Potencial e liderança na produção de mandioca no Pará
O Pará mantém a liderança nacional na produção de mandioca, com um valor de produção estimado em R$ 4,3 bilhões e representando 22,8% do volume total do país. Apesar desse destaque, o Estado ainda possui um vasto espaço para desenvolver e ampliar sua cadeia produtiva. A região Nordeste paraense reúne condições naturais privilegiadas, como solo adequado e regime de chuvas favorável, que favorecem o cultivo do tubérculo.
Em 2025, os municípios com maior produção foram Baião, Acará, Alenquer e Marabá. O cultivo da mandioca integra um cenário mais amplo de crescimento do setor agrícola paraense, que alcançou R$ 38,4 bilhões em valor total da produção, um aumento de 6,7% frente a 2024, segundo dados da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Área plantada e produtividade: desafios para o crescimento
O Pará destinou 266,9 mil hectares para o plantio ou colheita da mandioca em 2025, colhendo praticamente toda essa área. A pesquisadora Elisa Cunha, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), destaca que o elevado volume de produção está atrelado à extensa área cultivada, já que a produtividade média ainda é baixa, entre 13 e 15 toneladas por hectare. Essa baixa produtividade indica margem para ganhos expressivos caso tecnologias e técnicas mais avançadas sejam adotadas.
Além das variedades tradicionais, o Estado cultiva mandiocas com polpa amarela e baixo teor de amido, usadas na produção de tucupi, além da maniçobeira, fonte das folhas utilizadas na maniva. A maior parte da mandioca é processada em farinha dentro das próprias propriedades, cooperativas ou associações, enquanto a venda para fábricas ainda é pontual e localizada.
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Fonte: triangulodeminas.com.br
Investimento em tecnologias e capacitação técnica
O aumento da produtividade depende diretamente da ampliação do uso de tecnologias no campo. Muitos produtores ainda utilizam poucos recursos técnicos, mas cresce a busca por práticas como adubação adequada, plantio adensado e variedades mais produtivas. Elisa Cunha ressalta que essas tecnologias não são necessariamente caras, mas demandam capacitação, acesso à informação e acompanhamento técnico constante.
A Embrapa tem atuado junto a cooperativas e associações para levar essas tecnologias aos produtores. Pesquisas com materiais biofortificados também avançam, conduzidas pelo Núcleo de Pesquisa em Recursos Naturais e Sustentabilidade (Nures), embora seja necessário continuar investindo para garantir que essas inovações alcancem efetivamente o campo.
Tradição alimentar e diversidade de variedades
O consumo da mandioca no Pará está enraizado nos hábitos alimentares que remontam às influências indígenas, mantendo a raiz como alimento básico para a população. Guilherme Minssen, diretor da Faepa, reforça que essa tradição soma-se às condições naturais para fortalecer a cultura da mandioca, especialmente no Nordeste do Estado.
Produtores de polos como Bragança e Tracuateua têm multiplicado variedades recomendadas pela Embrapa Amazônia Oriental, como BRS Poti, BRS Mari e BRS Formosa. Paralelamente, as variedades locais, como a mandioca-brava Jurará Branca e Paulo Velho, permanecem muito valorizadas, assim como a “Mãe Sobera”, conhecida pela adaptabilidade e ciclo prolongado.
Oportunidades no processamento e comercialização
A cadeia produtiva da mandioca no Pará vai além do campo, gerando impacto na geração de renda e alimentação. Guilherme Minssen destaca a necessidade de profissionalizar e organizar a cadeia, ampliando o processamento local. A transformação da raiz em farinha, farinha de tapioca, tucupi e outros produtos pode agregar valor e ampliar os canais de comercialização.
Melhorias no manejo, transporte e processamento podem reduzir perdas e aumentar a eficiência da cadeia. A Embrapa Amazônia Oriental, em parceria com a Faepa, já entregou pesquisas que resultaram em avanços genéticos e produtivos para os produtores rurais.
Volume comercializado e movimentação no mercado regional
O impacto da mandioca é perceptível também na comercialização em Belém. Segundo Denivaldo Pinheiro, diretor técnico das Centrais de Abastecimento do Pará (Ceasa-PA), entre janeiro e agosto deste ano, foram comercializados 939.560 quilos de mandioca mansa, conhecida como macaxeira. Além disso, os subprodutos da mandioca brava movimentaram 954.699,791 quilos de farinha, 226.594,312 quilos de farinha de tapioca e 235.784,927 litros de tucupi.
Esses números evidenciam a importância econômica da mandioca para o Pará, reforçando a necessidade de investimentos na cadeia produtiva para garantir ganhos em renda, produção e geração de empregos no setor agrícola regional.
