Festival Amazônia FiDoc: Uma Celebração do Cinema e da Cultura
O documentário possui uma capacidade única de devolver à Amazônia sua essência. Não se trata apenas de uma paisagem, de um recurso a ser explorado ou de um problema a ser resolvido, mas de um espaço vibrante, habitado e repleto de histórias contadas por aqueles que escolheram viver entre seus rios. Há 11 anos, o Festival Pan-Amazônico de Cinema, conhecido como Amazônia FiDoc, atua como um importante meio para essa devolução em Belém do Pará.
O festival se estende até 6 de maio de 2026 e ocupa uma série de locais emblemáticos, como o Theatro da Paz, o Sesc Ver-o-Peso, a Casa das Artes, o Cine Líbero Luxardo, o Museu da Imagem e do Som (MIS) e a Galeria Benedito Nunes. Juntos, esses espaços transformam a cidade em uma grande sala de cinema, onde toda a programação é gratuita.
Patrocinado pela Petrobras, através da Lei Rouanet de Incentivo a Projetos Culturais, o evento conta também com o apoio do Ministério da Cultura e do Governo do Brasil, além de colaborações do Governo do Estado do Pará, Sesc/Pará, Fórum dos Festivais e Mistika. A realização é uma parceria entre a Z Filmes e o Instituto Culta da Amazônia.
Um Panorama Diversificado da Produção Audiovisual
Com uma programação robusta, a 11ª edição do festival apresenta 136 obras selecionadas, abrangendo todos os nove países que compõem a Pan-Amazônia: Brasil, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Bolívia, Guiana, Guiana Francesa e Suriname. A variedade inclui curtas, médias e longas-metragens, além de mostras temáticas, masterclasses, oficinas, workshops e o 2º Fórum de Cinema das Amazônias, que reúne profissionais do setor para discutir a produção, a circulação e as políticas do audiovisual regional.
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Segundo Zienhe Castro, idealizadora e diretora geral do Amazônia FiDoc, “o festival não é apenas uma exibição de filmes; é um ato político de afirmação. Ao colocar uma produção do Acre ao lado de uma da Guiana Francesa, estamos reafirmando que a Amazônia transcende fronteiras nacionais e que suas histórias devem ser contadas e ouvidas”.
Reflexões sobre a Amazônia em 2026
A curadoria desta edição se baseia em uma lógica de escuta, em vez de simplesmente apresentar uma vitrine de filmes. As mostras são divididas em categorias bem definidas: Amazônia Legal, Pan-Amazônica, As Amazonas do Cinema, Cinema Indígena, Cinema Negro, Curumim (para todas as idades), Cinema Colombiano, Videoclipe e Videoarte, e Realidade Virtual. Cada uma delas provoca uma reflexão: qual é a perspectiva que registra a floresta?
A Mostra Amazônia Legal, por exemplo, destaca obras de estados frequentemente ausentes nas telas nacionais, como “Xingu” e “Nosso Rio Sagrado” (PA, 1h17min). Já a Mostra Pan-Amazônica inclui títulos significativos como “Shiringa, Genocídio e Resistência na Amazônia” (Peru) e “O Rio dos Espíritos” (Equador/EUA), expandindo as narrativas sobre a região.
A Mostra Cinema Indígena, realizada na Casa das Artes, apresenta obras impactantes como “Mundurukuyü” (PA, 72min) e “Ava Kuña, Aty Kuña: mulher indígena, mulher política” (MS, 25min), que não apenas mostram a presença indígena, mas também sua voz e protagonismo. Flávia Guerra, mediadora do Fórum de Cinema das Amazônias, complementa: “Quando uma mulher indígena pega uma câmera, ela não apenas produz um filme, mas reescreve quem tem o direito de contar sua própria história”.
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Formação e Conexões no Âmbito do Cinema
O Festival vai além das exibições, incorporando uma programação paralela com cinco masterclasses, oito oficinas e cinco workshops, todos gratuitos e com inscrição prévia. Os temas abordados variam desde inteligência artificial no audiovisual até direção de baixo orçamento.
Um destaque é a masterclass “O Olhar que vem do Território”, ministrada por Beka Munduruku, uma importante voz do cinema indígena brasileiro. Outra atividade, a oficina “Inteligência Artificial no Audiovisual: processos criativos e produção na prática”, conduzida por Bruno Ottati, também chama a atenção, sendo realizada ao longo de cinco dias no Sesc Ver-o-Peso.
O Amazônia FiDoc Lab & Eurodoc, em parceria com o DOC-MONDE, a Globo e o FIFAC, culmina em um evento especial chamado Amazônia FiDoc Open Pitch, que conecta realizadores da região com o mercado internacional de documentários, promovendo troca de experiências e oportunidades.
Belém como Cenário e Protagonista
A escolha de Belém como sede do festival não é acidental. A cidade, que recentemente acolheu a COP30, é um microcosmo das tensões entre desenvolvimento e conservação, entre o global e o local. O Theatro da Paz foi o local da abertura em 28 de abril, com a apresentação do quarteto de cordas da Orquestra Paraense de Cinema, acompanhada pela estreia do documentário sobre Dona Onete. O encerramento, que acontecerá no Cine Líbero Luxardo no dia 6 de maio, também promete ser um marco.
Durante nove dias, o festival preencherá as salas de Belém com filmes que abordam temas como rios sagrados, genocídios, a infância na Amazônia, democracia e a realidade virtual produzida no Norte do Brasil, além de destacar as vozes das mulheres que narram histórias ignoradas. Esta programação não apenas se impõe, mas reafirma um legado de 11 anos de resistência e a crença de que a Amazônia tem muito mais a oferecer do que o mundo ainda se dispõe a ouvir.
Sobre a Petrobras e a Z Filmes
A Petrobras, uma das principais empresas do Brasil, atua de maneira integrada nas indústrias de óleo, gás natural e energia, além de investir em cultura ao longo de mais de 40 anos, patrocinando projetos que enriquecem a cultura brasileira em todos os estados. A Z Filmes, fundada em 1988 em Belém, é conhecida por produzir conteúdos autorais que discutem as complexidades e potencialidades da região amazônica. Como produtora oficial do Festival Pan-Amazônico de Cinema – Amazônia FiDoc, a Z Filmes promove o intercâmbio cultural e dialoga sobre as diversas realidades que compõem a Pan-Amazônia.
