Custo de Vida Atingido por Aumento de Preços
Em março de 2026, a inflação em Belém subiu 1,31%, um número consideravelmente superior à média nacional de 0,88%, conforme divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (10/04). Esses índices colocam a capital paraense entre as cidades com as altas mais expressivas do país, refletindo uma pressão inflacionária substancial sobre o custo de vida local. Os dados são referentes ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial da inflação no Brasil.
Ao longo do ano, o Brasil acumulou uma alta de 1,92% e 4,14% nos últimos 12 meses. Em contrapartida, Belém apresenta números distintos: 2,11% no acumulado de 2026 e 3,75% em 12 meses, impactando especialmente itens essenciais para a população.
Belém Destaca-se com Inflação Superior à Nacional
A inflação registrada em março revela um desvio significativo entre Belém e o cenário nacional. Os aumentos nos preços foram impulsionados, em nível nacional, pelos grupos de alimentação (1,56%) e transportes (1,64%), no entanto, ainda assim, esses números ficaram aquém do que foi observado na capital paraense.
Na cidade, os grupos de alimentação e bebidas tiveram um aumento de 2,11%, enquanto os transportes sofreram uma elevação de 2,74%, ambos acima das médias brasileiras. Outros segmentos, como saúde e cuidados pessoais (1,19%) e despesas pessoais (1,14%), também contribuíram para essa alta local. Em contraste, houve quedas em habitação (-0,11%), vestuário (-0,26%) e comunicação (-0,12%).
Ranking das Capitais: Belém Entre as Altas do País
Ao analisar o ranking das capitais, Belém aparece com a terceira maior inflação do mês de março, superando cidades como Recife (1,10%), Porto Alegre (0,96%), Brasília (0,85%) e São Paulo (0,78%). As cidades que registraram menores variações foram Rio Branco (0,37%) e Goiânia (0,40%), evidenciando um quadro bastante desigual entre as regiões do Brasil.
Impacto dos Alimentos no Orçamento Familiar
Assim como em outras partes do Brasil, os alimentos tiveram um papel significativo na inflação belenense, mas na capital paraense, a alta foi ainda mais acentuada, especialmente em itens básicos do dia a dia.
Entre os principais aumentos registrados, destacam-se:
- Feijão carioca rajado: 25,43%
- Cenoura: 26,42%
- Tomate: 15,06%
- Tubérculos, raízes e legumes: 15,25%
- Batata-inglesa: 11,19%
Por outro lado, alguns alimentos contribuíram para amenizar a pressão inflacionária, como:
- Abacate: -12,89%
- Laranja-pera: -11,61%
- Frutas: -3,19%
- Melão: -4,94%
No cenário nacional, produtos como tomate (20,31%), cebola (17,25%) e batata-inglesa (12,17%) também lideraram as altas, o que indica uma pressão generalizada nos preços dos alimentos, embora mais intensa em Belém.
Desafios para Famílias de Baixa Renda
Para Everson Costa, supervisor técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) no Pará, a inflação em Belém representa um quadro preocupante. Ele afirma que “a comparação entre as regiões mostra que Belém se posicionou entre as maiores inflações do país em março, superando a média nacional e várias capitais importantes. Essa tendência evidencia uma pressão inflacionária regional, especialmente em relação aos itens essenciais de consumo”.
Segundo Costa, os aumentos foram impulsionados principalmente por categorias que impactam significativamente o orçamento das famílias. “A alta dos preços foi puxada principalmente por alimentação no domicílio, combustíveis, transporte urbano e serviços básicos. Esses componentes têm um peso elevado no orçamento das famílias de menor renda, ampliando o impacto social da inflação na capital paraense”, conclui.
Custo de Vida: Uma Realidade Difícil
O cenário, segundo o especialista, sugere que Belém enfrenta um custo de vida mais elevado em curto prazo, em comparação com o restante do Brasil. “O comportamento dos índices mostra que o custo de vida em Belém continua sob pressão e, nos próximos meses, pode crescer acima da média nacional”, destaca.
Costa também enfatiza a urgência de iniciativas para proteger o poder de compra da população. “Esse contexto reforça a necessidade de reajustes salariais que considerem a realidade regional, assegurando a recomposição inflacionária e a manutenção do poder de compra dos trabalhadores”, finaliza.
