Desabastecimento em Belém e Ananindeua
Moradores de Belém e Ananindeua enfrentaram, mais uma vez, sérios problemas no fornecimento de água nesta quarta-feira (25). A concessionária Águas do Pará informou que o abastecimento foi interrompido devido ao rompimento de uma adutora durante a madrugada.
Mais de 40 bairros foram prejudicados, e, apesar de o problema ter se iniciado ainda pela manhã, até por volta das 23h o fornecimento de água não havia sido restabelecido. A empresa não forneceu uma previsão para a normalização completa do serviço.
A situação enfrentada por esses moradores não é pontual. Relatos indicam que a falta de água tem se tornado uma constante nas últimas semanas, levantando preocupações sobre a gestão do abastecimento na região.
Felipe Gillet, jornalista e morador do Conjunto Bela Vista, localizado no bairro Val-de-Cans, comentou que esse problema persiste há mais de um mês, coincidentemente após a mudança na gestão do serviço. “Na verdade, esse problema já tem mais de um mês. Começou praticamente depois que a Águas do Pará assumiu”, salienta.
A falta de comunicação agrava o problema
Felipe destaca que, além da interrupção no fornecimento, a ausência de avisos prévios apenas intensifica a dificuldade enfrentada pela população. “O principal problema, claro, além da falta d’água, é a falta de aviso. Agora eles estão começando a avisar, mas ainda assim somos surpreendidos”, diz. Ele ainda menciona que a concessionária criou grupos de WhatsApp com representantes de associações locais para compartilhar informações, mas essa abordagem ainda não é suficiente para evitar os transtornos. “Eles criaram uns grupos e mandam mensagens avisando. Mas ainda assim, a comunicação parece que agora que está se encaminhando”, completa.
O jornalista recorda um dos momentos mais críticos que os moradores enfrentaram recentemente: “O pior momento até agora foram quase quatro dias sem água. Teve gente que ficou até mais”, conta, enfatizando que a situação atual é bastante diferente da realidade vivida anteriormente. “Aqui, quase não havia esse problema de abastecimento. Na minha casa, por exemplo, nem precisava usar bomba, mas agora não sei se eles pegaram uma área sucateada, com problemas técnicos”, acrescenta. Felipe destaca que possui caixa d’água em casa, mas muitas residências na região não têm esse recurso. “Mesmo com a caixa [d’água], já tivemos dias que a caixa ficou quase vazia e não deu para tomar banho”, relata.
Impacto nas atividades diárias
A situação crítica também tem afetado tarefas cotidianas. Maria do Rosário, comerciante e moradora de Val-de-Cans, compartilha sua experiência: “Percebi a falta de água ainda na noite de terça-feira (24), antes mesmo do problema desta quarta-feira. Na realidade, essa água faltou desde ontem à noite. Eu deixei de fazer comida porque não tinha água”, conta.
Para enfrentar a escassez, ela se viu obrigada a buscar água com vizinhos e improvisar com o pouco que tinha disponível. “Eu trouxe um pouco do poço da vizinha e coloquei aqui, mas é só para as coisas realmente mais necessárias: lavar a mão, colocar no banheiro. Imagine entrar no banheiro e não ter água para tomar banho?”, questiona, evidenciando a gravidade da situação.
A falta de abastecimento também impacta nas tarefas domésticas, que estão sendo adiadas. “Falaram que a água ia chegar cedo, mas até agora, nada. Essa água aqui que eu pego é para fazer uma coisa rápida. Não é nem lavar a mão, é molhar a mão e passar no pano”, diz, enquanto mostra uma pia cheia de louças acumuladas, que pretende lavar apenas nesta quinta-feira (26).
A equipe de reportagem tentou contato com a Águas do Pará e a Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa) em busca de esclarecimentos sobre a situação, mas ainda não obteve retorno.
