Círio de Nazaré e a presença política nas manifestações culturais
Em Belém do Pará, o Círio de Nazaré, uma das maiores celebrações religiosas e culturais da região, ganhou novos contornos este ano. Durante o tradicional Auto do Círio, que ocorre na sexta-feira anterior à grande procissão, o evento de rua que une teatro, dança, música e fé, revelou um cenário onde a cultura se entrelaçou com manifestações espontâneas de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O público presente exibiu camisetas, adesivos, bonés, cartazes, bandeiras e uma profusão de roupas vermelhas, símbolo da campanha de Lula. Para muitos, essa presença política dentro da festividade não rompe com o espírito da celebração, mas reflete o pluralismo da sociedade paraense.
Expressões de fé e política convergem no Círio
Milena Cunha, advogada e poeta que participa anualmente do Círio, ressalta que as manifestações políticas são uma parte legítima da convivência social. “As manifestações de apoio ao presidente Lula expressam uma posição política, uma visão de país e uma avaliação de seu projeto de governo”, disse à Revista Fórum, destacando a importância do respeito à liberdade religiosa e ao direito de expressão.
Milena integra a ala “Patrimônio e cultura popular” do Auto do Círio e acredita que o evento é mais do que uma celebração religiosa: é um espaço onde diferentes realidades e visões de mundo se encontram. Para ela, manifestar-se politicamente nesse contexto é reafirmar a diversidade cultural e exercer a cidadania.
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O cortejo e as vozes que ecoam em Belém
Durante o cortejo, que partiu da Praça do Carmo e terminou no Palácio Lauro Sodré, na Cidade Velha, o público entoou o tradicional grito de “olê, olê, olê, olá; Lula, Lula”, acompanhando com o gesto do “L” com os dedos. Entre as frases mais ouvidas estavam “vamos virar” e “já viramos”, acompanhadas de críticas contundentes a Flávio Bolsonaro e à extrema direita.
Angela Teodoro Grillo, professora de literatura da Universidade Federal do Pará (UFPA), vestida de vermelho em apoio a Lula, destacou a mudança no ambiente político em relação às eleições anteriores. “Hoje temos a liberdade de nos manifestar sem medo”, afirmou, lembrando que em 2022 havia um clima de ameaça para aqueles que expressavam apoio ao presidente.
Democracia, direitos e desafios no Brasil contemporâneo
Para Angela, a eleição de Lula representa a garantia de avanços em áreas essenciais como educação, saúde e direitos das mulheres. Ela ressalta também os riscos associados a candidaturas que estimulam a violência cotidiana, o silenciamento e a banalização da misoginia, racismo e homofobia, destacando a importância de um voto consciente.
Antes do Auto do Círio, na sexta-feira (9), a Caminhada Pará com Lula reuniu estudantes, movimentos sindicais e apoiadores na capital paraense. Cartazes com mensagens como “Bolsonaro nunca mais” e “Ditadura nunca mais” ecoaram entre o público, evidenciando o clima político da mobilização.
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Arrastão do Círio celebra cultura e reforça apoio a Lula
No sábado (10), o Arrastão do Círio, liderado pelo Arraial do Pavulagem, grupo cultural que representa a música, dança e saberes populares amazônicos, trouxe um cortejo vibrante e colorido. Cerca de 30 mil pessoas participaram, número recorde segundo os organizadores.
Raquel Reis, designer carioca que acompanhou o cortejo, vê no momento uma decisão importante para o país. “Temos que optar pela democracia e pelo respeito às diferenças, em defesa da soberania do país”, afirmou.
Fé, razão e política caminham juntas em Belém
Às margens da Baía do Guajará, na Estação das Docas, o pedagogo e militante Roberto Pacífico comandou uma manifestação em apoio a Lula após o Círio Fluvial. Para ele, a fé deve andar lado a lado com a razão na busca por liberdade, justiça e igualdade.
Em tom enfático, Roberto destacou a importância da eleição para a preservação da democracia e da soberania nacional. “Este país é nosso e será dos nossos filhos e netos. E vamos vencer. Sem medo de ser feliz”, concluiu, arrancando aplausos dos presentes.
