A Alta do Feijão e Seu Impacto Direto na Cesta Básica
O preço do feijão disparou em Belém, influenciando diretamente no custo de vida das famílias paraenses. Um levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA) revela que a cesta básica registrou um novo aumento em fevereiro, sendo esta a segunda alta consecutiva no ano. O valor médio da cesta alcançou R$ 674,12, apresentando uma leve variação em relação a janeiro, quando o custo era de R$ 673,55. Apesar do aumento modesto, os dados apontam uma pressão contínua sobre itens essenciais, especialmente para as famílias de menor renda.
O feijão foi um dos principais responsáveis por essa elevação. O grão registrou uma das maiores altas entre os itens monitorados e teve um peso significativo no resultado final da cesta básica. O Dieese realiza um acompanhamento semanal dos preços nos supermercados da capital, e esse monitoramento tem evidenciado uma trajetória recente de alta. Em fevereiro de 2025, o preço médio do quilo do feijão era de R$ 5,73. Em dezembro do mesmo ano, esse valor caiu para R$ 5,50, mas, no início de 2026, os preços voltaram a subir. Em janeiro, o valor do quilo passou para R$ 5,69, enquanto em fevereiro saltou para R$ 6,75.
Comparativo Mensal e Anual da Alta
O aumento registrado é significativo. No comparativo mensal, a alta do feijão atingiu 18,63%. Já no acumulado do ano, o avanço é de 22,75%. Em um período de 12 meses, o reajuste soma 17,80%. Esses índices estão bem acima da inflação oficial, que foi medida em 3,81%. Essa discrepância evidencia a pressão específica sobre alimentos básicos, refletindo diretamente no custo de vida das famílias.
Causas da Elevação dos Preços
O Dieese aponta diversos fatores que podem justificar essa alta. A quebra de safra em regiões produtoras resultou em uma diminuição da oferta, além de que os estoques internos estão reduzidos. Condições climáticas adversas também impactaram a produtividade e a qualidade do feijão. Por cima disso, o aumento dos custos de produção, que inclui insumos agrícolas e transporte, agrava a situação. Problemas logísticos têm contribuído para a manutenção dos preços elevados.
Perspectivas Futuras e Riscos
A tendência é preocupante. As análises sugerem que os preços podem continuar instáveis nas próximas semanas, e a possibilidade de novos reajustes não pode ser descartada. A oscilação nos preços dos combustíveis surge como um fator adicional de risco, uma vez que afeta toda a cadeia produtiva, desde a produção até a distribuição. Para as famílias que já enfrentam dificuldades financeiras, esses aumentos representam um desafio adicional, tornando a alimentação uma preocupação constante.
