica em Belém atingiu R$ 759,41, marcando o sexto mês seguido de aumento. O levantamento foi realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no Pará (Dieese/PA), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e divulgado em 8 de julho. Em maio, o valor havia sido R$ 755,24, confirmando uma trajetória crescente que coloca a capital paraense entre as cidades com os preços mais elevados da Região Norte. Esse cenário agrava a pressão sobre o orçamento doméstico, sobretudo das famílias com menor renda.
Trabalhador paraense dedica quase metade do salário para alimentação básica
Para adquirir os 12 itens essenciais da cesta básica, o trabalhador que recebe salário mínimo no Pará precisou comprometer 50,65% da remuneração líquida em junho. Isso equivale a 103 horas e 4 minutos de uma jornada mensal de 220 horas. Na prática, quase metade do tempo trabalhado é destinada somente para garantir a alimentação básica da família, evidenciando o impacto direto na renda disponível para outras despesas.
Alimentos com maior alta e os que registraram queda em Belém
Seis dos 12 produtos que compõem a cesta básica apresentaram aumento em junho. O feijão teve o maior reajuste, com alta de 6,01%, seguido do arroz agulhinha, que subiu 2,96%. Outros alimentos como leite integral (2,14%), tomate (1,30%), carne bovina de primeira (0,36%) e pão francês (0,35%) também ficaram mais caros. Em contraste, itens como açúcar cristal (-2,16%), banana (-1,62%) e café em pó (-1,40%) registraram queda nos preços.
Essa oscilação nos valores é sentida no dia a dia dos consumidores. A aposentada Albertina Costa destacou que o feijão, antes encontrado por valores entre R$ 3 e R$ 4 o quilo, hoje ultrapassa os R$ 8, o que altera significativamente o orçamento familiar. Ela também observou que o macarrão sofreu aumento considerável nas prateleiras dos supermercados.
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Alta acumulada de quase 14% no primeiro semestre de 2026
No acumulado do primeiro semestre, a cesta básica em Belém subiu 13,93%, um índice quase cinco vezes maior que a inflação geral estimada para o período, de 3,3%. O tomate e o feijão carioquinha lideraram as altas, com reajustes de 71,49% e 66,73%, respectivamente. Apesar das quedas expressivas na farinha de mandioca (-21,24%) e no óleo de soja (-13,38%), esses descontos não foram suficientes para equilibrar o aumento dos produtos mais consumidos.
Maria Augusta Ferreira, doméstica, confirma que o aumento impactou diretamente seu orçamento, especialmente em produtos básicos como feijão e arroz. Ela relata pagar quase R$ 10 pelo quilo do feijão novo, enquanto busca promoções para arroz, que chega a custar R$ 4,15 o quilo na versão de melhor qualidade.
Especialista alerta para o impacto nas famílias de baixa renda
Everson Costa, supervisor técnico do Dieese/PA, ressalta que a continuidade da alta dos preços afeta principalmente as famílias com menor poder aquisitivo. “O aumento constante dos alimentos essenciais compromete o orçamento doméstico dessas famílias, que destinam grande parte dos seus gastos à alimentação”, destaca. Essa tendência dificulta o acesso a alimentos básicos e pode agravar a insegurança alimentar na região.
Belém entre as capitais com a cesta básica mais cara do Norte
Na comparação regional, Belém ocupa a segunda posição entre as capitais com o custo mais elevado da cesta básica, ficando atrás apenas de Palmas, onde o valor chegou a R$ 790,23. No cenário nacional, São Paulo lidera com o maior preço, R$ 965,47. O Dieese destaca ainda que, para suprir as necessidades alimentares de uma família de quatro pessoas, o salário mínimo ideal deveria ser de R$ 8.110,92, valor muito acima do atualmente praticado.
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Detalhamento dos preços e variações dos produtos em Belém
Entre os produtos da cesta básica em Belém, a carne bovina de primeira custa em média R$ 45,22 o quilo, com alta de 0,36% no mês e 9,60% no acumulado em 12 meses. O feijão está em R$ 9,17, com aumento de 6,01% no mês e 64,34% no ano. O arroz tem preço médio de R$ 4,87, subindo 2,96% em junho. Outros itens como farinha e óleo de soja registraram queda nos preços, mas não compensam as elevações dos produtos mais consumidos.
Impacto direto no bolso do trabalhador paraense
O custo da cesta básica representa um peso significativo no orçamento do trabalhador paraense, que precisa destinar mais da metade do salário líquido apenas para garantir a alimentação mínima. Com a alta acumulada de quase 14% no ano, a pressão sobre os gastos domésticos deve se manter, afetando o consumo e o equilíbrio financeiro das famílias.
Esse cenário reforça a necessidade de políticas públicas que atuem no controle dos preços dos alimentos e na melhoria da renda da população, para garantir o acesso à alimentação adequada e evitar impactos negativos na economia local.
