Oficina de Embalagens de Miriti impulsiona a criatividade dos artesãos
Transformar o miriti em embalagens que valorizem os produtos artesanais foi o foco da oficina realizada na sede do sebrae no pará, em Belém, no dia 10 de julho. Essa iniciativa buscou estimular a criatividade dos artesãos locais, promovendo técnicas que agregam valor e identidade às peças produzidas com essa matéria-prima típica da região.
A atividade integra o projeto Impulsionar Negócios do Artesanato, uma série de capacitações e experiências práticas promovidas pelo Sebrae/PA para ampliar o repertório dos participantes e fortalecer seus empreendimentos. A oficina contou com o artesão mestre Pirias, de Abaetetuba, cidade reconhecida pela tradição no artesanato em miriti. Ele não só ensinou os métodos de criação das embalagens, como também apresentou possibilidades de uso do material, além de compartilhar informações sobre fornecedores e outros insumos necessários para o processo.
Capacitação alinhada às necessidades dos artesãos
Cyani Marinho, gestora do projeto, explica que o tema da oficina foi escolhido pelos próprios artesãos, que enfrentam desafios para criar embalagens que destaquem seus produtos e proporcionem uma experiência única ao consumidor. “Muitos já possuem produtos desenvolvidos, mas ainda buscam formas de apresentação que valorizem seu trabalho”, afirma.
Entre os participantes, Flávio de Souza, ceramista do distrito de Icoaraci, considera essencial a oportunidade: “Essa capacitação é muito boa. Estou aprendendo a fazer embalagens diferenciadas para as minhas peças. Como o miriti é um material sustentável e da nossa região, acredito que isso vai agregar valor ao meu trabalho”.
A artesã bordadeira Acenet Andrade também vê na iniciativa uma chance de aprimorar suas criações. “A oficina é importante para adquirir conhecimentos que me permitam fazer embalagens sustentáveis com matéria-prima local. Quero usar o miriti não só para embalagens, mas também como moldura para meus bordados”, destaca.
Projeto amplia repertório e oferece experiências práticas
O Impulsionar Negócios do Artesanato reúne atualmente 27 artesãos de segmentos variados, incluindo acessórios, joias, madeira, cerâmica, bolsas e produtos feitos de fibras e outros materiais. A estratégia combina capacitação técnica, consultorias e experiências práticas para ampliar o conhecimento dos participantes.
Ciani reforça que, desde o início, os artesãos têm participado de atividades relacionadas a marketing, comercialização e desenvolvimento de negócios. Além disso, saídas fora do ambiente tradicional, como a visita a uma fábrica de juta de malva em Castanhal, proporcionam contato com diferentes materiais e processos produtivos, ampliando as referências para a criação dos próprios produtos.
Desenvolvimento da coleção “Águas da Amazônia”
Paralelamente às capacitações, os artesãos estão sendo preparados para criar uma coleção inspirada nas “Águas da Amazônia”, por meio de consultoria especializada. Uma primeira oficina apresentou diversas ideias, culminando na escolha do tema que irá guiar o desenvolvimento das peças.
Os encontros coletivos e atendimentos individuais com a consultora ajudam a moldar as propostas de produtos alinhadas ao conceito da coleção. O próximo encontro está marcado para o dia 17 de agosto, quando os participantes avançarão para a elaboração dos primeiros desenhos e esboços.
A exposição das criações está prevista para novembro de 2026, o que deve dar visibilidade aos trabalhos desenvolvidos e contribuir para a circulação dessas peças no mercado.
Fortalecimento dos negócios artesanais
O projeto, iniciado em maio, estruturou sua programação a partir de processo de inscrição e curadoria, envolvendo capacitações, oficinas e consultorias. Além da oficina de embalagens, os artesãos receberam orientações para participar do Top 100 de Artesanato e ações focadas em melhorar a qualidade e apresentação dos produtos.
O objetivo central é fornecer ferramentas para que os artesãos aprimorem não só a produção, mas também a comunicação, apresentação e comercialização de seus trabalhos. Ao unir técnicas tradicionais, design, materiais regionais e empreendedorismo, o projeto busca fortalecer o setor e incentivar a criação de peças com identidade, qualidade e potencial de mercado.