Inovação para ampliar armazenamento solar
Pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) desenvolveram uma tecnologia capaz de otimizar o uso da energia solar em comunidades isoladas da Amazônia. A inovação, patenteada pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), permite aumentar a capacidade de armazenamento de eletricidade sem a necessidade de substituir toda a infraestrutura já instalada nessas localidades.
Na prática, essa solução possibilita incorporar baterias de lítio comercialmente disponíveis em sistemas de geração de energia que já estão em funcionamento. Assim, a energia produzida durante o dia pode ser armazenada para uso à noite ou em períodos com menor incidência solar, trazendo mais autonomia e confiabilidade para os moradores.
Impacto direto na rotina das comunidades
Um exemplo do uso dessa tecnologia está na Ilha das Onças, em Barcarena, onde uma pequena rede elétrica abastece 11 residências e uma igreja. A eletricidade gerada pelos painéis solares é utilizada em tarefas cotidianas, como iluminação, funcionamento de refrigeradores, televisores e bombas d’água. Além disso, a energia também sustenta atividades produtivas locais, como o funcionamento de motores para o processamento de polpas de frutas.
O armazenamento permite que a energia continue disponível mesmo quando os painéis não estão produzindo eletricidade suficiente, atendendo às necessidades da comunidade durante a noite ou em dias nublados. Segundo o professor Wilson Negrão Macedo, um dos criadores da solução, o principal objetivo é tornar o armazenamento de energia mais flexível e eficiente em microrredes alimentadas por energia solar fotovoltaica.
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Benefícios e funcionamento do sistema
Em áreas ribeirinhas e remotas, onde o acesso à rede elétrica convencional é limitado ou inexistente, essa tecnologia traz melhorias significativas para a qualidade de vida. A eletricidade pode ser usada para iluminação, conservação de alimentos, abastecimento de água, comunicação e suporte a equipamentos essenciais para o trabalho e estudos.
Além disso, o sistema pode alimentar pequenas embarcações elétricas usadas para deslocamento local, ampliando o alcance dos benefícios. A tecnologia utiliza dois equipamentos que controlam o armazenamento e a distribuição da energia: um conecta os painéis solares às baterias de lítio de 48 volts, e o outro faz a ligação dessas baterias à rede de 24 volts que distribui eletricidade para as residências.
Essa configuração permite a integração das baterias sem alterar a tensão da rede existente ou substituir a estrutura já instalada. Assim, as comunidades podem ampliar a capacidade de armazenamento aproveitando equipamentos que já possuem. O sistema também pode ser programado para liberar a energia armazenada com base na disponibilidade e no consumo da comunidade, tornando o uso mais eficiente.
Alternativa acessível e adaptada às necessidades locais
A tecnologia surge como uma alternativa a equipamentos comerciais convencionais de maior capacidade, que costumam ser mais caros e de difícil acesso no mercado brasileiro. Utilizar componentes disponíveis facilita a manutenção, a instalação e a replicação da solução em outras localidades isoladas.
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Fonte: joinews.com.br
Outra vantagem é que o sistema funciona em redes com tensão não regulada, uma característica comum em microrredes isoladas. Diferente dos conversores tradicionais, que exigem saída regulada para operar corretamente, essa solução foi adaptada às condições específicas dessas comunidades, garantindo maior estabilidade e eficiência.
Patente garante exclusividade e proteção
A invenção recebeu a patente nº BR 102024022872-3 do Instituto Nacional da Propriedade Industrial, com validade de 20 anos a partir de novembro de 2024. O desenvolvimento foi conduzido pelo Grupo de Estudos e Desenvolvimento de Alternativas Energéticas (Gedae), da UFPA, criado em 1994.
O Gedae dedica-se ao estudo de fontes renováveis, como solar e eólica, e ao desenvolvimento de sistemas híbridos para geração de eletricidade em locais sem acesso à rede convencional. O grupo também atua em parceria com outras instituições para implementar soluções energéticas em comunidades isoladas no Brasil e em outros países, promovendo inclusão e sustentabilidade.
