Desocupação no Brasil apresenta queda relevante
A taxa de desocupação no Brasil recuou para 5,4% no segundo trimestre de 2026, conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A retração de 0,7 ponto percentual em relação ao trimestre anterior reflete uma melhora no cenário do emprego, também evidenciada pela redução de 0,4 ponto percentual na comparação anual. Esses números indicam que o mercado de trabalho brasileiro conseguiu absorver parte da força de trabalho que estava desocupada, embora desafios persistam em algumas regiões.
Mercado de trabalho do Pará: estabilidade na desocupação e informalidade elevada
No Pará, aproximadamente 3,8 milhões de pessoas estavam ocupadas no período, com a taxa de desocupação estimada em 6,2%. Esse índice permaneceu estável em relação ao primeiro trimestre, quando foi 7%, e ao mesmo período de 2025, que registrou 6,9%. A estabilidade, contudo, não representa avanço significativo, especialmente diante do elevado percentual de informalidade. No estado, 55,9% da população ocupada estava na informalidade, índice que posiciona o Pará como o segundo estado com maior informalidade do país, atrás apenas do Maranhão, que registrou 56,9%. Esse cenário supera em muito a média nacional, que ficou em 37,4%, indicando fragilidades estruturais no mercado local.
Trabalho por conta própria e subutilização da força de trabalho no Pará
Outro dado que chama atenção é o percentual de trabalhadores por conta própria no Pará, que alcança 30,3% da população ocupada. Esse número é um dos maiores do Brasil, ficando atrás apenas do Maranhão (33,8%) e do Amapá (31%). A elevada taxa reflete tanto a busca por alternativas de renda quanto a dificuldade de inserção no emprego formal.
Quanto à subutilização da força de trabalho, o Pará apresentou uma taxa composta de 19,5% no segundo trimestre, uma melhora em relação aos 21,7% do primeiro trimestre. Embora essa redução seja positiva, o índice segue alto e indica que uma parcela significativa dos trabalhadores enfrenta condições precárias, seja por horas insuficientes ou por desistência da busca por emprego.
Setores com maior concentração de empregos e perfil dos trabalhadores no Pará
O setor de comércio e reparação de veículos foi responsável por 20,4% das ocupações no estado, liderando a geração de emprego. A administração pública, educação, saúde humana e serviços sociais também têm peso expressivo, somando 18,9%, seguidos pela agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, com 13,6%. Do total de ocupados, 41,8% eram empregados no setor privado, enquanto 30,3% trabalhavam por conta própria.
Em termos de funções, quase um quarto dos ocupados atuava em serviços ou como vendedores em comércio e mercados, enquanto cerca de 20% estavam em ocupações elementares. Essa composição aponta para uma predominância de trabalhos com menor qualificação e remuneração.
Rendimento médio dos trabalhadores paraenses e desigualdades salariais
O rendimento médio habitual dos trabalhadores no Pará foi de R$ 2.593 no segundo trimestre de 2026. Diferenças significativas aparecem quando se considera o sexo e o nível de escolaridade: mulheres recebem menos que homens e os valores aumentam conforme a instrução. No Brasil, o rendimento médio real foi de R$ 3.738, superior ao estado e também ao registrado no mesmo período de 2025.
Situação da desocupação e subutilização em outras regiões do país
Ao todo, 13 estados brasileiros apresentaram queda na taxa de desocupação entre o primeiro e o segundo trimestre. As maiores reduções ocorreram no Rio Grande do Norte (-1,9 ponto percentual), Acre e Paraíba (-1,6 ponto percentual), além do Tocantins (-1,5 ponto percentual). Por outro lado, os piores índices de desocupação foram anotados no Amapá (9,8%), Bahia (9,1%), Pernambuco e Piauí (8,3%) e Sergipe (7,9%).
As taxas mais baixas ficaram com Santa Catarina (2,1%), Mato Grosso (2,2%), Espírito Santo (2,3%), Rondônia (2,6%) e Mato Grosso do Sul (2,7%). Em nível nacional, a desocupação foi de 4,6% entre os homens e 6,4% entre as mulheres, com disparidades também por cor ou raça e escolaridade. Pessoas brancas tiveram 4,2% de desocupação, pretas 6,9% e pardas 6,1%. O índice chegou a 9% entre quem tem ensino médio incompleto e caiu para 3% entre os com ensino superior completo.
A taxa de subutilização nacional ficou em 12,9%, com destaque para o Piauí (26,6%) e Santa Catarina (4,1%). Além disso, 1,1 milhão de pessoas buscavam emprego há dois anos ou mais no segundo trimestre, número que caiu 15,6% em relação ao mesmo período de 2025.
