Moda circular ganha força e movimenta economia local
O crescimento dos brechós em Belém tem sido uma resposta clara à crescente demanda por consumo consciente na cidade. Com preços acessíveis, peças exclusivas e uma forte preocupação ambiental, esse segmento da moda sustentável vem se consolidando como uma alternativa valorizada tanto por consumidores quanto por empreendedores locais. Após a pandemia, o setor registrou uma expansão significativa, e empresários do ramo apontam para uma tendência de crescimento contínuo nos próximos anos.
Curadoria e diversidade como motores do mercado
Com mais de três décadas de experiência, a empresária Cássia Meireles, proprietária de uma rede de brechós na Avenida Boulevard Castilho França, destaca que o negócio tem raízes familiares e passou por uma evolução constante. “O brechó nasceu através dos meus sogros há 30 anos. Atuamos nesse mercado há mais de 30 anos”, relata.
Segundo Cássia, as mercadorias chegam principalmente de São Paulo em grandes fardos. Após uma seleção minuciosa, as peças são distribuídas entre as três lojas, respeitando o perfil de cada unidade. “Hoje nós recebemos de vários estados, mas o nosso maior fornecedor é São Paulo. As peças chegam em fardos, são triadas e depois distribuídas para as três lojas, de acordo com o perfil de cada uma”, explica.
A estratégia de precificação acompanha essa segmentação. A loja matriz concentra peças populares, com valores mais acessíveis, enquanto as unidades voltadas a um público que busca marcas renomadas oferecem itens de grifes com maior valor agregado.
Quebra de preconceitos e ampliação do público consumidor
Cássia Meireles observa que a percepção sobre os brechós mudou consideravelmente nos últimos anos. “Depois da pandemia, o mercado de brechó teve um crescimento muito importante. As pessoas estão deixando de ter aquele preconceito e estão vendo que são peças de qualidade, exclusivas e duráveis. Acredito que esse mercado tem muito a crescer”, afirma.
Leia também: Semana dos Brechós é oficializada no Paraná e fortalece economia sustentável
Fonte: curitibainforma.com.br
O público abrange diferentes classes sociais, com maior concentração nas classes C, D e parte da B. Para a empresária, a exclusividade das peças é um diferencial essencial. “O principal é a exclusividade. Você vai encontrar uma peça que ninguém vai ter. Claro que o preço também ajuda muito. Você compra uma peça durável, de qualidade e por um valor acessível”, destaca.
Confiante no futuro do segmento, Cássia cita estudos que indicam um espaço crescente para os brechós na economia local e nacional. “As estatísticas e os estudos de mercado mostram que os brechós vão ganhar um grande espaço na economia nos próximos anos”, diz.
Economia, estilo e qualidade valorizados pelos consumidores
Entre os frequentadores assíduos, a costureira, alfaiate e soldadora Bete Rodrigues destaca a variedade e exclusividade encontradas nas lojas. “Tem coisas que para muitos não valem nada, mas para nós são de primeiríssima. Além de ser costureira e alfaiate, gosto muito dos estilos que encontro aqui. Eu não gosto de repetir roupa e no brechó sempre encontro novidades”, conta.
Bete ressalta que os preços são justos em relação à qualidade. “Elas estão num bom preço. Está variável”, avalia. Sobre a conservação das peças, ela é enfática: “A qualidade é muito boa. As roupas são bem conservadas”.
Além do aspecto econômico, a possibilidade de adquirir roupas exclusivas por valores acessíveis é valorizada. “Tem roupas que você não encontra no shopping ou que são muito caras. Aqui você encontra por um preço bem acessível, que dá para todo mundo usar”, acrescenta.
Jovens reforçam o papel da moda sustentável
A preocupação ambiental também motiva a escolha de consumidores mais jovens. A estudante do ensino médio Manuella Filizola destaca que comprar em brechós é uma forma eficaz de contribuir para a sustentabilidade. “Comprar no brechó é uma ação que ajuda muito o planeta, já que influencia na moda sustentável”, afirma.
Manuella já cultiva o hábito de consumir roupas de segunda mão, valorizando tanto a economia quanto a preservação ambiental. “É muito gratificante encontrar uma peça em bom estado, saber que você vai usar bastante, pagar um preço acessível e ainda ajudar o planeta Terra com esse processo”, explica.
Ela também destaca a variedade disponível como um atrativo. “Existe muita variedade no brechó. Mesmo que uma peça não esteja em um estado muito bom, eu enxergo potencial porque posso customizá-la”, conclui.
