Fórum Brasileiro das Climatechs e o desafio dos financiamentos
O Fórum Brasileiro das Climatechs (FBC), criado no início de 2025 e que já reúne mais de 500 empresas no Brasil, entregou aos candidatos à presidência da República um documento com demandas que ressaltam a urgência de políticas públicas voltadas para o setor de tecnologia climática. A iniciativa busca garantir que as empresas do segmento tenham acesso a modelos de financiamento mais adequados à sua realidade.
Investimentos globais e o potencial das climatechs
Segundo levantamento do Boston Consulting Group em 2024, a transição climática mundial exigirá investimentos anuais entre US$ 2,6 trilhões e US$ 3 trilhões até 2050. Dentro desse cenário, as climatechs — empresas que desenvolvem soluções tecnológicas para enfrentar desafios climáticos — despontam como fortes candidatas a captar boa parte desses recursos. O principal pedido do FBC aos candidatos é a criação de modelos de financiamento que permitam maior flexibilidade e tolerância a riscos.
Demandas específicas para ampliar o apoio financeiro
O documento do FBC apresenta 40 reivindicações, entre elas a criação de um mecanismo específico dentro do Eco Invest Brasil voltado para as climatechs. “O Eco Invest é um instrumento recente em um mercado ainda em formação. Nossa demanda é que a alocação, especialmente dos recursos do terceiro leilão, consiga assumir mais riscos. Mercados de venture capital e tecnologia avançam justamente quando há disposição para lidar com esses riscos”, explica o diretor executivo do FBC, Zé Gustavo.
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Além disso, as empresas desejam que fundos climáticos tenham proteção contra contingenciamentos que possam prejudicar o fluxo de recursos. O FBC, que representa 40 companhias com movimentação econômica estimada entre R$ 5 e R$ 8 bilhões, também defende que o Fundo Clima, gerido pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e com o BNDES como agente financeiro, permita operações financeiras abaixo dos atuais R$ 20 milhões, ampliando o acesso para empresas em estágios iniciais.
Necessidade de adequar os mecanismos públicos ao perfil das climatechs
De acordo com Ana Himmelstein, diretora executiva do FBC, os modelos públicos atuais privilegiam projetos de grande porte, deixando de fora a maioria das climatechs, que estão em fase de expansão e demandam valores menores e prazos mais longos para validação de suas soluções. “Esse vácuo provoca paralisação nas empresas”, comenta, ressaltando que a questão não é desqualificar os instrumentos existentes, mas sim aprimorar o monitoramento e direcionamento dos recursos disponíveis.
Desafio na execução dos recursos públicos para a transição ecológica
Dados apresentados pelo Fórum indicam que, nos últimos dois anos, foram mobilizados, contratados ou comprometidos mais de R$ 373 bilhões em projetos relacionados à transição ecológica. Contudo, há uma discrepância significativa entre o capital anunciado e o efetivamente aplicado nas empresas. Por exemplo, pelo Eco Invest, foram movimentados mais de R$ 140 bilhões, mas apenas R$ 14 bilhões resultaram em operações firmadas.
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Himmelstein destaca que o desafio atual não está na disponibilidade de recursos, mas na sua aplicação eficaz. O documento do FBC identifica fragilidades no controle dos investimentos, reforçando a preocupação com a execução e a necessidade de garantir que os recursos cumpram seu propósito.
Potencial brasileiro e a necessidade de decisão política
Zé Gustavo reforça que o Brasil possui os ativos, as empresas e o capital necessários para impulsionar o setor de tecnologia climática. O que falta, segundo ele, é uma decisão política que encare essa agenda como um projeto estratégico de desenvolvimento. Para isso, o Fórum intensifica o diálogo não apenas com o poder executivo, mas também com o Congresso, planejando uma audiência pública na Comissão de Ciência e Tecnologia após as eleições, quando os novos parlamentares já estiverem empossados.
Representatividade e crescimento das startups climáticas
O FBC representa startups brasileiras dedicadas a tecnologias para o clima e busca ampliar a participação do setor no cenário nacional. “Identificamos cerca de 500 climatechs em operação no país, atuando em oito segmentos econômicos distintos. Muitas ainda desenvolvem soluções ligadas à agenda climática sem se reconhecer formalmente como parte desse setor”, conclui Zé Gustavo, indicando o potencial de expansão e a necessidade de políticas públicas alinhadas para garantir o crescimento sustentável dessas empresas.
