Impacto econômico do 13º do INSS na Região Metropolitana de Belém
O pagamento do 13º salário do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para os novos beneficiários de 2026 tem potencial para injetar cerca de R$ 100 milhões na economia da Região Metropolitana de Belém (RMB). Esse aporte financeiro deve ocorrer nos meses de novembro e dezembro, coincidentes com o período da Black Friday e das compras de Natal, momentos de intensa movimentação comercial. A estimativa é do economista João Cláudio Tupinambá Arroyo, que projeta que mais de 150 mil pessoas poderão ser diretamente beneficiadas caso a média nacional de distribuição dos recursos se mantenha na região.
Dinheiro extra chega em momento estratégico para o comércio
Esse recurso adicional alcança os consumidores justamente em um dos períodos do ano com maior circulação financeira no comércio local. Arroyo, professor doutor em Desenvolvimento e Meio Ambiente Urbano, mestre em Economia e pró-reitor de pesquisa da Unama, ressalta que o pagamento do 13º representa uma injeção complementar de recursos, abrangendo também o setor de serviços. Em âmbito nacional, o abono anual já movimentou mais de R$ 78 bilhões na economia brasileira em 2026.
Estimativa para a Região Metropolitana de Belém
A RMB conta com aproximadamente 2,54 milhões de habitantes e é a 14ª maior região metropolitana do país em população. Não havendo dados específicos sobre o montante destinado aos novos segurados locais, a projeção do economista se baseia na média nacional. “Se essa média se repetir, mais de 150 mil pessoas poderão ser beneficiadas, com uma injeção financeira na ordem de R$ 100 milhões”, explica Arroyo.
Reforço para a economia local em período de alta demanda
O especialista destaca que a chegada desse dinheiro é uma oportunidade significativa para a economia local, especialmente por ocorrer em um momento de alta demanda. Ele aponta que esse reforço financeiro pode fortalecer o comércio e o setor de serviços da região.
Consumo deve acelerar com benefício extra
Uma das principais consequências esperadas é o aumento do consumo no fim do ano. Para Arroyo, o pagamento em parcela única para os beneficiários que ingressaram após maio coincide diretamente com a Black Friday e o Natal, favorecendo a rápida circulação dos recursos. A expectativa é que boa parte desse dinheiro seja direcionada para o setor de serviços, varejo e consumo de bens não duráveis, como alimentação e presentes, beneficiando comerciantes e prestadores de serviços logo nas primeiras semanas após a liberação do benefício.
Prioridade para consumo imediato e quitação de dívidas
Considerando que o valor do 13º para os novos segurados varia entre R$ 400 e R$ 950, e que a maior parte dos beneficiários possui renda baixa e faixa etária mais elevada, o impacto tende a se concentrar no consumo do dia a dia e no pagamento de pequenas dívidas. Arroyo destaca três situações predominantes: o estímulo ao comércio de fim de ano, o alívio financeiro para famílias em municípios onde os benefícios previdenciários são essenciais e a redução da inadimplência pelo uso do recurso para quitar contas acumuladas.
Risco de fuga do dinheiro para fora da economia local
Apesar do potencial positivo, o economista alerta que o gasto do dinheiro não garante sua permanência na economia de Belém. Para isso, é fundamental estimular o consumo local, conscientizando os consumidores sobre os efeitos financeiros e econômicos de suas escolhas. Arroyo destaca que optar apenas pelo menor preço pode levar recursos para fora da região, afetando a geração de atividade econômica, empregos e novos negócios. Ele defende que esse tema seja abordado em escolas, igrejas, sindicatos e associações de moradores.
Benefícios previdenciários como motor da economia municipal
Arroyo reforça a relevância dos benefícios previdenciários para a economia local, especialmente em municípios menores, onde esses recursos movimentam mais a economia do que o Fundo de Participação dos Municípios (FPM). A chegada do 13º salário dos novos beneficiários, portanto, pode ter impacto relevante, principalmente quando os gastos ocorrem em estabelecimentos da própria região.
Pagamento do 13º não gera despesa extra ao governo federal
Outro ponto destacado é que o pagamento do 13º aos novos segurados não representa uma despesa adicional inesperada para o governo federal. Conforme Arroyo, o benefício já está previsto no orçamento anual da Previdência para 2026, e sua liberação em novembro e dezembro não provoca impacto no déficit público.
Desafio da educação financeira para ampliar impactos positivos
Além do efeito imediato do benefício, o economista vê nessa situação uma oportunidade para discutir educação financeira e desenvolvimento econômico. Ele ressalta a contradição entre a ênfase no empreendedorismo e a falta de preparo para que as pessoas realizem seus próprios negócios. Para mudar esse cenário, Arroyo aponta a educação como elemento central.
