Capacitação Para um Atendimento Eficiente
No dia 12 e 13 de outubro, o Ministério das Mulheres promoveu um encontro de formação para capacitar os profissionais que atuarão na inauguração da Casa da Mulher Brasileira (CMB) em Aracaju, Sergipe. Este espaço tem previsão de abertura para o final deste mês, quando os atendimentos às mulheres vítimas de violência terão início.
A capacitação visa preparar os profissionais para oferecer um atendimento integrado, humanizado e adequado às especificidades de cada situação enfrentada pelas mulheres. Ao todo, 120 profissionais participaram do treinamento, dentre os quais 70 já estão inseridos em serviços de segurança pública no estado, como departamentos e delegacias especializadas no atendimento a grupos vulneráveis.
O curso foi realizado na Academia de Polícia Civil de Sergipe (Acadepol) e contou com a colaboração da Secretaria Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres (SENEV), que faz parte do Ministério das Mulheres, em parceria com a Secretaria de Políticas para as Mulheres do Estado de Sergipe (SPM-SE) e a ONU Mulheres.
Maura Luciane Conceição de Souza, coordenadora-geral de Fortalecimento da Rede de Atendimento, enfatizou a importância da colaboração entre os níveis federal e estadual. “Essa parceria é fundamental para o processo de formação e qualificação dos profissionais que atuarão nesse serviço tão relevante, que é proteger a vida das mulheres vítimas de violência aqui no estado”, afirmou.
A secretária estadual de Políticas para as Mulheres, Georlize Teles, também destacou o impacto que a Casa da Mulher Brasileira terá na vida das sergipanas, garantindo que será um espaço de acolhimento e proteção. “Com certeza, esse equipamento fará a diferença na vida de nossas mulheres”, disse ela.
Foco na Humanização do Atendimento
A formação teve uma programação intensa, com atividades que ocorreram entre 9h e 17h30. Os profissionais participaram de debates e exercícios práticos voltados para o atendimento humanizado às mulheres que enfrentam situações de violência. No primeiro dia, foram discutidos os fundamentos teóricos e o contexto das políticas públicas direcionadas às mulheres. Os temas abordados incluíram a história da luta pelos direitos das mulheres, conceitos de gênero e interseccionalidade, além dos variados tipos de violência contra as mulheres – física, psicológica, moral e patrimonial – e os desafios associados a cada uma delas.
Durante o treinamento, os participantes também foram apresentados aos principais marcos legais, tanto nacionais quanto internacionais, que regem as políticas de proteção às mulheres, como a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) e o Pacto Nacional de Prevenção ao Feminicídio (Decreto nº 11.640/2023). Outro ponto relevante discutido foi a violência institucional e o risco de revitimização, que ocorre quando a mulher enfrenta novos traumas durante o processo formal de denúncia, em órgãos como delegacias e tribunais.
Técnicas de Escuta Ativa e Integração de Serviços
O segundo dia foi voltado ao entendimento da integração dos serviços oferecidos pela Casa da Mulher Brasileira com a rede de atendimento, que inclui órgãos de segurança do estado. Os profissionais aprenderam sobre a importância do atendimento humanizado, recebendo orientações sobre técnicas de escuta ativa e a compreensão da trajetória que as mulheres percorrem ao buscar apoio. A formação ressaltou também o papel das equipes multidisciplinares no acolhimento e acompanhamento dos casos.
A gestão e a qualificação das informações de atendimento foram outro ponto central da formação. Discusões sobre a importância da coleta de dados confiáveis para o monitoramento dos serviços e para o aprimoramento das políticas públicas de enfrentamento à violência contra as mulheres foram amplamente debatidas.
A Casa da Mulher Brasileira em Sergipe
A Casa da Mulher Brasileira será a primeira do estado de Sergipe e funcionará 24 horas por dia. Este espaço reunirá, em um único local, diversos serviços, como recepção, triagem, acolhimento, delegacia especializada, Juizado, Ministério Público e Defensoria Pública.
Expansão da Rede de Proteção às Mulheres
A ampliação da rede de proteção às mulheres em situação de violência é um dos principais focos do Programa Mulher Viver sem Violência, liderado pelo Ministério das Mulheres. Desde 2023, foram inaugurados 19 novos serviços especializados, entre Casas da Mulher Brasileira e Centros de Referência da Mulher Brasileira, em várias regiões do país, com mais 50 em fase de implementação.
O Painel de Monitoramento das Casas da Mulher Brasileira e dos Centros de Referência permite acompanhar a implementação de novas unidades, incluindo informações sobre a fase do projeto e os recursos investidos.
Denúncias e Ações em Sergipe
No estado de Sergipe, o Ligue 180 registrou 7.908 ligações e 1.207 denúncias de violência contra mulheres em 2025, resultando em uma média de quatro denúncias diárias. Nos primeiros três meses de 2026, o serviço contabilizou 646 chamadas e 117 denúncias, sendo que cerca de 77% dessas reclamações estão relacionadas a violência doméstica e familiar. A maioria das mulheres que busca ajuda tem entre 35 e 39 anos.
