Agravamento da Violência e Contexto Racial
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção do Pará (OAB-PA) manifestou preocupação com a agressão sofrida por um homem em situação de rua em Belém, supostamente perpetrada por dois estudantes de direito de uma instituição privada. Em comunicado, a OAB enfatizou que “não se pode ignorar a dimensão racial do caso”, referindo-se à prevalência de violência contra pessoas negras em situações vulneráveis. Segundo a nota, essa violência está intrinsecamente ligada a uma estrutura de racismo arraigada na sociedade brasileira.
A OAB-PA cobrou uma apuração rigorosa da situação, além da responsabilização dos envolvidos. Os estudantes foram identificados como Altemar Sarmento Filho e Antônio Coelho, e compareceram à delegacia de Polícia Civil no bairro de São Brás no dia 14 de novembro, onde decidiram permanecer em silêncio durante o depoimento.
Investigação e Reações da Sociedade
Conforme apurações preliminares, Altemar é acusado de utilizar uma arma de choque contra a vítima, enquanto Antônio teria sido responsável por documentar as agressões. A defesa de Antônio alegou desconhecimento do envolvimento do estudante e que ele só tomou conhecimento dos fatos pela mídia. Por sua vez, Altemar, que compareceu acompanhado de advogados, optou também por não prestar declarações.
O advogado de Altemar argumentou que a arma de eletrochoque utilizada não era letal e que apresentava danos. A Polícia Civil já registrou um boletim de ocorrência e instaurou inquérito para investigar os fatos. O dispositivo de choque foi apreendido e será submetido a uma perícia.
Testemunhas locais relataram que as agressões contra o homem em situação de rua não são um fato isolado e que ocorreram repetidamente antes do incidente. O caso começou a ganhar notoriedade após uma confusão em frente à instituição de ensino na segunda-feira, dia 13.
Mobilização Social e Consequências
Na manhã do dia do ataque, entregadores de aplicativo se revoltam com a brutalidade da cena, que foi amplamente divulgada nas redes sociais. Vídeos mostram um dos estudantes aplicando descargas elétricas na vítima, que caminhava desavisada. Em um dos vídeos, é possível ver os agressores rindo enquanto cometiam a violência, o que desencadeou uma onda de indignação pública.
As reações não se limitaram às redes sociais, com o Ministério Público Federal (MPF) e uma deputada estadual na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) exigindo ações imediatas contra os responsáveis. A instituição de ensino, por sua vez, afastou os alunos da universidade após o incidente.
De acordo com relatos de testemunhas, os entregadores que presenciaram as agressões tentaram intervir, mas os estudantes conseguiram se refugiar dentro do Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa), levando à intervenção da Polícia Militar.
A Polícia Civil continua a investigar as circunstâncias do ataque, bem como possíveis ligações dos envolvidos com outros incidentes de violência similares. A repercussão do caso levanta discussões sobre a desumanização de pessoas em situação de vulnerabilidade social e a necessidade de efetivas medidas de prevenção e punição contra atos de racismo e violência.
