Brasil destaca-se na preocupação mundial com a crise climática
Uma pesquisa internacional inédita divulgada logo após o segundo turno das eleições no Brasil mostra que o tema do clima ultrapassou a esfera partidária e se tornou uma demanda urgente de saúde pública, segurança econômica e bem-estar social para os brasileiros. O estudo, conduzido pelo Programa de Yale sobre Comunicação de mudanças climáticas (YCCC) e pelo Global Methane Hub (GMH), em parceria com a organização brasileira Uma Gota no Oceano, ouviu 12.189 adultos em 18 países, incluindo 700 brasileiros.
Os resultados confirmam que o Brasil lidera o ranking mundial de preocupação com o clima, com 72% dos adultos classificados como “alarmados” diante dos impactos ambientais. Essa inquietação reflete a vivência direta de eventos extremos frequentes no país, como enchentes, ondas de calor e períodos prolongados de seca.
População apoia políticas para reduzir emissões de metano
Quando avaliada a percepção política, 72% dos eleitores brasileiros aprovam governantes que adotam medidas para reduzir o metano, um poluente climático de curta duração que é considerado a forma mais rápida de frear o aquecimento global no curto prazo. Segundo o Dr. Anthony Leiserowitz, diretor do Programa de Comunicação sobre Mudanças Climáticas da Universidade Yale, conhecer a opinião pública é fundamental para criar políticas eficazes e campanhas de comunicação que possibilitem a participação ativa da sociedade na solução da crise climática.
Embora 90% dos brasileiros apoiem ações contra a poluição por metano e 75% entendam a conexão entre esse gás e o aquecimento global, a pesquisa revela um desafio: é preciso transformar essa preocupação em compreensão real das escolhas diárias, como a separação do lixo e práticas sustentáveis no campo.
Desafios e oportunidades para ampliar a conscientização
Maria Paula Fernandes, diretora-geral da Uma Gota no Oceano, destaca que a população demonstra estar disposta a agir, mas ainda existe uma lacuna entre a preocupação e o entendimento das causas e soluções. “Traduzir a ciência para o cotidiano das pessoas é essencial para transformar essa predisposição em conscientização e engajamento, criando a base para ações climáticas mais ambiciosas e urgentes”, afirma.
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Fonte: reportersorocaba.com.br
O estudo detalha ainda a percepção do público sobre os principais setores emissores de metano no Brasil. No agronegócio, 96% reconhecem sua importância econômica, e metade dos entrevistados defende reduzir as emissões na pecuária com apoio financeiro aos produtores rurais. Os grandes produtores agrícolas são vistos como líderes potenciais para mudanças climáticas efetivas.
Nas cidades, 90% dos brasileiros apoiam a coleta seletiva obrigatória, visando diminuir a poluição urbana e melhorar a qualidade de vida. Além disso, 91% apoiam a mitigação das emissões no setor energético, e 59% defendem regulamentação governamental para limitar as emissões.
Brasil mantém liderança global na agenda climática
Marcelo Mena, CEO do Global Methane Hub, ressalta que o Brasil apresenta níveis de preocupação climática entre os mais elevados do mundo, com suporte quase unânime para ações no combate ao metano. O país assumiu a presidência da COP30 em 2025 e firmou o compromisso do Global Methane Pledge em 2021, visando reduzir 30% das emissões até 2030, em comparação a 2020.
O metano, gás mais potente que o dióxido de carbono em curto prazo, é responsável por cerca de 30% do aquecimento global desde a era pré-industrial. Como sua vida na atmosfera é curta, a redução rápida de suas emissões pode frear significativamente o aumento da temperatura global e gerar benefícios diretos para a saúde pública e a economia.
Expectativa por responsabilidade e liderança prática
A pesquisa aponta que a população atribui maior responsabilidade pelas emissões às grandes empresas de petróleo, gás e gestão de resíduos, bem como aos governos locais e estaduais. No entanto, a expectativa de liderança para mudanças concretas recai principalmente sobre os grandes produtores agrícolas e as empresas de resíduos, evidenciando a demanda por ações efetivas nesses setores.
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Fonte: joinews.com.br
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Comparado a outros países latino-americanos, o Brasil apresenta maior familiaridade com o tema metano e maior apoio à sua redução. Enquanto 75% dos brasileiros reconhecem a importância de cortar as emissões para conter o aquecimento, esse índice é menor em países vizinhos, como Uruguai e Paraguai.
Contexto global e necessidade de ação coordenada
A pesquisa foi realizada em 18 países de quatro continentes, abrangendo temas como mudanças climáticas, preocupações ambientais e políticas para reduzir o metano. Os dados revelam que a preocupação pública é alta e o apoio para ações climáticas é amplo, especialmente entre aqueles que percebem impactos diretos da crise em suas comunidades.
Reduzir as emissões de metano é comparado a um freio de emergência para o clima. O gás é mais de 80 vezes mais potente que o CO₂ na atmosfera em um período de 20 anos e sua diminuição rápida poderia evitar cerca de 0,3°C de aquecimento até 2045, ajudando a manter as metas climáticas globais.
Além de frear o aquecimento, a mitigação do metano melhora a qualidade do ar, protege plantações, gera empregos e fortalece a resiliência das comunidades. Diante da natureza transfronteiriça da poluição por metano, a cooperação internacional é essencial para garantir um futuro mais seguro e saudável.
Melissa Bell, vice-presidente sênior de Pesquisa da Global Strategy Group, destaca que o apoio popular à redução do metano é consistente e duradouro, refletindo a preocupação crescente da sociedade com os impactos das mudanças climáticas e a expectativa de responsabilidade por parte dos setores com maior capacidade de promover transformações.
