Mercado reage com otimismo ao resultado do primeiro turno
O Ibovespa fechou o pregão com uma alta expressiva de 9,1%, alcançando a inédita marca de 209.605,7 pontos logo após o primeiro turno das Eleições presidenciais, realizado no domingo (4). O resultado das urnas definiu que o segundo turno será disputado entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcado para 25 de outubro. Essa definição dominou a pauta do Mercado financeiro nesta segunda-feira (5).
Flávio Bolsonaro venceu a primeira etapa da disputa com 47,03% dos votos válidos, quase 2 pontos percentuais à frente de Lula, que obteve 45,16%. Além disso, o Partido Liberal (PL) consolidou sua posição como a maior bancada no Senado, elegendo 19 parlamentares, elevando seu total para 28 a partir de fevereiro, ante 15 atualmente.
Expectativa de mudanças na política fiscal impulsiona Ibovespa
Analistas veem o resultado como um sinal de maior probabilidade de alternância no poder, trazendo expectativas de mudanças na política fiscal a partir de 2027. Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital, destaca que o mercado pode estar diante de uma transição que vai além de um simples rali eleitoral, com potencial para uma reprecificação mais estrutural.
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O cenário ainda deve ser marcado por volatilidade, principalmente observando os juros longos, que funcionam como termômetro para diferenciar entre um movimento pontual e uma mudança mais profunda no mercado brasileiro.
Ações de destaque refletem confiança dos investidores
Os reflexos dessa movimentação já aparecem nas ações que compõem o Ibovespa. Os papéis da Petrobras (PETR3; PETR4) tiveram alta significativa, com os ordinários subindo 5,63% e os preferenciais 6,45%. A Vale (VALE3) avançou 1,83%, enquanto os bancos também apresentaram ganhos robustos: Itaú (ITUB4) cresceu 9,15%, Banco do Brasil (BBAS3) subiu 12,39%, Bradesco (BBDC3; BBDC4) registrou alta de 11,29% e 10,71%, respectivamente, e o BTG Pactual (BPAC11) disparou 14,24%.
Impactos para empresas e mercado em geral
Fernando Siqueira, head de Research da Eleven, aponta que o mercado já vinha antecipando parte do impacto do “trade eleitoral” nos últimos dias, refletido no ganho de 4,71% do Ibovespa na última semana. Contudo, o desempenho expressivo da oposição reforça a tendência de continuidade na reação positiva.
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Segundo Siqueira, o efeito será mais intenso em empresas de menor qualidade, como small caps, companhias endividadas e com resultados financeiros fracos, que tendem a ser mais sensíveis às mudanças políticas.
Histórico mostra valorização pós-primeiro turno
Dados da Elos Ayta Consultoria, apresentados por Einar Ribero, apontam que nas últimas três eleições presidenciais o Ibovespa teve valorizações superiores a 4% no dia seguinte ao primeiro turno. A maior alta em 20 anos ocorreu em 2022, quando o índice subiu 5,54%, acompanhada da queda de 3,82% na cotação do dólar ptax, taxa de referência calculada pela Central (BC), e baixa de 4,48% no dólar à vista.
No mercado internacional, o EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado em Nova York, registrou alta de 11,81% no pré-mercado, indicando forte entrada de capital estrangeiro na Bolsa brasileira.
