Moradores denunciam precariedade da saúde pública em Mosqueiro
Moradores do distrito de Mosqueiro, em Belém, estão enfrentando uma grave crise na saúde pública local. Conhecida por ser um dos destinos turísticos mais procurados do Pará, a ilha sofre com problemas que afetam não só os residentes, mas também visitantes de diversas regiões. As denúncias envolvem o Hospital Geral de Mosqueiro e os postos de saúde da região, que sofrem com falta de exames essenciais, demora na transferência de pacientes, ausência de medicamentos e insuficiência estrutural para casos graves.
Além das dificuldades no atendimento, a erosão nas margens da ilha tem causado danos materiais significativos, prejudicando moradores, comerciantes e comprometendo o turismo. Este cenário impacta diretamente a geração de emprego e renda local. A situação em Mosqueiro se soma à crise já existente na saúde pública de Belém, denunciada em unidades como o PSM da 14 e diversos postos da capital.
Protestos revelam dores e desafios enfrentados pelos moradores
No dia 15 deste mês, moradores de Mosqueiro organizaram um protesto bloqueando a rodovia de acesso ao portal da ilha para manifestar a insatisfação com o atendimento no Hospital Geral. Entre as principais reivindicações estão a falta de leitos de UTI, ausência de aparelho de tomografia, carência de UTI móvel, insuficiência de leitos de obstetrícia, estrutura hospitalar precária e demora nas transferências de casos graves.
Marinéia Assis Sodré, diarista de 38 anos, relatou a perda recente de um primo devido às dificuldades no atendimento. Ele deu entrada no hospital com fortes dores de cabeça, precisando urgentemente de uma tomografia, exame indisponível na unidade. A transferência para um leito de UTI em Belém só foi possível após intervenção do Ministério Público, mas o paciente não resistiu.
“O primo estava com uma dor muito forte na cabeça e precisava do exame de tomografia, que não tem aqui. Ele ficou internado por uma semana esperando a transferência e, quando conseguiu, foi tarde demais”, contou Marinéia. Ela também apontou problemas frequentes, como demora no atendimento e falta de medicamentos nos postos de saúde da ilha, o que dificulta o cuidado básico para suas filhas.
Casos críticos e apelos por atenção das autoridades
Outra moradora, que preferiu não ser identificada, compartilhou o drama do pai, Antônio Carlos Pantoja, de 75 anos, internado há quase um mês no Hospital Geral de Mosqueiro. Com problemas renais e hepáticos agravados, ele aguarda transferência para tratamento especializado, mas enfrenta respostas desanimadoras da equipe médica.
“O médico disse que, pelo estado dele, a transferência está difícil e que deveríamos ficar mais próximos. A sensação é de que não há esperança”, lamentou a filha. A família já buscou auxílio político e outras formas de apoio, mas até o momento não obteve sucesso na transferência.
Precariedade hospitalar e falta de recursos agravam situação
A autônoma Maria Rosiane Bitencourt, conhecida como Rosy, também participou do protesto após seis dias de espera por um leito para um conhecido vítima de acidente de moto. O atraso nas transferências levou os moradores a bloquearem novamente o acesso à ilha para cobrar providências.
Rosy denunciou que, além da falta de recursos básicos como medicamentos e exames, os familiares têm que arcar com materiais hospitalares para manter os pacientes internados. Relatou ainda problemas de higiene no atendimento, exemplificados pelo paciente Pedroca, que está internado em coma após duas cirurgias na cabeça no Hospital Beneficente Portuguesa, em Belém.
“Ele chegou ao hospital com infecção por falta de higiene, mesmo com a gente comprando os materiais necessários”, afirmou Rosy. A autônoma destacou também o abandono da infraestrutura local, com ruas e orlas em condições precárias, afetando a qualidade de vida dos moradores.
Reivindicações urgentes dos moradores de Mosqueiro
Diante do cenário crítico, os moradores exigem medidas imediatas para melhorar a saúde pública na ilha. Entre os pedidos estão a implantação de mais leitos de UTI, disponibilização de aparelho de tomografia, implantação de UTI móvel, ampliação dos leitos de obstetrícia, melhor estrutura hospitalar com profissionais capacitados, garantia rápida de transferência para hospitais de Belém e um atendimento mais eficiente para pacientes em estado grave.
Essas demandas refletem a necessidade de um olhar atento das autoridades para Mosqueiro, garantindo que seus moradores tenham acesso a serviços de saúde dignos e que o turismo local, fonte importante de renda, não seja prejudicado pela falta de infraestrutura.
