Chuvas Intensificam Desafios para Entregadores e Pequenos Negócios em Belém
As chuvas torrenciais em Belém têm gerado impactos significativos nas atividades comerciais e na rotina dos entregadores que trabalham com aplicativos. Em 2026, a situação se agrava, apresentando um cenário mais crítico em relação a anos anteriores, com alagamentos frequentes, atrasos nas entregas e uma clara diminuição nas vendas de pequenos empreendimentos.
Um dos profissionais afetados, o entregador Kleberson Pereira, de 31 anos, que atua na área desde 2021, compartilha como as chuvas interferem na sua produtividade. “As ruas ficam completamente alagadas, o que pode causar problemas na moto e impossibilitar o acesso a certos locais. Isso atrasa não apenas as entregas, mas também a nossa rotina diária”, comenta.
Ele revela que a situação se tornou recorrente. “Certa vez, levei 40 minutos apenas para contornar um alagamento. O trânsito fica parado e as opções se esgotam”, conta Kleberson, ressaltando a falta de infraestrutura que agrava a situação.
“Trabalhamos ao ar livre e, em dias de forte chuva, precisamos nos abrigar onde conseguimos. Não há pontos de apoio suficientes, nem locais para carregar celular ou se proteger”, lamenta. Apesar das adversidades, a demanda por serviços de entrega tende a aumentar em dias chuvosos, uma vez que muitos entregadores optam por não trabalhar nessas condições, o que eleva o número de pedidos para aqueles que permanecem ativos.
Por outro lado, os pequenos negócios enfrentam uma queda significativa no movimento durante as chuvas. Gilberty Silva, de 31 anos, comerciante que atua na venda de hambúrgueres e hot dogs, afirma que os dias chuvosos impactam diretamente seu faturamento. “Quando as ruas alagam, as pessoas deixam de sair e, consequentemente, as vendas caem bastante”, explica.
Além da diminuição no fluxo de clientes, Gilberty destaca os desafios para manter a operação. “Meus funcionários frequentemente enfrentam dificuldades para chegar ao trabalho, já que muitos dependem de transporte por aplicativo e residem longe. Isso afeta diretamente a operação”, relata.
Embora a demanda por entregas aumente em dias chuvosos, os desafios logísticos permanecem. “As entregas atrasam e o lanche pode chegar frio, uma vez que o entregador precisa desviar de áreas alagadas. Tudo isso prejudica a experiência do cliente”, acrescenta o comerciante.
O impacto das chuvas é ainda mais pronunciado nos fins de semana, período em que o comércio normalmente registra um maior faturamento. “Este é nosso momento mais forte. Quando chove, o negócio quebra”, resume Gilberty, evidenciando a gravidade da situação enfrentada por pequenos empresários na capital paraense.
