Estratégias Sustentáveis para Enfrentar o Calor
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) iniciou, nesta segunda-feira (9/3), em Brasília (DF), a elaboração do Plano Nacional de Ação pelo Resfriamento (PNAR Brasil). Este projeto visa criar um conjunto de estratégias focadas no combate ao aumento das temperaturas extremas em todo o território nacional. O PNAR também se propõe a ampliar o acesso a soluções de resfriamento que sejam eficientes, sustentáveis e com baixas emissões de gases de efeito estufa, elementos que intensificam o aquecimento global.
Coordenado pelo MMA em colaboração com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), o plano tem como objetivo reduzir as emissões diretas relacionadas aos gases refrigerantes utilizados em sistemas de climatização e refrigeração. Além disso, busca mitigar as emissões indiretas, vinculadas ao consumo de energia elétrica desses equipamentos. A proposta ainda incentiva o uso de estratégias sustentáveis, como soluções baseadas na natureza e resfriamento passivo, que englobam ventilação natural, sombreamento e design arquitetônico bioclimático.
Roteiro Implementável e Eficiência Energética
A iniciativa se propõe a estruturar um roteiro viável para a implementação em todo o Brasil, começando pela elaboração de um diagnóstico nacional sobre a necessidade de resfriamento. O PNAR também definirá instrumentos de execução, um cronograma de ações e indicadores que possibilitarão o monitoramento dos resultados. Com isso, espera-se ainda promover a eficiência energética nas tecnologias de resfriamento, contribuindo para a diminuição das emissões e promovendo um uso mais racional da energia.
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou a importância de unir esforços entre ações de mitigação e adaptação frente ao calor extremo. “É fundamental que trabalhemos integradamente para mitigar as emissões. Para isso, precisamos de recursos e de um avanço na agenda de adaptação. Os efeitos das mudanças climáticas já são uma realidade, e é hora de implementar soluções práticas e mobilizar recursos para cumprir com os acordos estabelecidos”, afirmou.
Segundo a ministra, as soluções para controlar o aumento da temperatura global devem ir além do simples aumento do uso de ar-condicionado. “Devemos considerar quais serão os novos padrões de construção para escolas, hospitais e prédios públicos. É essencial otimizar os recursos da engenharia e do conhecimento, observando a natureza para utilizar menos energia e resfriar adequadamente onde for necessário”, completou Marina.
Modelo Participativo e Inclusão Social
A metodologia empregada na elaboração do PNAR segue o modelo da Cool Coalition, uma iniciativa liderada pelo Pnuma que promove soluções sustentáveis de resfriamento em escala global. Esta abordagem integra previsões de crescimento da demanda por resfriamento a políticas nacionais que abarcam clima, eficiência energética e desenvolvimento urbano, sendo já aplicada em países como Marrocos, Camboja e Indonésia.
O processo de elaboração do plano será colaborativo, envolvendo diferentes setores da sociedade, incluindo instituições públicas, o setor produtivo, acadêmicos e organizações da sociedade civil. O objetivo é fomentar o diálogo e consolidar contribuições para a construção das medidas e recomendações que farão parte do plano.
O secretário nacional de Meio Ambiente Urbano, Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental do MMA, Adalberto Maluf, ressaltou que o PNAR é fundamental para enfrentar um problema que afeta desproporcionalmente as camadas mais vulneráveis da sociedade. “Os impactos são dramáticos nas cidades. Áreas com menor arborização, geralmente as mais periféricas, podem registrar temperaturas até 15ºC superiores a regiões com melhor distribuição de espaços verdes. As áreas mais quentes frequentemente são aquelas com menor renda, onde vivem as populações mais vulneráveis, que sofrem com essas altas temperaturas”, enfatizou Maluf.
Acesso ao Resfriamento e Metas Climáticas
O secretário nacional de Mudança do Clima do MMA, Aloisio Melo, destacou a necessidade de integrar políticas públicas que ampliem o acesso ao resfriamento sem comprometer as metas climáticas do Brasil. “É imprescindível identificar essas complementaridades e estabelecer uma agenda que realmente atenda à urgência da mudança climática, garantindo que todos tenham acesso a ambientes refrigerados e condições adequadas de vida e trabalho”, afirmou.
A representante do Pnuma, Beatriz Carneiro, reforçou a relevância da conexão entre calor extremo e resfriamento. “Essa é uma questão que devemos tratar com urgência, tanto para adaptar nossas cidades quanto para conter o aumento das emissões correlacionadas ao resfriamento”, concluiu.
