Produção artesanal movimenta economia local
As fábricas de objetos de cera no centro histórico de Belém estão em plena atividade para o Círio de Nazaré 2026. Estima-se que entre 100 mil e 120 mil peças sejam produzidas, distribuídas em cerca de 92 tipos diferentes. Os itens mais requisitados são representações de partes do corpo humano, como cabeças, e casas, mas há também encomendas de veículos, animais e objetos personalizados, todos ligados às promessas feitas pelos devotos a Nossa Senhora de Nazaré.
Calendário religioso dita ritmo da produção
Pedro Barbosa, gestor e comerciante de uma dessas fábricas, explica que a produção para o Círio começou em maio e seguirá até o início de setembro, quando a empresa se prepara para atender a demanda do período de Finados. “A produção para o Círio já começou. Este ano, iniciamos em maio para atender ao material específico da quadra nazarena”, afirma.
O trabalho ao longo do ano acompanha o calendário religioso. Após a fabricação de velas para a Semana Santa, a equipe reorganiza as atividades para iniciar a produção dos objetos destinados ao Círio. A variedade é grande, com quase cem tipos diferentes de peças, que totalizam até 120 mil unidades.
Pedidos tradicionais e inusitados refletem promessas dos fiéis
Entre os objetos mais procurados estão cabeças e casas, que simbolizam pedidos comuns entre os devotos. “Focamos muito na maior demanda — cabeça e casa”, comenta Barbosa. Além disso, a fábrica produz caminhões, carros, diplomas, carteiras de motorista, celulares e animais como bois e vacas. A partir de setembro, mesmo após o encerramento da produção regular, a empresa recebe pedidos diferenciados, como balsas e barcos.
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Fonte: belembelem.com.br
A criatividade dos fiéis rende encomendas surpreendentes. Barbosa lembra de um homem que solicitou um boneco de cera com aproximadamente 1,60 metro, sua própria altura. “Ele pediu para fazermos um boneco do tamanho dele. Expliquei que o custo seria alto e sugeri um menor, mas ele respondeu que o valor não importava, queria cumprir a promessa”, relata.
Para atender a esses pedidos especiais, a fábrica busca alternativas e garante: “Nunca deixamos ninguém sem a promessa. Fazemos o possível para produzir o que for solicitado”.
Demanda cresce em todo o Pará com aproximação do Círio
Enquanto a demanda para o Círio de Belém ainda não alcançou seu pico, a procura já está ativa em outras regiões do Pará. Ana Lucia Brauna, empresária e proprietária de outra fábrica de cera no centro histórico, afirma que as encomendas já somam milhares de peças. “Não tenho um número exato, mas posso garantir que são milhares”, diz.
Ela explica que a produção é planejada com base no resultado do ano anterior e que as entregas já são feitas a clientes e estabelecimentos que comercializam objetos de promessa, especialmente para os Círios do interior do estado, que acontecem antes do evento em Belém. A expectativa é que as vendas aumentem ainda mais em setembro.
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Pedidos extraordinários e preços acessíveis
A criatividade dos devotos também se manifesta em pedidos fora do comum. Ana Lucia lembra de um cliente que solicitou um pirarucu de dois metros, mas a produção foi limitada pelo processo artesanal e pelos moldes disponíveis. “Tudo depende das formas que temos. Um pirarucu desse tamanho é impossível fazer”, explica.
Em casos especiais, a fábrica usa técnicas como o banho em parafina para criar peças únicas. Foi assim que produziram uma réplica do cinturão do UFC para a promessa feita pela esposa de um treinador. “Banharam todo o cinto para cumprir a promessa”, conta.
Os preços variam conforme tamanho e complexidade, com valores que vão de R$ 7 a R$ 45. Peças menores custam entre R$ 7 e R$ 20, enquanto braços e pernas de cera podem chegar a R$ 45. O cálculo do preço considera o tempo artesanal dedicado a cada peça e os eventuais refazimentos devido a defeitos durante a moldagem.
Crescimento do Círio impulsiona expectativa de vendas
As fábricas acompanham a ampliação do público do Círio e projetam vendas crescentes. “O Círio aumenta a cada ano o número de participantes, e isso eleva a demanda por objetos de promessa”, observa Ana Lucia. A expectativa é que a quadra nazarena de 2026 movimente ainda mais a economia local, gerando emprego e renda para o setor artesanal da cidade.
