Impactos do veto europeu na pecuária paraense
A decisão da União Europeia (UE) de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes para o bloco, a partir de 3 de setembro, acendeu um sinal de alerta na cadeia produtiva nacional. A restrição foi motivada pela insatisfação das autoridades europeias quanto ao controle do uso de antimicrobianos na produção animal. No entanto, no Pará, especialistas do setor consideram que os impactos diretos serão limitados, já que o estado ainda não possui habilitação para comercializar carne bovina no mercado europeu.
O veto da UE abrange diversos produtos, incluindo carne bovina, de frango e cavalo, além de tripas, pescado e mel. A medida decorre da avaliação de que os protocolos brasileiros não garantem que os animais exportados ao bloco estejam livres do uso de antimicrobianos proibidos pelas normas europeias.
Repercussão e perspectivas para o Pará
Francisco Victer, coordenador do Movimento na Aliança Paraense pela Carne, destaca que o efeito imediato para o Pará deve ser pequeno. “O Pará ainda não está habilitado para exportar carne bovina para a União Europeia. Assim, os impactos, positivos ou negativos, serão indiretos, pois a redução nas exportações de outros estados pode influenciar a oferta e a demanda da carne nos mercados interno e externo. Ainda é cedo para conclusões definitivas”, explica.
Daniel Freire, presidente do Sindicato da Indústria da Carne e Derivados do Estado do Pará (Sindicarne), reforça que o maior prejuízo agora é para a imagem do Brasil no mercado internacional. “Mesmo que a União Europeia represente menos de 4% das exportações brasileiras de carne, essa decisão afeta a reputação do país. Esperamos que o Ministério da Agricultura consiga resolver rapidamente o assunto, fornecendo as garantias exigidas pela UE”, afirma.
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Fonte: soupetrolina.com.br
Embora o Pará não exporte para o bloco europeu, há interesse em conquistar esse mercado. “Estamos trabalhando para liberar o mercado europeu para a carne produzida no Pará, que, apesar de pequeno, oferece bons preços para alguns cortes”, acrescenta Freire.
Exigências sanitárias que motivaram o veto
A União Europeia proibiu o uso, em animais destinados à exportação, de antimicrobianos empregados como promotores de crescimento e de medicamentos essenciais para o tratamento de infecções humanas. A medida visa mitigar o risco de desenvolvimento de bactérias resistentes a antibióticos, alinhada à estratégia internacional “One Health”, que integra a saúde humana, animal e ambiental.
Além dessas restrições, o bloco europeu exige sistemas de rastreabilidade que comprovem que os animais não foram tratados com esses medicamentos durante a criação.
Para atender a essas demandas, o Ministério da Agricultura homologou em maio o Protocolo de Exportação de Bovinos Livres de Medicamentos Antimicrobianos. O protocolo prevê a segregação dos animais destinados ao mercado europeu e atribui ao setor produtivo a responsabilidade por desenvolver mecanismos privados de controle e rastreabilidade, considerando que o governo brasileiro não pretende proibir o uso dos antimicrobianos em toda a produção nacional.
Conformidade sanitária do setor produtivo paraense
Apesar de não exportar carne bovina para a UE, o setor paraense já segue rigorosos padrões sanitários. Segundo Francisco Victer, o Regulamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Riispoa) brasileiro está alinhado às exigências internacionais. “Desde 2024, o Pará e todo o Brasil alcançaram status sanitário equivalente ao da União Europeia, certificado pela Organização Mundial de Sanidade Animal”, destaca.
O setor reconhece, contudo, que as exigências internacionais tendem a se intensificar nos próximos anos. Victer ressalta que a busca por novos mercados é essencial, pois valoriza o trabalho dos pecuaristas e amplia a oferta de carne de qualidade ao consumidor a preços mais justos. Além dos critérios sanitários, a pauta ambiental vem ganhando protagonismo nas negociações comerciais.
“O mercado da UE é um dos mais exigentes globalmente, e a tendência é que as condições para a comercialização se tornem cada vez mais rigorosas. Além das questões sanitárias, os aspectos ambientais já dominam as discussões, e o Brasil, como maior produtor e exportador mundial de carne bovina, precisa estar atento a essas demandas”, conclui Victer.
