Iniciativa Alimentar nas Escolas do Pará
No bairro do Telégrafo, em Belém, a Escola Estadual Santo Afonso tem se destacado pela diversidade de seu cardápio, que inclui pratos típicos da região, como açaí com peixe e charque frito. Essas opções não apenas atendem à rotina alimentar dos alunos, mas também reforçam a identidade cultural local.
De acordo com o diretor da escola, Máximo Rogério Passos, o objetivo é oferecer refeições equilibradas, que não apenas nutrem, mas também contribuem para o aprendizado e o bem-estar dos estudantes. “Se o aluno não estiver bem alimentado, ele não aprende plenamente e apresenta reflexos nas salas de aula, com baixo desempenho acadêmico. Identificamos que essa é a principal refeição para muitos deles, e a merenda faz toda a diferença em suas vidas e de suas famílias”, comenta.
Alimentação como Incentivo ao Estudo
A merenda escolar vai além da nutrição; ela representa um incentivo para a permanência dos alunos na escola e para o rendimento em suas atividades. O aluno Arthur Pamplona, de 13 anos, que cursa o 8º ano, destaca a importância da alimentação de qualidade para seu desempenho nas aulas. “A gente não consegue fazer nada se não estiver bem alimentado e bem nutrido. Então, o aluno já vem com a segurança de que vai comer bem. Muitas vezes, nem precisa almoçar em casa. Uma merenda tão deliciosa e bem feita como essa dá aquele gás e incentivo para o estudo e ainda valoriza nossa cultura”, afirma.
Jamilly Gabriella Castro, aluna de 14 anos do 9º ano, também enfatiza que a alimentação regionalizada aumenta o interesse dos alunos. “É mais um incentivo que a escola oferece. A comida é muito boa, de qualidade e preparada com carinho. Às vezes, a merenda é quase um almoço para nós. A fila fica grande, mas todo mundo sai bem alimentado”, relata.
Papel Vital da Nutrição no Aprendizado
Flávia Lira, nutricionista da Secretaria de Educação (Seduc), ressalta que a alimentação escolar é crucial no processo de ensino-aprendizagem. “Uma alimentação equilibrada garante, sem dúvidas, melhor qualidade de vida. Problemas de aprendizado, indisposição e sonolência podem ser sinais de falta de alimento de qualidade. Por isso, é essencial estar atento à quantidade de proteínas, carboidratos, lipídios e vitaminas ingeridas pelos alunos”, explica.
Danielle da Costa Lobato, coordenadora de Alimentação Escolar da Seduc, reforça que o programa também valoriza produtos locais e fortalece as cadeias produtivas regionais. “A alimentação escolar é uma forma de garantir, por meio dos recursos que o Governo do Estado disponibiliza aos municípios, a valorização dos alimentos de cada região, o que contribui para uma alimentação mais saudável e adequada aos estudantes”, destaca.
Incentivo à Agricultura Familiar
Além de garantir segurança nutricional para os alunos, o programa incentiva a produção da agricultura familiar, o que fortalece a economia local. Marcelo Sousa, chefe do Escritório Local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) em Igarapé-Miri, explica que cooperativas e associações podem fornecer alimentos para a merenda escolar através de editais públicos.
Entre os produtos mais comuns estão açaí, miriti, banana, laranja e melancia, variando conforme a sazonalidade. Muitos desses alimentos são consumidos in natura ou processados. Por exemplo, as polpas de açaí e de miriti são usadas em preparações tradicionais como o mingau de arroz, bastante apreciado pelos estudantes.
Para a aluna Marcella Suene, de 13 anos, do 9º ano, a qualidade da alimentação também é valorizada pelas famílias. “Minha mãe fica muito feliz em saber que a escola oferece alimento gostoso e de qualidade para mim. No projeto ‘Sabores do Mundo’, desenvolvido na Santo Afonso, conhecemos várias culturas, como a comida japonesa, americana e indiana, além de aprendermos sobre história com os professores. É muito interessante”, conclui.
