Regras e desafios para a torcida nos condomínios durante a Copa
Com a proximidade da copa do mundo de 2024, síndicos, administradoras e moradores já começam a se preparar para as questões práticas que acompanham o evento. Entre as dúvidas mais frequentes estão: é permitido pendurar a bandeira do Brasil na sacada do apartamento? Como reservar o salão para assistir aos jogos em grupo? E quanto às comemorações noturnas e o respeito às regras de silêncio?
Para que esse período seja harmonioso, o planejamento antecipado por parte dos síndicos é essencial. Cada condomínio possui suas próprias normas, e durante eventos festivos, algumas regras podem ser flexibilizadas para acomodar melhor a celebração.
Comunicação clara e assembleias extraordinárias são fundamentais
Segundo Rafael Verdant, especialista em Direito Imobiliário do Amelo Advogados, é crucial que os síndicos estabeleçam uma comunicação transparente com os moradores. Isso inclui reforçar as regras já existentes e tornar públicas eventuais normas provisórias, muitas vezes esquecidas pela comunidade condominial.
“O melhor caminho para antecipar e solucionar possíveis conflitos é convocar uma assembleia extraordinária, onde as decisões sejam tomadas pela maioria dos presentes”, afirma Verdant. Ele destaca ainda que regras transitórias que não conflitem com a convenção do condomínio podem ser aprovadas por quórum simples e que, atualmente, essas reuniões podem ocorrer de forma remota, ampliando a participação dos moradores.
Bandeira do Brasil na sacada: alteração na fachada e limites
É comum que os condôminos queiram demonstrar sua torcida pendurando a bandeira do Brasil nas varandas. No entanto, o Código Civil permite que condomínios definam normas para a padronização e conservação da fachada, o que pode incluir restrições a elementos externos.
“Do ponto de vista estético, a bandeira representa uma alteração visual na fachada, já que não faz parte da estrutura original. Contudo, por se tratar de um período curto e com justificativa plausível, não há razão para que os condomínios proíbam a exibição temporária da bandeira”, explica Verdant.
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Ele compara essa situação às luzes de Natal, que também alteram a fachada mas são geralmente liberadas durante o período festivo. Ainda assim, as regras precisam ser claras e formalizadas para evitar conflitos.
Cuidados extras com bandeiras políticas e documentos a consultar
Este ano, com as eleições municipais em outubro, o tema ganha uma nova dimensão. “Bandeiras com cunho político-partidário não podem ser hasteadas em condomínios, pois o ambiente é coletivo e deve permanecer neutro”, ressalta Verdant.
Antes de instalar qualquer item externo, os moradores devem consultar quatro documentos essenciais do condomínio para evitar problemas futuros, garantindo que a ação esteja de acordo com as normas vigentes.
Tradição, união e segurança dos moradores durante a Copa
Moradora há 31 anos de um condomínio local, uma entusiasta relembra o hasteamento do primeiro bandeirão, ocorrido quando tinha apenas oito anos. “Hoje, mesmo com a rotina mais acelerada, a Copa reúne os moradores, que aproveitam para rever amigos e fortalecer a união”, conta.
Neste Mundial, a expectativa é erguer a bandeira após o Brasil entrar em campo e disponibilizar um telão para que os moradores e seus convidados assistam aos jogos juntos. Porém, a presença de visitantes aumenta o risco de golpes e invasões, alerta Luciana, responsável pela segurança do condomínio.
“O aumento do fluxo de pessoas eleva também as tentativas de entrada indevida e furtos. Por isso, é fundamental que os moradores estejam atentos e que as regras sejam respeitadas”, destaca.
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Fonte: atividadenews.com.br
Convivência e troca de figurinhas fortalecem o senso de comunidade
A troca de figurinhas do álbum da Copa em áreas comuns tem sido uma forma de aproximar crianças, adolescentes e adultos, promovendo a convivência entre os moradores. “Essa interação reforça o senso de comunidade”, afirma Angélica Arbex, diretora de Marketing e Estratégia da Lello Condomínios, que apoia iniciativas para facilitar esses pontos de troca.
Respeito ao silêncio e limites legais durante os jogos noturnos
A maioria das partidas do Brasil na primeira fase ocorre à noite, momento que exige atenção especial às regras de silêncio. Especialistas são unânimes ao afirmar que nem o síndico nem a assembleia podem suspender a legislação municipal vigente.
O condomínio pode flexibilizar seus horários internos para uso de áreas comuns, desde que respeite os limites legais. “Se o condomínio tem moradores idosos ou enfermos, isso deve ser considerado. A Copa não pode suspender a convenção interna, mas o síndico pode agir preventivamente, comunicando os horários dos jogos e reforçando o respeito aos limites de ruído”, explica Verdant.
Multas e penalidades: respaldo nas regras e possibilidade de contestação
Quando o diálogo não resolve os conflitos, a aplicação de multas pode ocorrer, desde que baseada em regras previamente aprovadas pelo condomínio. A notificação prévia não é obrigatória; basta o descumprimento da norma para que a penalidade seja aplicada.
“Caso o morador considere a multa excessiva ou fundamentada em regra inválida, ele pode contestá-la judicialmente e, se a penalidade for anulada, pode até pleitear indenização contra o condomínio”, esclarece Verdant.
