Recuo Democrático Atraí Atenção Internacional
O Instituto Variedades da Democracia (V-Dem), uma das mais respeitadas entidades no acompanhamento da saúde democrática global, revelou que os Estados Unidos estão avançando rapidamente em direção à autocracia, superando países como Hungria e Turquia nesse processo. Os dados alarmantes foram destacados no relatório anual da instituição sueca, vinculada à Universidade de Gotemburgo, que indica uma perda significativa do status de democracia liberal no país presidido por Donald Trump.
Segundo o relatório, a pontuação dos EUA caiu cerca de 24% em um único ano, levando a classificação mundial do país a despencar do 20º para o 51º lugar entre 179 nações analisadas. O fundador do V-Dem, Staffan Lindberg, explica que o governo atual tem sistematicamente minado os mecanismos de controle institucional, politizando o funcionalismo público e os órgãos de fiscalização, além de intimidar o Judiciário e atacar a imprensa e as liberdades civis.
Concentração de Poderes Marca o Segundo Mandato
O relatório intitulado “Desmantelando a Era Democrática” classifica a regressão democrática nos EUA como severa, apontando que a velocidade da autocratização sob Trump é surpreendente. Lindberg compara o impacto do governo Trump ao de líderes autocráticos como Viktor Orbán na Hungria e Recep Tayyip Erdogan na Turquia, afirmando que, em apenas um ano, Trump conseguiu o que outros líderes levaram anos para realizar.
Os pesquisadores do V-Dem basearam suas avaliações em 48 indicadores, incluindo liberdade de expressão, qualidade das eleições e respeito ao Estado de Direito. O estudo revela que o segundo mandato de Trump é caracterizado por uma concentração de poderes sem precedentes na presidência, com o Congresso, dominado pelos republicanos, abdica de seu papel constitucional em favor do Executivo, permitindo que o presidente assine 225 decretos em seu primeiro ano, enquanto apenas 49 leis foram aprovadas pelo legislativo.
Judiciário e Liberdade de Expressão em Declínio
Outro aspecto crítico destacado no relatório é o papel da Suprema Corte, que também contribuiu para a ampliação da autoridade do Executivo. O perdão de 1.500 criminosos condenados pelo ataque ao Capitólio em 6 de janeiro, logo no início de seu mandato, é citado como um exemplo de como a legitimidade dos tribunais foi minada, oferecendo assim um endosso tácito à violência futura.
Além disso, o relatório aponta que os direitos civis sofreram retrocessos, com a liberdade de expressão atingindo seu nível mais baixo desde os anos 1940. Apesar de não haver mudanças nos indicadores eleitorais, já que em 2025 não ocorreram votações nacionais, Lindberg enfatiza que as eleições de meio de mandato, programadas para novembro, serão um teste crucial para a saúde da democracia americana.
Expectativas Futuras e Importância das Próximas Eleições
O cenário atual, conforme indicado pelo V-Dem, é preocupante. O estudo sugere que a recuperação da democracia nos Estados Unidos depende das próximas eleições e do engajamento civil. A queda acentuada na qualidade democrática e o aumento da centralização do poder exigem uma resposta significativa da população e das instituições para evitar que a tendência se consolide em um regime autoritário.
