Reflexões sobre a Cura e a Luz do Mundo
No 4º Domingo da Quaresma, celebrado em 15 de março de 2026, o Evangelho de João 9, que narra a história do cego de nascença, foi o foco da homilia proferida pelo padre Claudio Pighin, diretor da Escola de Comunicação Papa Francisco, durante a Santa Missa no Grupo Liberal. A mensagem central aborda a cura da cegueira espiritual e o convite para se tornar ‘filho da luz’. Ao realizar a cura do cego, Jesus se revela como a luz do mundo, desafiando preconceitos e indiferenças que cercam a vida humana.
O padre Claudio trouxe à tona uma reflexão profunda sobre a experiência do deficiente que se torna capaz de enxergar a realidade pela primeira vez: ‘Imaginem a explosão de maravilha que deve ser. Ao mesmo tempo, não podemos ignorar a hostilidade dos fariseus diante desse milagre, que ocorreu em um sábado, dia em que era proibido realizar qualquer tipo de trabalho’, comentou.
A narrativa instiga os fiéis a ponderarem suas próprias convicções, desafiando-os a confrontar preconceitos e intolerâncias que muitas vezes dificultam a prática da compaixão. ‘De um lado, temos a ação transformadora de Jesus, que dá vida ao ser humano; de outro, os fariseus, que se apegam rigidamente às leis’, destaca o padre Pighin, trazendo uma reflexão provocativa: ‘Se um fariseu perdesse a visão em um sábado, será que ele não buscaria a cura?’
O Caminho de Fé e a Cegueira Espiritual
A história da ‘Cura do Cego de Nascença’ simboliza a jornada de fé que se desenvolve ao longo do reconhecimento de Jesus. À medida que o homem se cura, sua evolução espiritual se torna evidente, enquanto os fariseus, mesmo com a visão, permanecem cegos devido à sua arrogância. O padre Pighin esclarece: ‘O que realmente importa nessa narração de São João não é o milagre em si, mas sim como o cego chega à sua profissão de fé em Jesus. Isso nos leva a refletir sobre como podemos também chegar a essa profissão de fé.’
A dimensão espiritual do milagre apresenta uma carga simbólica que desafia crenças estabelecidas. A fragilidade física do cego se torna um contexto propício para a revelação da misericórdia de Deus. Essa reflexão é intensificada quando o padre pergunta: ‘Por que Jesus escolheu curar um cego de nascença?’. Para Pighin, a resposta reside no fato de que todos nós, de algum modo, somos cegos. ‘Conseguimos enxergar o que é material, mas muitas vezes nos faltam os olhos da fé, que nos revelam um mundo além do que captamos com os olhos físicos. Esse mundo é o do Evangelho, de Deus e da vida eterna, que não se extingue com o fim deste mundo.’
Santa Missa e Comunidade
O padre Claudio Pighin celebra a Santa Missa todos os domingos no Grupo Liberal, localizado no bairro do Marco, em Belém. As celebrações ocorrem no hall de entrada da sede, proporcionando um espaço de reflexão e espiritualidade para a comunidade. A mensagem da homilia deste domingo reforça a importância de enxergar além das aparências e cultivar a compaixão em um mundo onde muitas vezes a indiferença prevalece.
