Incêndio avança em Terra Indígena Apyterewa, no Pará
Um incêndio de grandes proporções atinge a Terra Indígena (TI) Apyterewa, situada no sul do Pará, há cerca de uma semana. O fogo começou na mesma área que passou recentemente por um processo de desintrusão — operação do governo federal para retirar invasores não indígenas do território homologado.
As chamas se espalham por uma extensa área onde antes havia criação ilegal de gado. Apesar da dimensão do incêndio, a mata fechada ainda não foi atingida diretamente pelo fogo.
Risco de avanço para aldeia Parakanã
Brigadistas e lideranças locais manifestam preocupação com a possibilidade de ventos fortes mudarem a direção das chamas, levando o fogo à floresta e colocando em risco uma aldeia próxima pertencente ao povo Parakanã. A proximidade do incêndio com a comunidade elevou o alerta para os perigos causados pela fumaça.
A reportagem solicitou informações aos órgãos responsáveis, mas não recebeu retorno até a última atualização.
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Monitoramento e contexto do fogo na TI Apyterewa
A região afetada vem sendo monitorada desde a retirada de invasores, como grileiros e criadores de gado que ocupavam ilegalmente o território. A TI Apyterewa figura entre as áreas mais pressionadas pelo desmatamento no Brasil. O processo de desocupação buscou garantir os direitos originários e a segurança do povo Parakanã.
Uma nota técnica do Instituto Socioambiental (ISA) analisou dados entre 31 de maio e 23 de agosto de 2026, apontando 377 focos de calor dentro dos limites da terra indígena. A maior parte desses focos (90,2%) concentrou-se em agosto, evidenciando uma aceleração significativa das queimadas naquele mês.
Condições climáticas e intensidade do fogo
A ausência de chuvas, com até 12 dias consecutivos de seca em agosto, foi um fator decisivo para a propagação rápida do incêndio, conforme destacou o ISA. Embora os relatos iniciais indicassem que o fogo consumia apenas pastagens degradadas, análises técnicas indicam que a vegetação nativa já é afetada.
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Do total de focos, 25,7% foram classificados como “FRP Alto”, categoria que indica queima ativa de biomassa florestal densa. Além disso, 1,3% dos focos foram considerados “FRP Extremo”, representando eventos críticos com queima intensa de floresta primária ou grandes volumes de madeira acumulada.
Evento crítico e análise técnica
Na tarde do dia 20 de agosto, satélites registraram um evento de extrema gravidade: três dos maiores focos de calor ocorreram simultaneamente às 16h37, somando 15,1% da energia radiativa total detectada na terra indígena durante os três meses monitorados.
Ricardo Abad, analista de geoprocessamento do ISA e autor da nota técnica, comentou que os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam registros com intensidade muito alta de fogo, evidenciando a gravidade do que já é considerado um “superincêndio” em rápida expansão.
