Custo do Bacalhau do Porto e Suas Consequências
O preço do bacalhau do Porto em Belém apresentou um aumento significativo de 14,8% nos últimos 12 meses, saltando de R$ 197,37 em março de 2025 para R$ 226,58 em março de 2026, conforme dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA). Essa alta ultrapassa a inflação do período, que está em torno de 3,8%. O bacalhau, que é um alimento tradicional durante a Semana Santa, tem se tornado uma opção cada vez mais cara para os consumidores, que agora buscam alternativas mais acessíveis em supermercados e feiras na capital paraense.
No supermercado da avenida Duque de Caxias, localizado no bairro do Marco, a aposentada Inês Cabral estava atenta às opções disponíveis. Ela analisava o bacalhau do Porto em comparação com alternativas mais baratas, como o saithe. “Esse aqui está R$ 93,90 o quilo, mas o do Porto está muito caro. Menos de meio quilo está R$ 113, então o quilo dele vai para mais de R$ 270”, observou Inês, que apesar de reconhecer a qualidade do produto, optou por comprar o saithe. “Eu amo bacalhau, mas acho que não vou levar o do Porto. Vou levar o saithe, porque também conheço”, disse.
Para Inês, a tradição de consumir peixe durante a Semana Santa é mais uma questão familiar do que um mandamento religioso. “É costume de família. Se não puder comprar, a gente come frango, mas por preferência eu procuro manter”, comentou a moradora do bairro do Umarizal.
A Escolha do Consumidor Diante do Preço Elevado
A professora Graça Marques também demonstrou preocupação com os preços. Embora não tenha o hábito de consumir bacalhau na Semana Santa, decidiu conferir as opções no supermercado. “Normalmente eu compro mais no Natal, mas hoje deu vontade”, revelou. Apesar do preço elevado, Graça notou uma leve redução em comparação ao passado. “Está caro, né? Mas já teve época em que estava ainda mais caro, que eu nem tinha coragem de comprar. Hoje eu olhei e até deu coragem, apesar de ainda estar alto”, disse, reforçando sua preferência pelo bacalhau do Porto, embora o custo influencie sua decisão.
Na Feira do Pescado, situada na Aldeia Amazônica, no bairro da Pedreira, os consumidores estão optando por alternativas mais em conta. A polaca-do-Alasca salgada e seca tem sido uma das opções mais procuradas pelos visitantes. O feirante Danton Moreira explicou que o bacalhau não corresponde a uma espécie de peixe específica, mas sim a um processo de salga de diversos peixes do mar. “Aqui trabalhamos com a polaca do Alasca, que também é salgada e seca”, afirmou.
Com um preço de R$ 82 o quilo, a polaca tem atraído muitos compradores nos primeiros dias de venda. “A procura está bem grande. A gente já encheu duas basquetas e está indo para a terceira”, destacou Danton, evidenciando a demanda por opções mais acessíveis.
Adaptações na Tradição de Consumo
Com o aumento nos preços do bacalhau e a inflação em alta, o cenário deste ano revela consumidores mais atentos e dispostos a ajustar suas tradições ao seu orçamento. Embora o bacalhau continue a ser um alimento marcante durante a Semana Santa, muitos estão optando por substitutos mais em conta. A escolha entre manter a tradição e equilibrar as contas tornou-se um dilema para muitos, refletindo as mudanças no comportamento de compra da população em tempos de crise.
