Aumento nas Matrículas em Tempo Integral
O número de alunos inscritos em escolas de tempo integral na rede pública do Pará apresentou um impressionante crescimento de 30% entre 2024 e 2025, segundo dados do Censo Escolar do Ministério da Educação (MEC). O estado registrou 261.397 estudantes nessa modalidade ao longo de toda a educação básica no último ano, um incremento significativo em relação às 200.698 matrículas de 2024. Este panorama reflete uma tendência nacional, onde, de acordo com o Censo Escolar 2025, houve um aumento no número de alunos em jornada integral em todas as etapas da educação básica no Brasil, da educação infantil ao ensino médio. O assunto foi destacado no último domingo (15), em celebração ao Dia da Escola.
Crescimento na Rede Estadual
Quando consideramos apenas a rede estadual, a quantidade de estudantes matriculados em escolas de tempo integral no Pará saltou de 26.021 para 43.067 entre 2024 e 2025, representando um crescimento de 52%, conforme dados da Secretaria de Estado de Educação (Seduc). O estado conta com 175 unidades de Escola de Tempo Integral, distribuídas pelas 12 regiões de integração, totalizando 18,48% da rede estadual, segundo a Seduc.
O crescimento em 2026 continuou a tendência observada no ano anterior. No último ano, 43.067 alunos em regime integral foram atendidos em 162 escolas, sendo 2.254 no ensino fundamental, 8.377 no ensino médio e 32.467 no ensino médio. Em comparação, em 2024, 26.021 alunos estavam matriculados em 113 unidades, com 1.488 alunos no ensino fundamental, 3.944 no ensino fundamental e 20.589 no ensino médio, resultando em um aumento aproximado de 65% entre 2024 e 2025, segundo a Seduc.
Benefícios do Ensino Integral
O diretor da Escola Estadual Visconde de Souza Franco, localizada no bairro do Marco em Belém, professor Daniel Santos, observou um aumento significativo na demanda por este modelo educacional. “Nos últimos dois anos e meio, a nossa escola passou de oito para 16 turmas. Em 2026, abrimos mais 160 vagas para atender melhor a comunidade”, comentou. O ensino em tempo integral permite que os alunos passem, em média, sete horas por dia na escola, em dois turnos. Essa carga horária ampliada possibilita um planejamento educacional mais eficaz, segundo Santos. “O diferencial do ensino integral está no vínculo criado entre os alunos e a escola. Isso estimula um planejamento mais eficiente, já que o tempo adicional permite que diversas situações de aprendizagem sejam abordadas de forma mais completa, além de proporcionar refeições e um ambiente de apoio emocional.”
Aprovação dos Alunos
Estudantes como Pedro Blanco, de 16 anos, aprovaram o modelo de ensino em tempo integral, destacando que a experiência proporciona um aprofundamento no aprendizado sem se tornar exaustiva. “A permanência mais longa na escola nos permite estudar mais e conviver melhor uns com os outros. Isso nos ajuda a entender melhor cada disciplina de forma prazerosa.” Nyna Sophia, de 18 anos, ressaltou a importância do programa para reduzir a evasão escolar. “Muitos jovens precisam deixar a escola devido a questões financeiras, mas aqui muitos colegas conseguem permanecer estudando.” Beatriz de La Rocque, de 16 anos, destacou que o tempo integral fomenta vínculos sociais e a construção de projetos de vida.
Desafios do Modelo Educacional
Entre os principais desafios para a ampliação das matrículas em escolas de tempo integral está a situação financeira das famílias. Daniel Santos comentou que muitos pais hesitam em matricular seus filhos nesse modelo devido à necessidade de trabalho. Mesmo com programas sociais, muitas famílias preferem que seus filhos estejam em escolas regulares para que possam trabalhar no turno oposto.
Rede Municipal de Ensino
Na cidade de Belém, 88 das 205 escolas da rede municipal oferecem ensino em tempo integral, o que representa 43% do total. Entre essas, 77 são voltadas exclusivamente para a Educação Infantil, 4 para o Ensino Fundamental e 7 atendem ambas as modalidades. As matrículas na rede municipal saltaram de 8.654 para 10.630 entre 2025 e 2026, totalizando um crescimento de 22,83%, com dados fornecidos pela Secretaria de Educação, Ciência e Tecnologia de Belém (Semec).
Atividades Complementares e Desenvolvimento Social
A ampliação do ensino em tempo integral possibilitou, na Escola Municipal Theodor Badotti, um incremento nas oportunidades de aprendizado e convivência. A coordenadora pedagógica da unidade, Tatiana Vieira, destacou que as aulas agora incluem novos componentes curriculares, como língua inglesa, educação ambiental e projetos integradores, além de atividades recreativas. A escola atualmente atende cerca de 300 alunos do 1º ao 5º ano. “É fundamental para muitas crianças, principalmente para aquelas em situação de vulnerabilidade, que têm na escola sua principal fonte de alimentação.”
Tatiana observa que a mudança para o modelo integral permitiu a diversificação das disciplinas e a integração de novos professores, tornando as aulas mais dinâmicas. Além disso, a escola promove momentos de interação entre os alunos, como jogos e brincadeiras, que favorecem o desenvolvimento social. “Embora nem todas as crianças se adaptem ao dia inteiro na escola, para muitos, esse tempo integral traz enormes benefícios.”
Avaliações Positivas dos Pais
Mães como Jéssica Almeida, de 28 anos, e Jacqueline Carvalho, de 36 anos, expressaram satisfação com a experiência de seus filhos nas escolas de tempo integral. Jéssica compartilha que o tempo integral ajudou seu filho a se afastar do uso excessivo de dispositivos eletrônicos e a se envolver em atividades educativas e esportivas. “Ele tem mostrado entusiasmo em aprender, trazendo novidades sobre o que estuda, como inglês e arte.” Jacqueline também notou melhorias na aprendizagem da filha, destacando a introdução de inglês desde os primeiros anos. “Ter contato com o idioma desde cedo pode fazer uma grande diferença no aprendizado.”
Cenário Nacional
Esse crescimento no Pará reflete uma tendência observada em todo o Brasil. O percentual de matrículas presenciais em tempo integral aumentou 10,7% na rede pública, subindo de 15,1% para 25,8% entre 2021 e 2025, conforme o Censo Escolar. Com o aumento das matrículas, o Brasil alcançou a Meta 6 do Plano Nacional de Educação (PNE) 2014–2024, que estipula que pelo menos 25% dos alunos da educação básica da rede pública devem ser atendidos em tempo integral.
