Preços da castanha-do-pará estabilizam em Belém após pico recente
O mercado da castanha-do-pará em Belém apresenta estabilidade nos preços neste início de julho, após um período de forte valorização. Comerciantes do Complexo do Ver-o-Peso indicam que os valores atuais são inferiores aos momentos em que o quilo atingiu patamares entre R$ 190 e R$ 200. O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA) confirma que os preços vêm se mantendo estáveis em relação aos meses anteriores.
A oferta maior influencia os preços e o consumo
Segundo o supervisor técnico do Dieese Pará, Everson Costa, a intensa alta observada após a COP 30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas) deu lugar a um cenário mais equilibrado. Atualmente, o quilo da castanha descascada graúda oscila entre R$ 120 e R$ 150, principalmente no Complexo do Ver-o-Peso, onde a maior oferta permite negociação. Em supermercados, os preços ultrapassam R$ 100 por quilo, refletindo embalagens e diferentes classificações do produto.
Comerciantes atribuem a redução dos preços à melhora da safra neste ano. João Batista Lopes Ferreira, vendedor na região, destaca que o quilo da castanha, que chegou a custar entre R$ 190 e R$ 200, agora é comercializado entre R$ 130 e R$ 140. Ele ressalta que a safra foi favorecida pelo fim da estiagem que prejudicava a produção nos anos anteriores.
Os preços variam ainda conforme a classificação da castanha: tipos extra larje, larje, média e pequena custam entre R$ 100 e R$ 130 por quilo, enquanto as castanhas quebradas, caseiras ou industriais, ficam entre R$ 50 e R$ 80.
Perspectivas indicam alta nos preços no segundo semestre
Apesar da estabilidade atual, vendedores esperam que os preços subam nos próximos meses, acompanhando o encerramento da safra e a consequente redução da oferta. João Batista prevê que os valores comecem a subir a partir do segundo semestre. Rosimar Chaves, outro comerciante local, reforça que essa dinâmica é tradicional no mercado da castanha-do-pará, com preços mais baixos durante a safra e alta gradual a partir de agosto e setembro.
Rosimar explica que a oferta da castanha natural gira em torno de R$ 100 o quilo e diminui durante o verão, retornando com o início das chuvas entre dezembro e janeiro. “Todo ano ela tem essa queda na safra. Depois, quando começa o verão, ela vai sumindo. Só quando volta a chover é que a castanha aparece novamente”, detalha.
Para Everson Costa, a maior disponibilidade do produto no Ver-o-Peso beneficia o consumidor, que encontra mais opções e maior margem para negociação. Mesmo com a expectativa de aumento gradual no segundo semestre, o mercado segue estável neste momento.
