De um complemento de renda a um negócio consolidado
O que começou como uma alternativa para ajudar nas despesas da faculdade hoje é um negócio que produz até 40 mil trufas por mês. À frente da Bombons do Pará, o casal Geraldo Gaia e Rejane Nascimento aposta em ingredientes típicos da Amazônia, como cupuaçu, castanha-do-pará, bacuri e açaí, para levar sabores regionais a consumidores do Pará e de outras regiões do país. A marca já fabrica cerca de 2 mil unidades diariamente e mantém três lojas no Aeroporto Internacional de Belém, reforçando sua presença no mercado.
O início da jornada empreendedora
Durante a graduação em uma universidade pública, o casal iniciou a produção e venda dos bombons para complementar a renda. Rejane explica que, mesmo com a gratuidade do ensino, os custos de vida exigiam uma fonte extra de dinheiro. Assim, começaram a levar os bombons para as salas de aula, vendendo entre colegas. Essa atividade foi pausada após a conclusão do curso, mas quatro anos depois eles retomaram a produção, abrindo espaço no aeroporto da capital paraense.
Conciliar negócio, estudos e família foi o maior desafio
Geraldo destaca que o maior obstáculo foi empreender diante da incerteza sobre o sucesso do negócio, além da necessidade de equilibrar a rotina entre estudos e vida pessoal. A coragem e a fé no propósito do empreendimento foram fundamentais para superar esses momentos. “A carga emocional era enorme, mas a crença no que fazemos e no impacto que isso gera para outras pessoas nos manteve firmes”, relata.
Leia também: Pernambuco Avança para Impulsionar a Competitividade Econômica com Desburocratização
Fonte: decaruaru.com.br
Leia também: Expo Macaé 2026: Tradição do Agro e Entretenimento em Alta na 42ª Edição
Fonte: bh24.com.br
Cupuaçu é o sabor que conquista consumidores
Entre os aproximadamente 30 sabores regionais, o cupuaçu lidera as vendas, frequentemente combinado com castanha-do-pará, queijo e pimenta. Em Brasília, onde a marca também está presente, o bombom de cupuaçu se destaca mesmo entre quem ainda não conhece profundamente essa fruta amazônica. Outros sabores populares incluem bacuri, bacuri com castanha, açaí e a versão “paraense”, que mistura açaí com tapioca.
Trufas valorizam a fruta amazônica como protagonista
Com preço médio de R$ 6 em Belém, os bombons são os produtos mais vendidos nas lojas da Bombons do Pará, seguidos por itens como farinha, pimentas e biscoitos. O diferencial, segundo Geraldo, é o destaque dado à fruta na receita, evitando que o sabor do chocolate se sobressaia. As trufas de cupuaçu são artesanais, produzidas sem conservantes ou corantes, com uma fina camada de doce de leite e chocolate para realçar a fruta. “O que faz a diferença é o protagonismo da fruta no produto final”, explica.
Produção mensal chega a 40 mil unidades
Com uma estrutura própria que atende normas rigorosas de higiene e segurança alimentar, a Bombons do Pará fabrica entre 30 mil e 40 mil trufas por mês. Nos dias de produção, a fábrica chega a fazer cerca de 2 mil unidades de segunda a sexta-feira. Durante períodos de maior demanda, como as férias, toda a produção é vendida. Apesar do volume expressivo, os bombons representam entre 10% e 15% do faturamento total das lojas, que também comercializam diversos outros produtos regionais.
Leia também: Entenda como atos do PT na Bahia beneficiaram o Banco Master
Fonte: bahnoticias.com.br
Expansão impulsionada pela COP 30
A aproximação da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), realizada em Belém, motivou o casal a ampliar a atuação para além do Pará. O evento ajudou a enxergar o potencial de apresentar produtos amazônicos para consumidores de outras regiões do país e até do exterior. A estratégia levou à expansão para aeroportos em Macapá e Brasília, reforçando a divulgação da biodiversidade amazônica em pontos estratégicos.
Produtos regionais encantam turistas em outros estados
Geraldo observa que turistas que passam pelos aeroportos buscam itens que representem a identidade local. A valorização dos ingredientes regionais é um dos motores do negócio, assim como o apoio aos produtores locais. “A valorização do que é regional e orgânico tem um peso muito forte”, afirma. Essa conexão com a cultura local ajuda a manter a autenticidade dos produtos e a conquistar novos públicos.
Desafios e planos para o futuro
Embora a expansão para outros estados seja promissora, transportar produtos regionais enfrenta desafios logísticos e operacionais. Rejane reconhece a complexidade, mas mantém a esperança nos planos futuros. “Temos muitos projetos, mas deixamos nas mãos de Deus, porque não é fácil levar o produto para outras regiões”, comenta. A aposta em consolidar a marca e ampliar o alcance segue firme, com foco em fortalecer o vínculo entre economia regional e valorização da biodiversidade amazônica.
